A safra 2005/2006 está terminando, e a exemplo das anteriores, com problemas de frustrações nas culturas de milho e soja. Na área de ação da Coamo, em todas as regiões houveram perdas, com maior ou menor intensidade, dependendo das condições climáticas. As maiores perdas ocorreram no milho devido ao período de estiagem. E na soja também houve perdas de produtividades em muitas lavouras pelo plantio antecipado.
Essa questão do plantio antecipado da soja deve merecer uma maior reflexão por parte dos produtores. Levantamento dos últimos 10 anos mostram que na grande maioria das vezes quem planta antecipado não tem acertado, mas acumulado prejuízos. A pesquisa que trabalha para apoiar e elevar os resultados dos produtores tem difundido que o plantio da soja nas épocas certas tem melhores resultados. E principalmente em ano de grandes dificuldades como este, não é nada bom perder, sofrer prejuízos.
Os produtores estão enfrentando sérias dificuldades devido a grande estiagem dos últimos três anos que tem acarretado um grande endividamento. A questão da política econômica do governo em valorizar o real também tem prejudicado não só a agricultura, mas por extensão, toda a economia brasileira. Os exportadores de maneira geral vêm enfrentando uma grave crise que está ocasionando fechamento de fábricas em vários setores da economia brasileira. Então, verifica-se que não é só a agricultura que passa por uma situação complicada, mas também várias segmentos importantes que alavancam a balança comercial do nosso país.
Para agravar a crise, somam-se também dois eventos indesejáveis que estão acontecendo de uma só vez: a gripe aviária e a febre aftosa.
A gripe aviária provoca queda na exportação e como conseqüência, forte redução no consumo de ração e de farelo. A febre aftosa verificada no Paraná e no Mato Grosso do Sul, trouxe prejuízos significativos aos pecuaristas tendo em vista a queda nos volumes de comercialização e a redução nos volumes de exportações de carnes bovina e suína.
Com todos esses problemas, aliado a falta de capitalização dos produtores e a queda nos preços das commodities na Bolsa de Chicago, a situação é grave. Assim, o produtor tem grandes dificuldades até para sobreviver. Por isso, estamos atentos aos problemas e estivemos várias vezes em Brasília, juntamente com lideranças da Ocepar e da Faep, reivindicando junto ao governo em nome dos nossos 20 mil associados.
Reivindicamos ao governo para que encontre uma forma de beneficiar os produtores com prorrogação de suas dívidas, não só junto aos bancos, mas também com as cooperativas e empresas, já que todos ficaram sem capital de giro e acumularam prejuízos nos últimos anos. O que estamos pedindo ao governo é um alongamento das dívidas para um prazo maior que o referendado pelo Conselho Monetário Nacional que é o de pagamento das dívidas de investimento e custeio após a última parcela.
Reivindicamos junto ao Banco do Brasil, que é o maior agente financiador da agricultura, a possibilidade do produtor ter recursos em torno de 50% para administrar a manutenção das despesas da sua propriedade e da sua família, e desta forma, ultrapassar esta fase difícil que já está refletindo também nas cidades e provocando forte retração no comércio e no desenvolvimento do país.
A prorrogação das dívidas de investimento e custeio dos produtores homologadas pelo Banco Central não resolve o problema, mas é bem-vinda e dá uma folga neste ano. Mas, a previsão é de que no ano que vem haja um acumulo das dívidas provenientes dos recursos de custeio, FAT Giro, enfim de várias operações, que poderiam ser sanadas com a prática de altos preços da commodities. Mas, como não temos bola de cristal não podemos prever que aconteça esta alta que com certeza seria uma solução para os problemas da agricultura.
Consideramos as medidas do governo como emergenciais. Vamos acompanhar de perto os resultados da sua implantação e, dependendo do andamento vamos reivindicar novamente um prazo mais longo para o pagamento das dívidas rurais.
É importante que fique bem claro que não estamos reivindicando perdão das dívidas, mas sim um alongamento que possibilite um alívio, que o setor respire e sobreviva as estas dificuldades indesejáveis.
Enquanto isto, temos que continuar fazendo a nossa parte, ou seja, reduzir custos, mudar o padrão de vida se for o caso e evitar investimentos. Enquanto não voltarmos aos bons tempos de preços altos e boa rentabilidade, precisamos rever nossos conceitos e mudar nossas atitudes enquanto empreendedores rurais para a superação desta crise que atingiu de uma única vez não só a agricultura, mas também a pecuária. Acreditamos que esta crise seja passageira, pois ela não é a primeira e certamente não será a última. Vamos fazer a nossa parte e esperar por dias melhores.