Senhores Associados:
Temos a satisfação de apresentar o Relatório da Gestão e as Demonstrações Contábeis da Coamo Agroindustrial Cooperativa, relativas às atividades desenvolvidas no ano de 2006, em conformidade com as disposições legais e estatutárias.
VoltarIniciamos o ano de 2006 na esperança de termos suplantado os grandes problemas de 2005, e que teríamos a oportunidade de recuperar boa parte das perdas daquele ano.
Porém, no decorrer do ano, novos fatores adversos surgiram, que aliados aos de 2005, ocasionaram a degradação econômica do setor agropecuário.
Esta deterioração aconteceu em decorrência de diversos fatores, dentre os quais podemos destacar: 1) o elevado custo para a formação da lavoura em comparação com o preço de comercialização, fruto da valorização acentuada do real em relação ao dólar; 2) os altos custos financeiros pelo crédito privado restritivo e o oficial seletivo; 3) a queda da produtividade, pela combinação de adversidades climáticas e do avanço da ferrugem asiática; 4) a redução significativa da receita provocada pela valorização do real e pelo menor consumo das principais commodities agrícolas, em razão da febre aftosa nos Estados do Mato Grosso do Sul e Paraná e da gripe aviária em diversos países.
Somados a estes fatores, a carga tributária excessiva, a falta de investimentos em infra-estrutura e a lentidão de medidas de socorro por parte do governo federal, resultou numa combinação explosiva que desencadeou uma das maiores crises agrícola da história brasileira.
O grande endividamento que muitos produtores rurais contraíram os deixaram descapitalizados, sem crédito e sem perspectivas de solução, pois mesmo pretendendo se desfazer de seus bens para honrar os compromissos, poucos interessados havia, pois o setor, como um todo, ressentia-se da enorme crise.
Com este cenário tão adverso, havia necessidade de que fossem tomadas medidas federais urgentes para que esses produtores tivessem condições mínimas de continuar produzindo. A lentidão de medidas de socorro, por parte do governo federal, gerou manifestações em todo o país, onde diversas lideranças agrícolas demonstraram à sociedade e ao próprio governo o descaso que o setor estava passando.
Após as expressivas manifestações, as lideranças cooperativistas obtiveram junto ao Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador – CODEFAT, alterações das condições da linha de financiamento FAT-GIRO RURAL, no que tange as dívidas enquadráveis e prazo de pagamento, que passou para 5 (cinco) anos, vindo, de certa forma, amenizar a situação de uma boa parte dos produtores rurais.
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Novamente em consonância com uma das principais políticas desta administração, que é a de viabilizar a atividade do nosso quadro social, participamos ativamente da normatização do FAT-GIRO RURAL, objetivando sua imediata contratação e com isto levar aos nossos associados o otimismo necessário para a continuidade de suas atividades.
A resposta a esta política participativa, em prol dos associados, veio através da contratação do primeiro FAT-GIRO RURAL do país, beneficiando os associados que tiveram frustração de safra e se enquadravam nas condições estatutárias. Ao todo, foram atendidos mais de dois mil associados. Este benefício tornou possível a continuidade de suas atividades e, em sua complementação, visando o aumento da receita da atividade agrícola, através da gestão dos custos da propriedade, foi lançado o Programa de Aperfeiçoamento em Gerenciamento Rural. Dentro deste conceito, foi disponibilizado aos associados o portal na Internet, onde os mesmos dispõem de informações financeiras e outros serviços através da rede mundial de computadores.
Com a participação ativa dos associados, a gestão da diretoria novamente foi reconhecida, obtendo as seguintes premiações:
Visando atender as necessidades do quadro social, do plantio a comercialização e propiciando a manutenção da competitividade da COAMO, foram investidos R$ 59,26 milhões em melhorias e ampliações da infra-estrutura para o recebimento, conservação e armazenagem de produtos agrícolas, atendimento administrativo e financeiro e fornecimento de insumos nas unidades de Coronel Vivida, Fênix, Guarani, Quinta do Sol, Roncador, Peabiru, Campina do Amoral, Honório Serpa, Luiziana, Moreira Sales, Tupãssi e Primavera; melhorias e novos equipamentos para as Indústrias de Óleo de Campo Mourão e Paranaguá, com destaque para a construção de um armazém graneleiro, com capacidade para 77.000 toneladas em Paranaguá, além da modernização da frota de veículos e do sistema de processamento de dados.
VoltarEm nossas 87 unidades de recebimento de produtos agrícolas estamos equipados com uma eficiente infra-estrutura de armazenagem, com capacidade estática de 3,50 milhões de toneladas, o que propiciou um recebimento de 3,69 milhões de toneladas de produtos em 2006, correspondendo a 3,1% da produção nacional de grãos e fibras.
Em nosso parque industrial, composto por indústrias de esmagamento de soja, refinaria de óleo de soja, fábrica de gordura vegetal e margarina, fiação de algodão e moinhos de trigo, operando com plena capacidade, foram industrializados 1,17 milhão de toneladas de soja, 51,64 mil toneladas de trigo e 5,74 mil toneladas de algodão em pluma. Nos processos industriais são observados rigorosos controles de qualidade, através da implantação de normas NBR ISO 9001:2000, Boas Práticas de Fabricação (BPF) e Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC).
Exportamos pelo nosso terminal portuário de Paranaguá, no Paraná, e pelo porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, 1,81 milhão de toneladas de produtos em 170 navios.
Em 2006, a COAMO gerou uma receita de US$ 307,48 milhões em exportação, posicionando-se como uma das principais empresas exportadoras brasileiras.
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A família de produtos alimentícios COAMO, representada pelo óleo de soja refinado, gorduras vegetais, margarinas, café torrado e moído e farinha de trigo, apresentou um crescimento significativo nas vendas de 26%, demonstrando que as ações para a consolidação destes produtos no mercado consumidor alcançaram as metas estabelecidas.Voltar
O fornecimento de máquinas agrícolas e insumos, mediante vários planos e condições de pagamentos, tem proporcionado aos nossos associados tranqüilidade e redução de custo na condução de suas atividades.
Apesar da capacidade de pagamento dos produtores rurais ter sido impactada pelas adversidades ocorridas e da redução dos valores dos insumos, o faturamento deste setor atingiu o expressivo montante de R$ 691,80 milhões.
A gestão das nossas atividades está amparada em uma forte estrutura patrimonial, financeira e profissional, o que tem permitido à COAMO desfrutar de plena confiança do seu quadro social, instituições financeiras, clientes e fornecedores.
Considerando as dificuldades do setor, podemos afirmar que o ótimo desempenho obtido pela COAMO é fruto do reconhecimento da gestão administrativa e financeira, aplicada desde a sua fundação e, que foi construída com base nas ações firmes da diretoria, participação ativa dos associados e o comprometimento do quadro de funcionários, que conjuntamente buscam a evolução da cooperativa. A capitalização da COAMO tem gerado as condições essenciais para que, mesmo em um ano extremamente difícil, pudesse atender as necessidades dos associados na condução das suas atividades.
Apesar dos fatores que impactaram negativamente o setor agropecuário, a nossa receita global atingiu R$ 2,66 bilhões e as sobras líquidas foram de R$ 190,30 milhões. O Ativo Total atingiu o montante de R$ 2,38 bilhões e o Patrimônio Líquido foi de R$ 1,24 bilhão, representando um crescimento de 11,3% em relação ao ano de 2005. O índice de liquidez corrente ficou em 2,34 e o de liquidez geral em 1,79. A margem de garantia está em 213,0% e o grau de endividamento em 47,0%, o qual reduz para 22,3%, se deduzirmos do valor dos financiamentos os valores aplicados nas instituições financeiras.
VoltarA COAMO, no exercício das suas atividades, busca constantemente o desenvolvimento sustentável de seus associados e tem procurado disponibilizar produtos, serviços e o desenvolvimento de ações visando a interação sócio-ambiental. O respeito ao ser humano, o comportamento ético, o estrito cumprimento das leis e a vocação para o desenvolvimento são os princípios que fundamentam as políticas desta gestão.
Assistência Técnica e EducacionalNossos associados tiveram a sua disposição uma assistência técnica agronômica e veterinária, constituída por 190 profissionais, devidamente qualificados, garantindo a eles o que de melhor existe no repasse de informações e tecnologias para a correta condução de suas atividades.
Em 2006, foram realizados 1.574 eventos técnicos, educacionais, sociais e cooperativistas e elaborados 8.207 projetos técnicos, atividades estas envolvendo 74.235 participantes, onde destacamos os dias de campo nos entrepostos e principalmente, na Fazenda Experimental, que é transformada em um grande laboratório a céu aberto e que em parceria com empresas e órgãos oficiais de pesquisas, tem desenvolvido um trabalho diferenciado no repasse das novidades tecnológicas ao nosso quadro social.
Meio Ambiente
A devolução de embalagens vazias de defensivos agrícolas, que representa um dos maiores entraves ambientais enfrentados pela cadeia produtiva brasileira, contou com um trabalho sério e o comprometimento da COAMO, que neste ano, recebeu de seus associados 1,54 milhão de embalagens vazias de defensivos, destacando-se como a maior empresa do país na arrecadação dessas embalagens.
Nos 5.242 hectares de propriedades agrícolas da COAMO, preservamos 1.456 hectares com matas nativas, destinamos 3.323 hectares para reflorestamento com fins energéticos e 463 hectares são ocupados por culturas anuais e fazenda experimental.
Formação Profissional e Educacional
Em 2006 consolidamos e ampliamos o Programa Jovem Aprendiz Cooperativo, formando-os em serviços administrativos ou em eletrotécnica, com cargas horárias e conteúdos programáticos específicos, que são planejados, elaborados e desenvolvidos em parcerias com o SENAC, SENAI e contando com o apoio financeiro do SESCOOP. Participam da seleção para este programa, jovens entre 14 e 24 anos incompletos, que estejam regularmente matriculados na educação de nível básico, em escolas públicas, sendo que em 2006 houve 04 turmas com a participação de 75 aprendizes.
Apoiamos também, o Projeto “Xeque-Mate” de Xadrez, desenvolvido pelo Colégio Estadual Marechal Rondon, de Campo Mourão, para os alunos do ensino fundamental e médio, o qual tem como objetivo estimular o desenvolvimento do raciocínio lógico, interpretativo e habilidades, através do jogo de xadrez.
Quadro de Associados
O Projeto Formação de Novos Líderes Cooperativistas, que é considerado o melhor trabalho na área de educação cooperativista do país, teve continuidade com a formação de mais 45 associados em sua 10ª turma, totalizando 435 formandos.
O Plano de Saúde Unimed Rural, que tem propiciado uma melhor qualidade de vida e bem-estar ao associado e seus familiares, continuou sendo um sucesso em 2006, contando com 6.233 vidas seguradas.
Com um calendário de trinta e sete encontros semestrais e com a participação expressiva do nosso quadro social, continuamos realizando as Reuniões de Campo, que objetivam apresentar os custos de produção das lavouras, as tendências de comercialização das principais commodities agrícolas, o cenário econômico e a situação agrícola brasileira e mundial.
Encerramos o ano com 19.764 associados, que através da sua participação ativa, tem propiciado o sucesso e a solidez da COAMO gerando com isto as condições necessárias para que possam usufruir dos produtos e serviços disponibilizados em suas unidades, localizadas em 53 municípios dos Estados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Recursos Humanos
Visando o desenvolvimento e a capacitação técnica do nosso quadro de funcionários, continuamos investindo em treinamentos, sendo que em 2006 foram realizados 1.239 eventos com 15.257 participantes.
Encerramos o ano com 3.940 funcionários diretos e utilizamos também, uma média mensal de 1.087 funcionários terceirizados.
Geração e Recolhimento de Tributos
Os valores dos tributos e taxas gerados e recolhidos durante o exercício de 2006 atingiu o montante de R$ 148,87 milhões.
VoltarConforme foi relatado, podemos dizer que 2006, foi um dos anos mais difíceis para o setor. Foi um ano de exaustão, que nos deixou lições e nenhuma saudade. Porém, não nos faltou compreensão e apoio daqueles que sempre estiveram conosco: nossos associados, funcionários, clientes, fornecedores, instituições financeiras, órgãos governamentais e entidades de classes.
A todos, os nossos sinceros agradecimentos e a certeza de que continuaremos administrando a cooperativa com a mesma dedicação e entusiasmo para transpor novos obstáculos que porventura advir.
Seguiremos contando com todos para que os momentos desfavoráveis vividos em 2006 possam ser definitivamente superados e que os obstáculos sejam transformados em oportunidades para que juntos possamos comemorar novamente os bons resultados da nossa produção, do nosso cooperativismo e do agronegócio brasileiro.
Finalizando, agradecemos a Deus por mais um ano de atividades a frente de nossa cooperativa, em companhia de nossos diretores, conselheiros, associados e funcionários.
Muito obrigado.
Engº. Agrº. JOSÉ AROLDO
GALLASSINI
Diretor Presidente