Opinião

Editorial:
A fertilidade e a safra de verão

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, diretor presidente da Coamo

Estamos concluindo a safra de verão na maioria das regiões produtoras da Coamo, restando apenas as regiões centro e sul, que entram nas próximas semanas no ponto alto das suas colheitas. De maneira geral, podemos afirmar - mesmo sem os números finais, que a safra de verão está apresentando bons resultados, mesmo tendo sido prejudicada pela estiagem prolongada em algumas regiões. Nas regiões norte e oeste, por exemplo, os cooperados registraram altas produtividades. Acreditamos que no fechamento geral as perdas serão diminudas, já que a seca ocorreu num período
Dr.Aroldo Gallassini
em que o ciclo da soja estava praticamente definido.

A Coamo é uma cooperativa totalmente voltada para os interesses dos seus cooperados e neste ano cumpriu novamente a sua missão, proporcionando condições para o plantio da safra de verão do seu quadro social disponibilizando um montante de R$ 270 milhões com recursos próprios, volume significativo que resultou em importante apoio para os produtores. Os cooperados da Coamo estão reconhecendo a importância deste benefício que são somados aos demais trabalhos significativos que a cooperativa oferece do plantio à comercialização, como a assistência técnica, creditícia, plano safra, entre outros. 

Assim, com a confiança, entusiasmo e valorização dos nossos cooperados, os resultados não poderiam ser diferentes: estamos recebendo novamente grandes volumes de produção nas nossas 77 unidades estrategicamente localizadas bem perto das lavouras dos nossos produtores. Uma movimentação com volumes expressivos que vem evoluindo a cada ano, resultante de uma participação ativa e responsável, e um reconhecimento dos cooperados pelo trabalho, seriedade e segurança da sua cooperativa. 

Diferente do que prevíamos e do que nunca esperamos em nossa atividade, infelizmente estamos convivendo com um período de seca que está se prolongando e provocando prejuízos, com perdas nas colheitas das lavouras de verão e do milho safrinha. E também, está atrasando a implantação das outras culturas de inverno, principalmente a aveia, prejudicando os produtores que plantam para a integração lavoura-pecuária. Esperamos pela regularidade das chuvas e que não haja prejuízos para o plantio do trigo, que pelo zoneamento agrícola, dependendo da região, pode ser semeado em abril, maio e junho.

Nesta safra estamos verificando perdas significativas no milho safrinha, tradicionalmente conhecida como uma cultura de risco, pela possibilidade de falta de umidade e ocorrência de geadas no período de março a agosto. As previsões deste ano indicavam uma produção brasileira de 39 milhões de toneladas de milho, contabilizando-se as safras de verão e safrinha, para um consumo nacional de 36 milhões de toneladas. 

Com a estiagem, que não é bom para os produtores e para a agricultura brasileira, tiramos como lição a necessidade da prática da fertilidade do solo. Uma tecnologia moderna e benéfica que deve ser utilizada por todos os produtores para a correção das lavouras com aplicação de calcário, micro e macro elementos para o equilíbrio do solo e melhores produtividades. Com a adoção da fertilidade do solo as plantas desenvolvem-se melhor e como conseqüência, as lavouras sofrem menos obtendo maior poder de resistência quando há falta de chuvas. O projeto fertilidade do solo criado e desenvolvido pela Coamo vem conquistando importantes resultados nos últimos anos, registrando bons índices de produtividades. Trata-se de um projeto que deve ser implantado por todos os cooperados, uma iniciativa para se obter bons resultados a médio e longo prazo, além de uma prática inovadora e consciente para preservação da nossa terra e das gerações futuras.

A comercialização desta safra está sendo lenta se comparada com a realizada no mesmo período do ano passado. Os cooperados que comercializaram a soja através dos contratos antecipados com variação de US$ 9,00 a US$ 9,50 foram privilegiados e estão conseguindo bons resultados com valores superiores ao preço do dia.

O dólar é fator determinante para os preços da soja, principalmente na época de safra. Em 2001, tivemos preços elevados no segundo semestre com o dólar chegando aos patamares de US$ 2,90 a US$ 3,00, beneficiando os produtores brasileiros. O dólar está atualmente na faixa de US$ 2,29, proporcionando queda no preço da soja. Com isso, os cooperados estão comercializando de acordo com as suas necessidades imediatas. Diante desse quadro atual, devemos aguardar pela elevação da cotação do dólar, fator que influencia diretamente o aumento e por conseqüência melhores preços para a nossa produção.

No caso do milho, deveremos ter déficit na produção da cultura neste ano. Considerando os preços tradicionais verificados durante a safra, o valor pago neste ano está bom. Porém, as dificuldades enfrentadas pêlos produtores de frango e suínos podem limitar a formação de preços do milho.

Vamos acreditar e esperar para que tenhamos boas colheitas e preços satisfatórios para a coroação de todo o nosso trabalho na produção de alimentos para o Brasil e o mundo.

 

 

Ponto de vista:

Rentabilidade na Agricultura

O II Congresso Brasileiro de Soja (II CBSoja), que será realizado conjuntamente com o Mercosoja 2002, terá como tema central "Perspectivas do agronegócio da soja". Uma das conferências do Congresso tem como objetivo enfocar a rentabilidade na agricultura, e sua interface com o comércio internacional, em especial no que diz respeito aos subsídios à agricultura. O Dr. Roberto Rodrigues, que já foi presidente da Organização Cooperativista Internacional será responsável por enfocar o assunto. O tema é momentoso e nos remete para a recente reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio realizada no Qatar, onde essa questão foi um dos ápices da discussão e, especialmente, da dissensão entre os países ricos e aqueles países que tem na agropecuária a sua principal vocação. Serve como pano de fundo para discutir o futuro da ALCA frente à resistência americana em retirar os subsídios que concede à soja, passando pela reclamação brasileira junto à OMC contra esses mesmos subsídios.

É consenso entre os atores da agropecuária nacional que o protecionismo conferido à agropecuária pelos EUA, União Européia, Japão e outros países é extremamente punitivo para países pobres, que só podem competir valendo-se da pujança da sua eficiência técnica e econômica. Porém, caso o cenário de protecionismo venha a estender-se por um longo período, qual deve ser a postura a ser adotada? Como devem agir nossas lideranças? Que alternativas possui o produtor? O caminho da profissionalização é suficiente para romper as barreiras de mercados altamente protegidos?
Essa discussão interessa diretamente a todos quantos estejam atuando na cadeia produtiva da soja e em suas interfaces. Interessa ao produtor de soja, aos fabricantes e distribuidores de insumos, aos processadores, exportadores e a todos os profissionais de Agronomia e outras áreas do conhecimento que atuam na cadeia. Mas, também interessa aos componentes das cadeias de produção animal, como gado de corte, gado de leite, suínos e aves, não apenas porque utilizam a soja na alimentação de seus rebanhos, porém porque essa é uma discussão que ultrapassa as fronteiras de uma única cultura, interessando a todos quantos vivem do agronegócio.

A visão da iniciativa privada sobre os torniquetes que refreiam a expressão do verdadeiro potencial produtivo do Brasil será o tema a ser desenvolvido pelo Dr. Aroldo Galassini, Presidente da COAMO. Em pauta energia, comunicação, armazenagem, tributação, transportes, pedágios, sistemas multi-modais, portos, legislação, tributação, certificação, associativismo, negociação internacional, entre outros. Ainda pela COAMO, teremos a fala do Dr. Joaquim Mariano Costa, que abordará a Oferta e demanda tecnológica sobre micronutrientes em soja, no estado do Paraná.

E profissionalização implica em melhoria tecnológica.
Uma das mesas redondas do congresso tratará da agricultura de precisão. Os temas que serão abordados são: Perspectivas de crescimento da agricultura de precisão em soja, que terá como palestrista o Dr. Ariovaldo Luchiari, pesquisador da Embrapa atualmente lotado na Universidade de Arkansas, nos EUA. A participação do Dr. Luchiari é fundamental, pois ele está em um ótimo ponto de observação, e poderá trazer, ao final da safra de verão americana, notícias sobre o atual estado da agricultura de precisão. A segunda alocução tratará dos Fatores restritivos à adoção da Agricultura de Precisão, e será desenvolvida pelo Dr. José Paulo Molin. Finalmente, o Dr. Arci Mendes tratará do Estado da arte de equipamentos agrícolas usados em agricultura de precisão.

A Dra. Mariângela Hungria presidirá a Mesa Redonda sobre Associações microbianas em sistemas agrícolas com a soja. Os temas a serem desenvolvidos serão: Potencial de microrganismos endofíticos e associativos como biofertilizantes, Atividade microbiana e enzimática em solos com diferentes sistemas de cultivo e Aspectos básicos e aplicados da fixação simbiótica do nitrogênio.

A sustentabilidade da agricultura, em especial a sustentabilidade ambiental, é um dos pontos chaves da competitividade de um país. O Dr. João Flavio Veloso Silva coordenará a mesa redonda que tratará do Impacto da produção agrícola e o desafio à sustentabilidade ambiental. Teremos como palestrantes o Dr. Clayton Campagnoli, Pesquisador da Embrapa Meio Ambiente que introduzirá o tema abordando os Aspectos Gerais da sustentabilidade dos sistemas de produção agrícola; o Dr. José Felipe Ribeiro, que discorrerá sobre Impacto da soja no cerrado: desafios à sustentabilidade. Finalmente, o Dr. Marco Antonio Gomes apresentará resultados referentes ao Uso agrícola de áreas de afloramento do Aqüífero Guarani e implicações na qualidade da água.

O II Congresso Brasileiro de Soja e o II Mercosoja são promovidos em parceria pela Embrapa Soja e pela Aprosoja. Os eventos acontecerão em Foz do Iguaçu-PR, de 3 a 6 de junho de 2002. Visite a pagina do congresso em www.pjeventos.com.br/cbsoja para efetuar a inscrição no congresso, ou procure o Departamento Técnico da COAMO para maiores informações.

Décio Luiz Gazzoni, engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa, Diretor Técnico da FAEA-PR e Presidente do II CBSoja (gazonni@cnpso.embrapa.br).