Opinião     



Editorial:

Gestão de bom senso

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, presidente da Coamo

A preocupação com o meio ambiente é um dever de todos. Os tempos vão passando, a evolução vai acontecendo e, com isso, vai levando à modernidade. E no caso do meio ambiente não é diferente. Temos que ter cada vez mais uma formação e consciência em prol da qualidade do ambiente produtivo rural, tudo dentro de um bom senso, sem se deixar levar por paixões ideológicas. No meio rural, temos que preservar as matas ciliares, cuidar das nascentes dos rios e dos nossos solos. Os solos são o nosso maior patrimônio e podem ser destruídos em poucos anos, provocando redução de produção, se retirarmos dele mais do que devemos devolver.

Investir em correção, conservação e fertilidade do solo é o caminho para que possamos produzir cada vez mais e com tecnologia. E tecnologia moderna não falta. Está disponível para os agricultores, como rotação de culturas, adubação verde e a melhor tecnologia de todos os tempos que é o plantio direto. Assim, com práticas tecnológicas utilizadas de maneira correta e bem conduzidas, aliada a orientação e conscientização do meio ambiente, teremos uma melhor qualidade de vida no nosso ambiente rural.

Estamos vivendo um ano agrícola 2003/2004 bem diferente dos anos anteriores, devido a uma frustração de safra motivada pelo grande período de seca cuja intensidade encontra parâmetro somente em 1986. Sempre tenho dito nas reuniões com os nossos cooperados que há cada ano que passa estamos mais perto de uma frustração. Na lavoura de inverno, já vimos geada e excesso de chuvas que prejudicaram o milho safrinha e o trigo. Mas, nas lavouras de verão não estamos acostumados com o fenômeno da seca.

De um período de euforia nos últimos anos passamos agora por uma grande frustração que pode trazer grandes conseqüências. Na euforia, vários produtores arrendaram novas áreas de terras, pagando até de maneira antecipada, cerca de 30, 40 sacas de soja por alqueire. E de uma hora para outra, estamos vivendo um ano atípico, com grande frustração, com um cenário de fortes chuvas na região Norte do país e de seca no Sul. Região Sul que é uma das mais importantes na produção agrícola brasileira.

Prevemos dificuldades também para as lavouras de inverno. Com a ocorrência da seca, temos baixa unidade e prejuízos na lavoura de milho safrinha, que como conseqüência, não deve ter boas produtividades, abrindo-se, com isso, boas perspectivas para o milho da safra de verão. O plantio de trigo também pode ser prejudicado. Sempre disse que ano seco é bom para se produzir trigo com qualidade, mas não com seca no plantio. Ainda temos tempo, esperamos que a situação se normalize para que cada um possa plantar e obter boas produtividades nas lavouras de inverno.

Esta edição do Jornal Coamo também destaca o início de atividades da Coamo nas regiões de Clevelândia e Marilândia do Sul (no Paraná) e Amambai (no Mato Grosso do Sul), que está sendo comemorado e bem aceito pelos cooperados e produtores, futuros cooperados. São regiões promissoras que estão, a partir deste ano, contando com o apoio da Coamo para o desenvolvimento, aumento da renda e da qualidade de vida do quadro social.

A comercialização da produção agrícola é muito dinâmica e as variáveis que ocorrem de forma inesperada influenciam as decisões do mercado. Assim, tomar decisão nessa área e muitas vezes de forma antecipada é muito difícil. Temos orientado os nossos cooperados para que façam suas vendas em função do custo de produção. Neste contexto, o contrato de soja surge como uma importante modalidade representando oportunidade de lucro em função do custo de produção. Temos que ter o contrato para o quadro social, pois se de um lado temos os cooperados que sabendo das condições, querem fazer contrato, e estão conscientes de que poderá não ser o melhor negócio ou o melhor preço que ele vai obter na safra, de outro lado temos os cooperados que se a Coamo não disponibilizar essa modalidade vão ficar insatisfeitos.

Entendemos que a decisão de venda é sempre do cooperado, porque ninguém tem ‘bola de cristal’ para saber antecipadamente qual é o melhor negócio como também não sabe o que irá acontecer neste mercado dinâmico e globalizado. O que sempre informamos aos nossos cooperados são as tendências de comercialização que indicam determinado panorama de mercado em certo momento da safra. O contrato, desta forma, é uma modalidade que deve ser vista com muita seriedade pelos produtores. Ou seja, aqueles que não têm consciência do que é um contrato não deve realizá-lo, pois seguramente ninguém é obrigado a contratar, mas uma vez contratado devem cumprir, pois que contratos são feitos para serem cumpridos.

A importância da mata ciliar

Em todos os tempos da humanidade não se tem ouvido falar muito em produzir água. Mas este é um tema interessante que pode ser abordado nos dias de hoje, pois Deus deu ao homem a inteligência para que ele a use e desenvolva em prol do bem da humanidade e do próprio homem.

Cremos que intervir, de maneira simples e direta nos erros, omissões e ou descasos já cometidos no passado é uma forma de produzir água. A mão invisível do Grande Arquiteto do Universo, atua de muitas formas, maneiras e em tempos diferentes, às vezes até muito diferente daquele que pode ser alcançada pela dimensão humana. Um fato que pode explicar isso muito bem, é que para o homem, aquela porção florestal que fica a margem de um rio ou não, que se apresenta aos olhos humanos como uma paisagem estanque, na verdade está em um dos seus estágios de vida e em verdadeira revolução não percebida pela dimensão humana.

Digamos que o homem possa viver cem anos, este é o tempo em que ele nasceu, cresceu, envelheceu e morreu; para a floresta, aquele quadro de pinheirais por exemplo, para se encontrar daquela forma, como a vemos, a natureza levou uma eternidade, o que ouso estimar no mínimo em trezentos anos podendo chegar até milhões de ano. Com este enfoque, creio que o homem precisa intervir, é necessário favorecer para que a natureza, rios e mananciais recupere um grau de proteção já perdido.

Por isso, conservar, poluir menos ou até mesmo não poluir, reflorestar as faixas ciliares das coleções d´água, abandonar práticas agrícolas menos propícia a vida, tudo isso é um estágio inicial, um start para que a natureza dê a partida em um processo de manutenção, de recuperação da água e da sua qualidade, garantindo assim a manutenção da biodiversidade conhecida e desconhecida.

Assim, a intensificação dos trabalhos conjuntos reunindo entidades públicas e privadas, e agricultores, com envolvimento e comprometimento, aliada a orientação e estímulo para o cumprimento da legislação ambiental com agilidade, são o verdadeiro reconhecimento de que a sociedade está caminhando e se mobilizando para gesto de humanidade e legar as próximas gerações, um ambiente mais adequado e propício à vida.

Ricardo de Jesus Carvalho dos Santos, chefe Regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) - Campo Mourão-PR

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