Agromercado     



De olho no mercado

Produtor brasileiro está mais atento à comercialização da safra, buscando informações para ter maior liquidez na sua produção


O momento de comercializar a safra é sempre o mais difícil para o produtor rural. O mercado é um mecanismo dinâmico. Quando menos se espera acontece um fato que interfere totalmente na formação dos preços. Assim, para conseguir o melhor resultado possível nesse momento, o agricultor brasileiro, de uma forma geral, deve estar sempre atento, observando o comportamento do mercado e em busca das informações que vão formar as bases para a decisão mais equilibrada. Um acompanhamento constante à variantes do mercado faz com que ele tenha um panorama do que está acontecendo não só no setor agrícola, mas também no financeiro e cambial, onde estão os pontos que interferem diretamente na formação dos preços.

No entanto, a decisão de vender ou não a safra depende basicamente da situação de cada agricultor. O fato é que ele precisa estar ciente da hora certa para comercializar a produção; em quais períodos poderá obter os melhores preços; e se é adequado ou não carregar a produção para comercializar na entressafra. Tomar a decisão correta significa maior rentabilidade.

O superintendente Comercial da Coamo, Roberto Petrauskas, afirma que o agricultor deve enfrentar essa situação com planejamento e bom senso. “Cada ano que se passa é um aprendizado. Sempre acontece uma situação nova no mercado. Mas o agricultor tem que estar ciente de que existem variáveis que podem ser controladas e outras não. Por isso, é importante considerar o fluxo de cada propriedade, saber se a venda vai dar lucro ou não, comparando com os custos da fazenda”, explica.

Segundo Petrauskas, é praticamente impossível acertar o ponto máximo de comercialização de qualquer produto. “Ninguém vai vender ou comprar no melhor preço. Então, o que se tem que ter é um planejamento da comercialização. E ele só consegue fazer isso acompanhando o mercado”, orienta.

Perfil – Historicamente, os períodos de entressafra são os melhores para a comercialização. Porém, nem todos os produtores conseguem carregar a produção para este período, apesar de ter havido nos últimos anos uma boa capitalização no meio rural. Apesar de que, nos últimos dois anos, por exemplo, a situação tem sido um pouco diferente. Os agricultores, nos momentos fora da alta-entressafra, souberam aproveitar a elevação atípica dos preços e acabaram fazendo uma boa comercialização.

Com exceção dos últimos 3 a 4 anos, onde houve um volume maior de venda entre os meses de maio e junho, em geral os produtores trabalham com um escalonamento da sua comercialização. E principalmente nesses últimos dois anos o produtor aproveitou bastante os preços que foram praticados no primeiro semestre. “Isso gerou uma nova realidade no nosso quadro de comercialização. Cerca de 60% da comercialização vem sendo realizada até o início do mês de julho. Se essa situação toda se persistir e continuarmos tendo uma demanda elevada pelo produto soja, principalmente, eu acredito que o perfil de comercialização deve mudar nos próximos anos”, revela Petrauskas.

O preço médio da soja, no quadro histórico dos últimos 8 anos, tem girado entre US$ 12,00 a US$ 12,30 a saca com 60 quilos. Então, este ano é atípico, porque os preços, a exemplo do ano passado, estão acima da média. “A acessão rápida dos preços está fundamentada na queda das safras americana, brasileira e argentina. A redução de produção nesses três países corresponde entre 26 a 27 milhões de toneladas de grãos. É um número bastante significativo para o mercado”, revela Petrauskas.

Agroanálises

SOJA
O mercado cheio de incertezas e, com isto, vive em constantes altas e baixas. No momento o que está pesando é a questão China, que gerou uma incógnita quanto à demanda em função de problemas políticos e econômicos naquele país.

MILHO
O mercado segue firme até que se tenha mais certeza sobre a colheita da safrinha, a qual parece que desta vez fará jus ao nome (safrinha). Não podemos esquecer os anos anteriores, quando tivemos bons preços e não aproveitamos as oportunidades. Sendo assim, devemos sempre pensar em fazer preços médios na hora das vendas.

ALGODÃO
Mais um ano com bons níveis de preços no mercado paranaense. A colheita é boa no Estado, mas a produção não é expressiva frente à brasileira, representada principalmente pelo Mato Grosso, Bahia e Goiás, onde a colheita começará a partir de maio (Goiás) e deverá ser intensificada a partir de julho em Mato Grosso e Bahia. Considerando que houve um grande volume de produto exportado, principalmente por parte dos cotonicultores mato-grossenses e goianos, prevemos que o primeiro produto colhido deverá ser direcionado para atender esses compromissos, o que ajudará a diminuir a pressão de venda por ocasião da colheita, proporcionando um melhor equilíbrio ao quadro de oferta e demanda principalmente nos meses de junho a agosto, período em que ao longo dos últimos anos tem apresentado quedas nas cotações em decorrência de um volume ofertado no mercado acima da capacidade de compra das indústrias brasileiras.

TRIGO
Apesar das oscilações presenciadas nas cotações do produto no mercado internacional, podemos considerar o trigo como estável, face ao quadro de oferta e demanda mundial se encontrar de forma bastante justo, pelo menos até o mês de maio. A partir de junho teremos início à colheita em países da Europa e Leste-Europeu, cuja perspectiva de produção é grande, o que lhes permitirá recompor os estoques. Quanto ao mercado interno registrou-se melhoras nas cotações do produto, face à redução das vendas por parte dos produtores, devendo melhorar ainda mais a partir de maio, quando entrará em vigor a lei da PIS/COFINS, a qual tornará o produto importado 9,25% mais caro, abrindo espaço para uma melhor valorização do trigo nacional com qualidade equivalente. Lembrando que grande parte das variedades cultivadas no Paraná, por deficiência de qualidade, não apresenta uma boa liquidez comercial.


CAFÉ
Há cada vez mais um consenso de que a safra brasileira de 2004/2005 tende a ser maior do que 40 milhões de sacas. Associado a isso, os estoques nos países consumidores estão em patamares elevados, e vêm aumentando, o que vem pressionando os preços para baixo. Ainda temos um tempo antes de começarmos a falar do risco de geada e, dessa forma, qualquer alta deve ser vista como oportunidade de venda.



Indicadores Econômicos 


VARIAÇÕES nov/03 dez/03 jan/04 fev/04 mar/04 Acumulado
Período
Acumulado
12 meses
IGPM (% AO MÊS) 0,49% 0,61% 0,88% 0,69% 1,13%
4,25%
5,07%
TR (% AO MÊS) 0,19% 0,13% 0,46% 0,18% 0,87%
1,60%
4,02%
DÓLAR COMERCIAL (% AO MÊS) 3,26% -2,04% 1,79% -0,92% -0,18%
-0,51%
-13,26%
TJLP (% AO MÊS) 11,00% 11,00% 10,00% 10,00% 10,00%
   
SOJA 8,53% 3,57% 1,90% 5,95% 17,98%
69,60%
203,18%
MILHO 9,63% 2,07% 1,90% 0,00% 8,67%
33,66%
127,58%
ALGODÃO (TIPO 6) 5,71% 0,00% 1,90% 0,00% 6,25%
12,32%
44,79%
TRIGO (PH 78) 0,00% 0,00% 1,90% 0,00% 2,38%
2,38%
16,83%


Poder de Troca mês a mês


MÁQUINAS/INSUMOS X PRODUTOS out/03 nov/03 dez/03 jan/04 fev/04 mar/04 MÉDIA
DO
PERÍODO

MÉDIA ULT.
12 MESES

TRATOR NEW HOLLAND TM-135 - 125 CV (COMPLETO)
SOJA 3.478 3.409 3.481
3.930 3.815
3.608
3.620
4.080
MILHO 10.963 10.601 10.157
11.545 11.379
11.182
10.971
11.001
ALGODÃO (TIPO 6) 8.970 8.824 8.043
8.166 6.875
8.235
8.185
8.577
TRIGO (PH 78) 6.167 6.250 6.200
6.975 7.857
7.071
6.753
6.167
COLHEITADEIRA NEW HOLLAND TC 57 (completa)
SOJA 7.004 7.273 7.070
7.641 7.283
7.010
7.213
7.964
MILHO 22.074 22.615 20.631
22.448 21.724
20.420
21.652
21.420
ALGODÃO (TIPO 6) 18.061 18.824 16.338
15.878 13.125
16.000
16.371
16.800
TRIGO (PH 78) 12.417 13.333 12.594
13.563 15.000
13.737
13.441
12.077
PLANTADEIRA PSE 8 2S (COM CÂMBIO)
SOJA 896 866 985
989 988
881
934
1.032
MILHO 2.824 2.694 2.875
2.905 2.948
2.732
2.830
2.786
ALGODÃO (TIPO 6) 2.310 2.242 2.277
2.055 1.781
2.012
2.113
2.171
TRIGO (PH 78) 1.588 1.588 1.755
1.755 2.036
1.727
1.742
1.564
PULVERIZADOR COLUMBIA MAXTER FLOW
SOJA 697 674 630
632 670
631
656
745
MILHO 2.197 2.096 1.839
1.789 1.999
1.956
1.979
2.006
ALGODÃO (TIPO 6) 1.798 1.745 1.456
1.314 1.208
1.441
1.494
1.573
TRIGO (PH 78) 1.236 1.236 1.123
1.123 1.380
1.237
1.222
1.125
CALCÁRIO
SOJA 1 1 1 1 1 1 1 1
MILHO 3 3 3 4 4 3 3 3
ALGODÃO (TIPO 6) 3 3 3 3 2 3 2 3
TRIGO (PH 78) 2 2 2 2 2 2 2 2
Para cálculo da paridade de produtos X máquinas e insumos foram utilizados os preços praticados no último dia do mês.

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