Embrapa Soja, 30 anos     



Tecnologia no varejo

O CAMPO COMEMORA AS TRÊS DÉCADAS DA EMBRAPA SOJA, INSTITUIÇÃO DECISIVA PARA O AVANÇO DA SOJICULTURA NO PAÍS

“A Embrapa Soja chega aos seus 30 anos com orgulho de ter contribuído para o avanço do cultivo da oleaginosa no país”. A afirmação é de Vânia Castiglioni, chefe geral da instituição de pesquisa agrícola oficial, que foi criada em abril de 1975. Em seu gabinete, de onde coordena uma equipe de 74 pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento científico, ela recebeu a reportagem do Jornal Coamo para lembrar um pouco da história da Embrapa Soja e falar sobre os projetos que a instituição tem para o futuro.

Ao definir a construção de pesquisa, Castiglioni diz que não é uma tarefa fácil. “Precisa de metas bem definidas, persistência e parcerias fortes”, salienta. Entre as principais ações desenvolvidas pela Embrapa Soja durante as três décadas de sua existência, ela cita a expansão da cultura no país. “Este foi o nosso grande desafio, no início. E hoje é possível comemorar este avanço, com a soja ocupando 21 milhões de hectares de área em praticamente todos os estados brasileiros”, comemora.

SUPORTE - A instituição, segundo a chefe geral da Embrapa Soja, deu o suporte tecnológico para a expansão da cultura. “E como parte desse avanço, destacamos o trabalho de adaptação de cultivares para as diversas condições de solo e clima; outras áreas de pesquisa ligadas a diferentes segmentos do conhecimento, como o manejo de pragas, de plantas daninhas; as questões ligadas a conservação de solo, tratamento de sementes, enfim: com o nosso grupo técnico trabalhando para agregar valor ao agronegócio brasileiro”, relaciona.

O desafio imediato, na opinião de Casteglioni, é trabalhar soluções para a enfrentar a ferrugem. “Acredito que desde o surgimento da doença, em 2002, até a presente data, nós já evoluímos bastante em termos de informação, formação do grupo, geração do conhecimento. E a nossa grande meta é a busca por cultivares resistentes”, adianta. A especialização de cultivares também está nos planos da Embrapa Soja. “Trabalhamos em várias outras linhas de pesquisa, para a produção sustentável da soja, buscando o atendimento a vários nichos de mercado. Assim, esperamos que nos próximos 10 anos possamos estar num outro patamar, mantendo a qualidade e a competitividade da soja brasileira”, completa a chefe geral da Embrapa Soja.

PARCERIA - “A Coamo vem sendo uma grande e importante parceira da Embrapa nessa longa caminhada de três décadas, sempre com o objetivo de fortalecer os produtores rurais e a nossa agricultura”, salienta Vânia Castiglione.

INTERAÇÃO - Do produtor, que é parceiro e usuário das tecnologias preconizadas pela Embrapa Soja, a instituição espera uma aproximação cada vez mais efetiva, através dos eventos de transferência de tecnologias. “Essa interatividade é fundamental, uma vez que para que o agricultor, a assistência técnica e o próprio pesquisador tenham sucesso na aplicação prática das tecnologias é necessário que eles busquem a informação sobre o conhecimento”, valoriza Beatriz Correia Ferreira, entomologista da Embrapa Soja, e criadora da tecnologia de controle biológico de controle do percevejo da soja, uma estratégia realizada dentro manejo de pragas na soja, na instituição desde o início.

“Nesses 30 anos consolidamos resultados importantes para a produção de soja no Brasil, fazendo praticamente uma entrega a domicílio aos agricultores, que são o nosso alvo. Sempre com a preocupação de atendê-los com alternativas mais avançadas que pudessem envolver a melhoria da qualidade de vida do produtor e do meio ambiente”, explica.

EVOLUÇÃO - O pesquisador da área de manejo da cultura e transferência de tecnologias, Paulo Roberto Galerani, há 27 anos na instituição, lembra da evolução que a cultura da soja alcançou nas últimas três décadas. Em 1975, a produção de soja no Brasil era de 10 milhões de toneladas/ano. Na safra passada, o volume subiu para 50 milhões de toneladas/ano, o que situa o país em segundo lugar na produção mundial da oleaginosa, atrás apenas dos Estados Unidos. “Antes, a produtividade média das lavouras era de 1.200 quilos por hectare. Com o melhoramento genético, as pesquisas com o manejo do solo, de plantas daninhas e doenças, fomos transformando a nossa realidade, o que deu sustentabilidade para que a soja produzisse mais, gradativamente. Hoje, a produtividade média da soja está entre 2.800 a 2.900 quilos por hectare, que nos equipara aos produtores internacionais”, aponta.

 

A Embrapa Soja e o futuro da pesquisa

As tecnologias que estarão disponíveis aos produtores rurais a curto (entre um e dois anos), médio (entre 2 e 5 anos) e longo prazos (entre 5 e 10 anos) para as culturas de soja e girassol no Brasil e trigo no Paraná estão entre os projetos da Embrapa Soja para o futuro da pesquisa. Hoje, por exemplo, apenas 3% do óleo de soja produzido é aplicado industrialmente. Para os próximos dois anos, a Embrapa Soja quer mudar este cenário com articulação entre indústrias e instituições de pesquisa nacionais e internacionais para estímulo a novos usos para a soja no Brasil como: tinta de soja, lubrificantes e cosméticos.

EM CINCO ANOS - Dentro de cinco anos, a Embrapa quer colocar no mercado o micro-torrador de soja, que funciona com energia solar. O diferencial do equipamento é que ao torrar a soja elimina-se o inibidor de tripsina, fator indesejável na formulação de rações, porque prejudica a absorção de proteína pelos animais.
Os pesquisadores também estão aperfeiçoando a formulação do Baculovírus, inseticida biológico usado para controle biológico da lagarta da soja, para garantir maior eficiência e rapidez para controle a lagarta. Algumas das substâncias utilizadas nessas formulações são branqueadores óticos e lignina, que funcionam como protetores solares do vírus. Com isso, o vírus é protegido da radiação solar, aumentando sua sobrevida no campo e melhorando sua eficiência.

PRÓXIMOS 10 ANOS - Dentro de 10 anos, a Embrapa Soja e o instituto de pesquisa japonês JIRCAS pretendem minimizar um dos grandes problemas da sojicultura hoje: a falta de água em fases importantes do desenvolvimento da cultura. Por isso, têm sido introduzidos de genes de tolerância à seca (chamados DREB), em plantas. Esses genes ativam uma série de outros genes de defesa que aumentam a capacidade da planta em suportar períodos de falta de água.

Outro grande desafio da Embrapa Soja é o desenvolvimento de cultivares resistentes à ferrugem. Técnicas moleculares são usadas pelos pesquisadores para auxiliar na introdução de novas fontes de tolerância à ferrugem na soja. O objetivo é disponibilizar cultivares tolerantes à ferrugem no mercado, entre 5 e 10 anos

 

 

Vitrine histórica

A Embrapa Soja é uma das 40 unidades de pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, empresa pública de direito privado, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA. Sua missão é viabilizar soluções tecnológicas competitivas para o desenvolvimento sustentável da soja, girassol e trigo, por meio da geração, adaptação e transferência de conhecimentos e tecnologias, em benefício da sociedade. De 1975 a 1989, a Embrapa Soja estava instalada junto ao IAPAR - Instituto Agronômico do Paraná. Só em 1989, a instituição ganhou sede própria, no distrito de Warta, em Londrina (norte do Paraná), onde está instalada atualmente. A instituição conta com 300 empregados.
Sua fundação, em 1975, tinha o propósito de desenvolver tecnologias para produção de soja no Brasil, tornando-se referência mundial em pesquisa para a cultura da soja em regiões tropicais. Até 1970, os plantios comerciais de soja no mundo restringiam-se a regiões de climas temperados e sub-tropicais, cujas latitudes estavam próximas ou superiores aos 30º. Os pesquisadores da Embrapa Soja romperam essa barreira, desenvolvendo variedades adaptadas às condições tropicais com baixas latitudes, permitindo o cultivo da oleaginosa em todo o território brasileiro.

Também desenvolveram o manejo dos solos e da sua fertilidade; o manejo adequado da cultura para os diferentes ecossistemas brasileiros; o manejo integrado das pragas e das plantas daninhas; o controle biológico da lagarta da soja e do percevejo verde, as mais importantes pragas da cultura; entre outras. A instituição ainda desenvolve atividades para garantir a transferência de suas tecnologias e o relacionamento permanente com seus públicos, por meio da produção e edição de publicações e vídeos, visitas técnicas, dias de campo, treinamentos, eventos técnico-científicos, participação em feiras e exposições, e promoção de visitas de estudantes por meio do Embrapa & Escola.

O trabalho da Embrapa Soja é desenvolvido em parceria com diversos órgãos de pesquisa e do agronegócio: instituições de ensino, ciência & tecnologia, empresas públicas e privadas de assistência técnica, cooperativas, associações de produtores e fundações de amparo à pesquisa.

ESTRUTURA - A sede da Embrapa Soja possui 350 hectares, que, somados a outros 121 hectares da Fazenda Maravilha, também localizada no município de Londrina, totalizam 471 hectares de área experimental. A estrutura física da unidade é completada com 21.806 metros quadrados de área construída (23 casas de vegetação, 15 laboratórios, auditório com três salas anexas, biblioteca e escritórios para os funcionários. Além disso, a Embrapa Soja conta com um campo experimental em Balsas, no Maranhão.

DESENVOLVIMENTO DE CULTIVARES - Em parceria com organizações do setor público e privado, a Embrapa Soja desenvolveu 206 cultivares de soja. Atualmente, as cultivares da instituição respondem por cerca de 50% da produção nacional de sementes de soja. Na média histórica, as cultivares de soja têm sido cerca de 2% mais produtivas a cada ano. É através da incorporação de resistência a pragas e doenças que os pesquisadores da Embrapa Soja têm conseguido conferir estabilidade de produção nas novas cultivares.


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