Pecuária
Suínos:
Grão úmido no comedouro

Com vantagens sobre o grão seco, a silagem de grão úmido de milho ganha a preferência na suinocultura

A silagem de milho sempre foi considerada uma eficiente alternativa na complementação alimentar animal. Na suinocultura, por exemplo, a ensilagem de grãos úmidos de milho vem ganhando a preferência dos produtores. Com vantagens, inclusive econômicas, sobre a mistura de grãos secos aos concentrados, a silagem de grão úmido de milho facilita a vida na granja e vem sendo muito bem aceita pelos leitões, sem contar o melhor desenvolvimento no ganho de peso diário dos animais.

Na região de Pitanga, praticamente todos os cooperados integrados ao Projeto de Suinocultura da Coamo fazem a opção pela silagem de grão úmido de milho. O cooperado Nelson Blaka Volski é terminador no projeto e há dois anos substituiu os resíduos de milho e soja pela mistura de silagem de grão úmido de milho ao concentrado dos leitões. E sentiu uma grande diferença na troca: menor custo na preparação do concentrado, maior facilidade para mistura, melhor aceitação dos leitões, diminuição do desperdício no cocho e maior ganho de peso diário dos leitões. "Em média, os leitões ganham de 150 a 200 gramas a mais de peso por dia, o que aumenta também o nosso lucro", comemora.

Terezinha Volski, a esposa, é quem toma conta da granja. São, no total, 330 animais em fase de terminação. Neste ano, eles prepararam 3.600 sacas de milho num silo que
fica logo ao lado da granja. O volume de silagem será suficiente para abastecer o consumo dos animais durante o ano. "Diferente de quando usávamos grão de

Nelson e Terezinha Volski: bons resultados com a silagem na suinocultura
Alberton : elogios à nova mistura, melhor aceita pelos leitões
milho seco, quando tínhamos que trabalhar toda a semana, hoje trabalhamos 3 a 4 dias por ano e temos comida para os animais durante o ano inteiro", reforça Terezinha.

Primeiro ano - Apesar de conhecer bem a silagem de grão úmido de milho, o cooperado Dolizete Alberton está experimentando a alternativa pela primeira vez na sua granja. Ele é pioneiro na terminação de suínos na região de Pitanga e hoje possui uma granja com 330 animais. "Antes usava triticale ou outros resíduos para complementar a alimentação dos leitões. Mas acabei comprovando na prática os resultados que já vinham sendo alcançados pelos meus companheiros de projeto", comemora.

A grande vantagem verificada até agora por Alberton é a redução no frete do grão seco de milho ou outros resíduos trazidos para o sítio. "Com a ensilagem do grão úmido, o milho não sai da nossa propriedade. Parte da comida dos animais não precisa vir de fora. Assim, economizamos tempo e dinheiro", assinala.

O cooperado ainda não possui resultados em ganho de peso diário dos animais, depois que passou a complementar a alimentação com silagem de grão úmido de milho. Mas já vê a diferença no pouco tempo que os leitões experimentaram a novidade. "Os animais estão comendo melhor e se mostram mais uniformes", revela.

Com pouca área para plantar milho, neste primeiro ano Alberton preparou apenas um silo de 3 mil sacas de milho. É silagem suficiente para alimentar os leitões durante 10 meses. No entanto, para a próxima safra ele vai investir na construção de um novo silo para ampliar a capacidade de armazenagem da silagem e, assim, garantir o produto o ano inteiro para complementar a alimentação dos animais.


Dicas e vantagens

Segundo o médico veterinário Leandro Teixeira, do Detec da Coamo em Pitanga, a silagem de grão úmido de milho possui diversas vantagens sobre os métodos tradicionais até então utilizados pelos produtores na mistura aos concentrados fornecidos aos leitões. A mistura, na opinião de Teixeira, é feita na mesma proporção do milho em grão seco. "A digestibilidade e palatabilidade é maior e, com isso, o ganho de peso diário dos leitões passa a ser melhor", garante.

Uma outra vantagem que também é muito levada em conta pelos produtores está relacionada com o custo da alternativa. "A saca do milho ensilado pode ser vendido para a suinocultura pela metade do preço do produto seco que está sendo praticado no mercado. Assim, há maior rentabilidade na suinocultura", contabiliza.

Dicas - O veterinário da Coamo ensina alguns caminhos para a preparação da silagem de grão úmido de milho:
  • colher os grãos entre 30% a 35% de umidade;
  • o grão deve passar por um triturador, usando, no mínimo, uma peneira de milímetros;
  • compactar bem o silo com um trator para diminuir a entrada de ar e evitar problemas com micotoxinas;
  • fechar o silo com lona e esperar 45 dias antes de abrir, ou 21 dias, caso sejam utilizados inoculantes específicos;
  • cortar, no mínimo, uma fatia de 15 centímetros por dia para evitar a ploriferação fúngica (por isso, é importante consultar um técnico para planejar o tamanho do silo ideal para cada granja).

 

Bovinos:
Sem chances para os carrapatos

Boophilus microplus, o vulgar carrapato dos bovinos, está presente na pecuária como um dos grandes responsáveis pelas enormes perdas produtivas em nossos rebanhos de carne e leite, agindo também como um agente transmissor de doenças, entre elas a mais popular, a tristeza parasitária.

Os prejuízos que o carrapato causa, vão deste a transmissão da "tristeza parasitária", à depreciação do couro e até as perdas de sangue, que geram menor produção de leite e peso dos animais ao abate.

Deste modo, a população de carrapatos existentes em uma propriedade que trabalhe com a produção de leite ou bovinos para o abate pode afetar o rendimento econômico da atividade. Assim, torna-se extremamente importante o monitoramento da quantificação da população de carrapatos no rebanho, para que haja a máxima diminuição da quebra de produção decorrente da espoliação do carrapato, monitoramento este que deverá favorecer a utilização correta de um carrapaticida.

Estamos passando por um período de transição sazonal, saindo verão e iniciando o período do outono, época em que devemos fazer o controle estratégico contra os carrapatos, agindo sobre a geração que antecede o inverno, chamada de geração curta, para deste modo diminuirmos a população de carrapatos na propriedade, mas permitindo que estes cresçam após o inverno em pequena quantidade para garantir a resistência dos animais frente a babesia e ao anaplasma, agentes da tristeza parasitária, pois, os carrapatos inoculam estes agentes quando do momento da espoliação ao subirem nos animais, mantendo os animais com defesas orgânicas contra a babesiose e anaplasmose, doenças que causam a tristeza parasitária.

Com o incremento dos cruzamentos industriais, uma parte dos rebanhos bovinos passaram a ter um grau de sangue correspondente a 50% de gado zebuíno (Bos indicus) e 50% de gado europeu (Bos taurus), e com isso, intensificou-se a queda de resistência dos rebanhos ao carrapato, pois, o gado europeu é sensível a este e neste período de transição entre o verão e o outono temos observado e muitas propriedades a intensificação dos ataques de carrapatos nos bovinos. Esta situação já era esperada, pois os carrapatos estão realizando a sua geração curta, que fará a sua postura produzindo uma geração de larvas para estas passarem o período de inverno e perpetuarem a espécie.

Deste modo, os pecuaristas precisam, neste período, intensificar o monitoramento do rebanho, para realizar o controle estratégico, imprescindível, para não deixar que no início da próxima primavera tenha acentuado em sua propriedade a população deste espoliador em potencial, que é o carrapato, levando a prejuízos de alta monta, pela possibilidade da inoculação exacerbada de Babesias e Anaplasmas, levando a um número grande de animais com tristeza parasitária, e também pelo déficit econômico que a espoliação pelo carrapato pode levar. Um exemplo: um animal constantemente sugado por 25 fêmeas de carrapato ao dia pode perder no mínimo 5,5 kg de peso ao ano, mais a falta de apetite no animal que o parasitismo causa.

Por isso, há a necessidade de baixar-se a incidência populacional de carrapatos neste período de medeia a saída do verão e entrada do outono, pois, se isto não for feito, a próxima geração de larvas de carrapatos, que pode ficar até 200 dias na pastagem esperando um período propício para se fixarem nos animais, irá atuar em grande quantidade e causará grandes prejuízos aos rebanhos.

Assim recomendamos aos pecuaristas que façam o monitoramento de seu rebanho, e estando este com uma quantidade mínima de 20 fêmeas de carrapatos (fêmeas ingurgitadas - cheias), por animal, realizar o controle estratégico imediatamente, podendo-se fazer duas pulverizações nos animais com carrapaticidas, em intervalos de 18 a 21 dias, e 4 a 5 dias após a última pulverização aplicar um ectoparasiticida pour on, no lombo. Deste modo estaremos diminuindo drasticamente a população de carrapatos, os quais não causarão prejuízos ao rebanho nesta entrada de outono, e quando iniciar a primavera, a incidência de carrapatos será pequena, facilitando ao pecuarista o monitoramento e manutenção da população de carrapatos na propriedade em um limiar baixo, através de um controle carrapaticida estratégico.

Hérico Alexandre Rossetto - médico veterinário Detec de Campo Mourão


Eficiência na produção animal

Para se atingir níveis de produtividade compatíveis com a situação econômica de cada propriedade rural, é preciso planejamento, gerenciamento e investimentos. Em se tratando de produção animal - seja leite ou carne, o produtor rural, contando ou não com mão-de-obra familiar, deve procurar orientação técnica para o desenvolvimento da atividade e então poder tomar algumas decisões no momento de planejar a produção.

A propriedade rural que investe na qualidade da mão-de-obra; que proporciona uma alimentação com qualidade e quantidade suficiente para a manutenção; produção e reprodução; combinando manejo correto e ambiente propício para o desempenho dos animais, está buscando a eficiência na produção animal. 
Animais bem manejados, produção eficiente
Nestas propriedades os ganhos de produtividade (quilos de leite ou carne por hectare ano; número de leitões desmamados por matriz ou suínos terminados por ano); com certeza serão melhores. Os animais destinados à produção de proteína desempenham todo o seu potencial genético para a finalidade a que são criados, desde que estejam em condições favoráveis de alimentação, manejo e ambiente.

A alimentação e o manejo alimentar adequado tem influência direta na saúde e na produtividade do rebanho. Pastagens adubadas e com a utilização do sistema rotacional; silagens bem feitas; fenos de alta qualidade (tifton, coost-cross e alfafa); rações balanceadas; água em quantidade e qualidade e com acesso fácil e suplementação mineral à vontade e em cochos cobertos, contribuem para melhorar a nutrição do rebanho e a rentabilidade. Na falta ou acesso difícil à água, por exemplo, os animais deixam de se alimentar e conseqüentemente diminuem o ganho de peso e reduzem a produção de leite, além de terem a saúde comprometida. De nada adianta ter uma pastagem de alta qualidade para os bovinos; a melhor ração balanceada para os suínos, se não houver a preocupação com o acesso dos animais à água. O rebanho que sofre contaminação por bactérias, vírus, protozoários e parasitas, mas que está bem nutrido, seguramente, terá uma melhor defesa orgânica na presença de doenças infecciosas e parasitárias. Este rebanho terá melhor sanidade e melhores produções.

As vacinas somente devem ser aplicadas nos bovinos e suínos que estão bem nutridos, com manejo correto, em ambiente higiênico e sem estresse. Agindo desta forma as vacinas, que são produtos biológicos fabricados com alta tecnologia e sob o mais rigoroso processo de qualidade, trarão um resultado de 
proteção e segurança para a saúde do rebanho.

Na bovinocultura e na suinocultura a utilização de vacinas contra algumas doenças de origem bacteriana e viral é imprescindível para manter a saúde do rebanho. O benefício é a proteção do rebanho contra determinadas enfermidades que acometem os animais de produção e a melhora na produtividade e na lucratividade.

Contra doenças como a brucelose e a febre aftosa a vacinação em bovinos é obrigatória e deve ser realizada de acordo com a orientação oficial. A prevenção de outras doenças através do uso de vacinas tais como as clostridioses, a rinotraqueíte infecciosa bovina - IBR, leptospirose e pasteurelose são recomendadas. Na produção de suínos, vacinas contra a rinite atrófica, pneumonia enzoótica, leptospirose, colibacilose e parvovirose suína devem ser adotadas. 
É recomendável que o produtor adote um esquema de vacinação para o seu rebanho, através da orientação do médico veterinário do Detec da Coamo da sua região. Os bovinos e suínos que recebem boa alimentação, manejo sanitário correto e um ambiente adequado para a produção, integrando mão de obra especializada, serão rebanhos bem nutridos, saudáveis, produtivos e economicamente viáveis. E, estarão produzindo proteína de origem animal da mais alta qualidade e com segurança.

Tarcísio Spring de Almeida - médico veterinário Detec Abelardo Luz (SC)