Soja:
Mercado favorável no segundo semestre
Cooperados devem rever condição de comercialização e fazer um planejamento de vendas
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O aumento na produção interna de soja é um indicativo de que o mercado vai apresentar excedentes do produto e o Brasil terá que aumentar o seu volume de exportações. A afirmação é do superintendente Comercial da
Coamo, Roberto Petrauskas. Segundo ele, a produção desta safra projeta um volume de 42,8 milhões de toneladas de grãos. É superior a da safra passada (39 milhões) em quase 4 milhões de toneladas. "As exportações devem saltar de 23 milhões de toneladas no ano passado para 24 milhões de toneladas para este ano, sem contar que ainda teremos um incremento no volume de esmagamento de soja para atender a necessidade de consumo de farelo no mercado interno", adianta.
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| Petrauskas:
de olho no segundo semestre |
No primeiro semestre, entre maio e junho, o mercado de soja deve permanecer em ritmo lento, não tendo um referencial de preço que indique uma melhor condição de comercialização. "Isso porque alguns fatores estão interferindo diretamente no mercado entre eles a queda de preço na bolsa de Chicago e a baixa do dólar", lembra Petrauskas. "E isso faz com que o preço do produto no mercado interno fique deprimido", completa.
Essa situação, segundo o superintendente da Coamo, deve mudar bastante a partir do início do segundo semestre. "Neste período, vamos ter uma menor disponibilidade de grãos no mercado interno. Além do que, a localização desse produto vai determinar o ritmo de comercialização e formação de preços. Sendo assim, acreditamos que o segundo semestre deve ser um período melhor para a comercialização", prevê.
Uma orientação aos cooperados é que cada um reveja a sua condição de comercialização e o seu planejamento de vendas. "Isso é muito importante, porque se o produtor está capitalizado para cobrir todas os custos de produção agora no primeiro semestre não tem por que ficar pressionando o mercado nesse momento", alerta. A recomendação de Petrauskas, é que o produtor fique atento e acompanhe as informações sobre o comportamento do mercado para formar uma boa média de comercialização.
Subsídios e protecionismo - A soja tem aumentado a produção ano após ano, tanto no Brasil, como na Argentina e nos Estados Unidos. E isso tem um relacionamento direto com o aumento de consumo do produto em países como China e boa parte da Europa. Esse fato, segundo Roberto Petrauskas, é motivado pelo aumento de consumo de carne de frango e suínos.
"Também no Brasil, nos últimos anos, temos acompanhado um aumento gradativo no consumo de farelo de soja, exatamente por causa do aumento da produção de carne de suíno e de frango", revela.
Um dos grandes problemas para a soja brasileira é o subsídio oferecido ao produto internacional. Segundo Petrauskas, são duas categorias que influenciam no mercado de soja. A primeira são os subsídios que os EUA oferecem diretamente aos produtores de soja americanos. Isso faz com que o produtor americano não dê muita importância ao preço que ele está comercializando a safra. "Se o preço está abaixo do preço de garantia, que é US$ 5,26 por bushel, o governo paga a diferença ao produtor. Então para o produtor americano não existe uma perda de renda, por uma condição adversa do mercado", explica.
A outra situação são os mecanismos de proteção dos mercados, como, por exemplo, os relacionados com subprodutos, que são óleo e farelo de soja. O óleo é o produto mais taxado dentro de todo o complexo. "Mercados como o chinês e indiano sofrem uma taxação pesada sobre a importação de óleos vegetais. Isso dificulta a movimentação de produtos dentro desses mercados e os preços conseguidos normalmente são bastante descontados, porque os mercados protegem as suas próprias indústrias de esmagamento", argumenta o superintendente da Coamo, salientando que esses mercados preferem isentar a importação da soja grão e taxar a importação do óleo de soja, que tem bastante consumo. "Isso cria barreiras para a colocação de volumes de produtos que pudessem remunerar ainda melhor o produtor brasileiro", conclui.
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Análises do Mercado Agrícola
Comercialização Coamo - 15/04/02
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Café
A atuação dos fundos marcou o mercado de café no último mês. Num primeiro momento os fundos compraram em torno de 4 milhões de sacas de café e fizeram o preço subir mais de 1000 pontos. Num segundo momento os fundos pararam de comprar e o mercado pesou contra eles, que foram obrigados a vender a metade de sua posição para evitar maiores perdas. Com isso o mercado voltou 500 pontos e está em risco de maiores baixas. De volta ao mundo dos produtores e torradores, há apenas a grande safra brasileira pela frente e a necessidade, ou não, dos produtores, em vendê-la rapidamente.
Trigo
O mercado internacional segue em compasso lento, porém estável em decorrência do quadro de oferta e demanda mundial estarem bastante justo. A Argentina, cuja situação econômica preocupava os industriais brasileiros no sentido de haver um desabastecimento do mercado, não ocorreu e a situação está normalizada, possuindo hoje um saldo exportável para atender com tranqüilidade as necessidades das indústrias brasileiras até a entrada da próxima safra paranaense e lentamente observa-se um aumento nas cotações do produto, refletindo também no mercado interno, onde os preços praticados estão na paridade com o importado, havendo hoje pouca disponibilidade do produto para venda.
Algodão
Como já havíamos posicionado por ocasião do início desta safra, que ora se encontra com mais de 50% já colhida, o mercado tem se mantido estável, porém praticando um preço que tem resultado em uma boa rentabilidade para o cotonicultor, haja visto que as cotações do produto ao produtor estão se mantendo acima do preço mínimo de garantia do Governo Federal. O mercado internacional continua retraído, muito ofertado e os subsídios ofertados pelo Governo Americano para o algodão continuam afrontando a comercialização de pluma por parte de muitos países. Visando dar maior agilidade e liquidez no mercado de pluma o Governo Federal já lançou leilões PEP - Prêmio para Escoamento de Produto, com o objetivo de viabilizar a comercialização dentro dos preços de garantia do Governo Federal, o que por si só já mostra qual será a tendência do mercado no decorrer dos próximos meses.
Milho
Com a evolução da colheita na região sul, o comprador passa a ter ofertas mais próximas de suas fábricas e em boa quantidade, não deixando com isso que o mercado seja pressionado, mesmo com a atual seca que predomina sobre a safrinha.
Soja
Mesmo com a intensificação da colheita, o produtor insiste em não disponibilizar soja para o mercado, assim sendo, a falta de oferta em plena colheita (safra) esta escassa, fazendo o mercado interno prevalecer sobre o externo. Com isto, o preço consegue se manter nos níveis atuais.
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