A aveia preta é uma planta altamente nutritiva e rica em energia. Por isto, quando utilizada no pastoreio dos bovinos, durante o inverno, ela pode causar uma mudança na fermentação intestinal dos animais.
O alto teor nutritivo e de energia oferecido pela aveia, a torna uma das melhores opções de alimento alternativo para os bovinos durante a época mais fria do ano, principalmente por favorecer o pastoreio direto no campo. Contudo, antes de liberar o gado para pastejar a lavoura de aveia, é preciso tomar uma certa dose de cuidados. No início, os animais podem sofrer com alterações no funcionamento do intestino, causado pelo teor de gordura da aveia, o que pode levar a uma infecção, e até mesmo a morte do animal.
O alerta é do médico veterinário Hérico Alexandre Rossetto, do Detec da Coamo em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná). Segundo ele, as mudanças ocorrem por conta da adaptação do animal ao alimento. “Essa mudança favorece a intoxicação alimentar nos bovinos, o que pode até levar à morte alguns animais do rebanho, principalmente os mais debilitados”, destaca.
Cuidados – Rossetto orienta que os produtores devem fazer o controle profilático estratégico, vacinando os animais 25 a 30 dias antes do início do pastejo contra a Pasteurelose e Clostridiose. “Se possível, para evitar o stress provocado pela mudança na fermentação intestinal, é recomendado que o produtor associe a aplicação de um modificador orgânico nos animais, para evitar os problemas”, orienta. Mesmo passando pela alteração na flora intestinal, os animais vacinados não serão prejudicados pelas doenças associadas à multiplicação das bactérias patogênicas.
De acordo com o médico veterinário os benefícios em vacinar os animais são enormes. “O animal pode até não vir a óbito depois dessas mudanças gastrointestinais. Porém, ele fica debilitado e perde em desempenho, sem que o criador perceba, numa deficiência subclínica”, argumenta.
Conforme informou o veterinário, já existem casos confirmados da morte de animais na região, em razão da falta de cuidados de alguns produtores. “Todo o cuidado é pouco. Portanto, é recomendável que o criador esteja sempre de olho no seu rebanho e faça o controle preventivo”, orienta.
Retorno – O pastoreio do gado na aveia, observados os cuidados com a mudança na fermentação intestinal, é uma condição essencial para que o produtor mantenha o ganho de peso dos animais e a produção leiteira.
Segundo Rossetto, no caso da bovinocultura leiteira, um manejo bem feito das vacas pode ser decisivo para elas conseguirem suprir as necessidades alimentares e, assim, elas mantém o potencial de produção entre 18 a 20 litros de leite, por dia, somente pastejando na aveia.
Para os bovinos de corte, o ganho de peso pode chegar a uma média de 1,3 quilos por dia.
A primeira etapa deste ano da campanha de vacinação contra a febre aftosa, no Paraná, será realizada de 1º a 20 de maio. A médica veterinária Elenice Amorim de Lima, do Departamento de Veterinária da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), é quem coordena a fiscalização da campanha na região de Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná). Ela disse que a meta da campanha deste ano é imunizar 100% o rebanho de bovinos e bubalinos, que na região de Campo Mourão é superior a 600 mil cabeças.
Segundo Lima, a campanha deste ano terá uma motivação mais, em razão do grave problema ocorrido no final do ano passado, e que ainda não foi resolvido por completo, quando focos da doença forma confirmados no vizinho Estado do Mato Grosso do Sul, causando um enorme prejuízo para a economia nacional. “Mais do que nunca contamos com a conscientização dos produtores rurais em vacinar os seus rebanhos, porque todos estamos sentindo no bolso os prejuízos desta doença, apesar dos focos já terem sido extintos”, lamenta, ressaltando que a campanha será intensificada para evitar que novos focos da doença apareçam.
Conscientização – “É importante que todos os criadores façam a vacinação do rebanho, mesmo aqueles que possuem poucas cabeças e que necessitam de apoio dos órgãos governamentais para realizar o trabalho”, enfatiza Lima.
O gerente de Distribuição da Coamo, Carlito Tonet, informa que todas as farmácias veterinárias da cooperativa estão preparadas para atender os criadores na demanda de vacinas tão logo a Seab autorize a venda, o que deve acontecer ainda neste mês.
As doses da vacina podem ser encontradas nas 33 farmácias veterinárias da Coamo em toda sua área de ação no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Orientações – A Seab não soube informar o custo de cada dose da vacina, porque o preço é formado conforme a negociação entre os laboratórios e as lojas veterinárias. “Na campanha realizada em novembro do ano passado o custo variou entre R$ 1,00 a R$ 1,20 por dose”, lembra Elenice Lima.
As punições para quem não vacinar o rebanho ou deixar de informar a desistência da atividade serão mais rígidas neste ano. “Quem não vacinar sofrerá as sanções da lei e pagará multa que no ano passado chegou a R$ 76,00 por cabeça não vacinada”, revela a veterinária.
O Paraná fechou a divisa com o Mato Grosso do Sul por causa da confirmação de novo foco da febre aftosa no município de Japorã (região Sul do Estado). Vinte e dois animais de um lote de 143 reagiram positivamente aos testes sorológicos, o que indica que eles tiveram contato com o vírus da doença.
O controle da fronteira paranaense será reforçado pela Polícia Militar. O trânsito de animais e de produtos de origem bovina está proibido e todos os veículos estão sendo desinfetados.
O Paraná debelou no final do mês passado sete focos suspeitos de febre aftosa, sacrificando 6781 animais.
Os entrepostos da Coamo em Boa Esperança, Moreira Sales e Juranda (regiões Centro-Oeste e Arenito, no Paraná), promoveram, de 18 a 20 de abril, um ciclo de palestras sobre o tema bovinocultura leiteira. A iniciativa partiu da área veterinária do Detec do entreposto de Mamborê (Centro-Oeste do Estado), que atende os cooperados da região, com apoio da Prado e Hypred.
O médico veterinário Adriano Regiane Pereira, do Detec da Coamo em Mamborê, disse que o objetivo dos encontros foi reunir os produtores e criar um ambiente para a discussão, planejamento e execução de novas alternativas de renda para a propriedades. “Em época de ‘vacas magras’, a bovinocultura leiteira é mais uma opção para os associados, principalmente em propriedades onde a família trabalha unida, uma vez que há um grande aproveitamento da mão-de-obra”, recomenda Pereira.
Entre os assuntos abordados nos encontros estiveram o manejo e adubação das pastagens; manejo sanitário e inseminação artificial; importância da mineralização por fase; e qualidade do leite e manejo da ordenha.