Opinião     



EDITORIAL:
O difícil momento da nossa agricultura

ENGENHEIRO AGRÔNOMO JOSÉ AROLDO GALLASSINI, DIRETOR PRESIDENTE DA COAMO

“É um momento que requer muita cautela. Os cooperados da Coamo devem estar conscientes desta situação”

A Embrapa Soja está completando 30 anos de existência em 2005. São três décadas de absoluto sucesso e de uma atuação decisiva em prol do desenvolvimento e do avanço da soja na agricultura brasileira. A Embrapa Soja é destaque nesta edição do Jornal Coamo, pelo grande trabalho que vem realizando como uma das 40 unidades de pesquisa da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

A Coamo completará 35 anos em novembro e, desde a criação da Embrapa Soja, mantém efetiva parceria. Na fazenda experimental da cooperativa, há o privilégio de contar com uma base física de pesquisa da Embrapa Soja e o apoio direto de pesquisadores que, junto com a Coamo mantém um trabalho expressivo seja nos Encontros de Cooperados na Fazenda Experimental ou nos inúmeros Dias de Campo e eventos realizados nos entrepostos que visam sempre a transferência de tecnologias em lucro para os cooperados.
Parabenizamos e agradecemos à diretoria e equipe de colaboradores da Embrapa Soja e, de modo especial, reconhecemos o trabalho e a dedicação dos incansáveis pesquisadores, de ontem e de hoje, que fizeram e fazem uma bonita história na pesquisa da soja no Brasil.

O ano de 2005 vem sendo atípico e marcado pelas adversidades climáticas que ocorrem desde janeiro; primeiro com as fortes chuvas e, logo em seguida, pela grande estiagem que assolou fortemente os Estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, prejudicando milhares de produtores, em algumas das regiões das mais produtivas do país. Este é o segundo ano consecutivo com períodos de seca e de perdas na agricultura, porém, de maneira mais intensa que a verificada na safra anterior, que só não foi pior e os produtores não sentiram tanto em função dos bons preços das commodities.

A safra deste ano resultará em grandes perdas na produção e na renda dos produtores rurais. O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, estima que as perdas no país serão da ordem de 13 milhões de toneladas de grãos, o equivalente a R$ 6,5 bilhões. Na região da Coamo, estimamos uma redução média da produção em torno de 23%, mas, seguramente, em muitas regiões, muitos produtores tiveram perdas significativas que oscilam entre 40% a 60% da sua produção.

Os produtores que perderam menos foram aqueles que plantaram mais cedo, entre os meses de setembro e outubro. Diferente daqueles que semearam a safra em novembro. Com esta quebra na safra 2004/2005, a agricultura está vivendo um período difícil, de grandes problemas. Os produtores estão mais descapitalizados e, consequentemente, terão dificuldades para quitar seus compromissos junto às instituições financeiras e cooperativa.

Por sua vez, o governo brasileiro está acompanhando a situação e sentindo a realidade de milhares de produtores que perderam a produção por problemas climáticos estuda alternativas para prorrogação das dívidas e dar o suporte necessário a esta classe que produz alimentos para o Brasil e o mundo, e vem sendo, já há alguns anos, a diferença para o superávit da balança comercial do país.
É um momento que requer muita cautela. Os cooperados da Coamo devem estar conscientes desta situação. A Diretoria está atenta ao que está acontecendo e faz a sua parte, reivindicando junto ao governo e as instituições financeiras, em nome dos 19 mil cooperados, a busca de soluções para os problemas atuais.

Nesses 34 anos de Coamo, sempre estivemos juntos com os cooperados, trabalhando incessantemente para a elevação da sua produtividade, renda e qualidade de vida no ambiente produtivo rural, seja nas horas de alegria e positivas, como também em momentos difíceis, como o vivido atualmente.

Valorizamos a participação e a fidelidade dos cooperados no dia-a-dia da Coamo, especialmente num ano atípico como este em que, mesmo com mais ou menos perdas, todos os produtores colheram a sua safra e precisam cumprir os seus compromissos com a entrega da produção na Coamo.

Diante desta situação indesejável pela qual passam os produtores e a nossa agricultura, a Coamo irá estudar e analisar caso ‘a caso’ os pedidos de prorrogação de débitos dos cooperados para apoiá-los e fazer com tenham o capital de giro necessário para amenizar os seus problemas e ultrapassar os obstáculos impostos neste ano pelas adversidades climáticas.

Precisamos ter confiança, cautela e trabalhar muito desde já pensando e planejando a próxima safra, acreditando na superação dos problemas e na volta da normalidade na nossa agricultura com grandes produtividades, preços e renda na atividade.


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