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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 360 | Abril de 2007 | Campo Mourão - Paraná

Agromercado

Milho: Aposta de 50 milhões de toneladas

Brasil caminha para consolidar novo ciclo da agricultura comercial: soja deixa de reinar absoluta diante da expansão do milho

Na onda mundial dos biocombustíveis, que aquece o mercado das commodities e mexe na relação de oferta e demanda dos principais países produtores, o Brasil caminha para consolidar um novo ciclo da agricultura comercial. A soja deixa de reinar absoluta diante da expansão do milho, que a médio prazo deve superar a oleaginosa e ocupar o primeiro lugar no ranking nacional da produção de grãos. Perspectivas de consumo e preço transformam o cereal em uma das principais apostas do agronegócio brasileiro. Pode-se dizer que o grão anda na cola da soja, que continua a ser a grande vedete no campo, mas agora na companhia de um importante coadjuvante. Neste ano, pela primeira vez na história, a produção de milho no Brasil (1.ª e 2.ª safras) deve bater na casa das 50 milhões de toneladas, com destaque para o safrinha, que de acordo com previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) tem potencial produtivo para atingir mais de 14 milhões de toneladas, volume 30% acima da safra anterior.

Mercado – Na avaliação de Flávio Turra, gerente técnico-econômico da Ocepar, a produção deixa de focar apenas o mercado interno, para ocupar um espaço que se abre para atender a demanda internacional. Ele explica que, nos últimos 10 anos, o consumo no Brasil cresceu junto com o setor de carnes, aves e suínos, que tem no milho a matéria-prima da racão. “Mas agora deve se aquecer em função da demanda internacional, que continua forte por causa da retração dos Estados Unidos na exportação.” Turra acredita que a área de soja tem espaço e vai continuar em crescimento no país, mas, se confirmadas as tendências mundiais, o analista prevê que o milho assumirá a liderança nos próximos quatro anos.

Alimentos e energia – Outro aspecto importante, cita Gilda Bozza, economista da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), é que o mercado de commodities passa a fazer uma leitura de concorrência entre a produção de alimento e a de energia alternativa. Além disso, é preciso avaliar o milho sem esquecer da soja. A economista lembra que o aumento da área destinada ao cereal nos Estados Unidos reduz o espaço destinado à oleaginosa e também aquece o mercado mundial do grão.

Mas a euforia com o novo ciclo proporcionado pelo milho não é unanimidade. As análises se dividem ainda mais quando o assunto é mercado e preços. Há quem acredite que a ampliação da área norteame-ricana será suficiente para atender a demanda por etanol e que os Estados Unidos ainda terão fôlego para continuar exportando milho.

Com a oferta aquecida no Brasil e no exterior, a preocupação volta a ser o preço. Outro fator determinante será o clima, que pode influenciar tanto na produção americana como na safrinha do Brasil. (Com informações da Gazeta do Povo/Caminhos do Campo)

Agroanálises

 

Soja
Com o início do plantio americano, já aumentam as especulações sobre o clima, ou seja, o mercado fica muito mais volátil. Até o dia 23 de abril é possível que no relátorio de plantio do USDA apresente uma área ao redor de 2% plantada. O plantio do milho está um pouco atrasado até o momento gerando mais especulação sobre a área do soja que pode aumentar ao redor de 1,5 a 3 milhões de acres, o que deixa o mercado cheio de incertezas. Uma coisa é certa: do plantio até a colheita temos um longo período e num mercado especultivo, devemos ter alguns bons momentos para o preço.


Milho
Após sucessivas altas no mercado internacional, motivadas pelo grande aumento da demanda americana na produção de etanol, as cotações parecem ter chegado em seu limite, contrariando as expectativas dos produtores. As boas previsões de produção para a próxima safra americana vem fazendo com que as cotações no mercado internacional tenha significativas quedas, refletindo negativamente nos preços até então praticados no mercado interno, com a safra praticamente concluída e atingindo plenamente as expectativas quanto aos volumes projetados para a primeira safra. A euforia e expectativa de superar as projeções para safrinha, já começam a pressionar a comercialização do produto por conta da pressão de venda antecipada do produto. A safrinha será a responsável pelo destino das cotações para o produto no segundo semestre do ano.

Trigo
O mercado doméstico de trigo segue operando com liquidez restrita. Dentro desta configuração os negócios que saem são de pequenos lotes, geralmente adquiridos por moinhos de pequeno porte que não tem acesso ao mercado internacional. A postura do vendedor tem como base a recente valorização dos preços do cereal na Argentina. Os preços no Brasil são balizados pela paridade de importação com a Argentina, com a oferta enxuta e com a entrada da safra nova apenas em novembro, a tendência na Argentina é de alta, tendo como barreira as cotações do EUA. Ainda é cedo afirmar, mas a atual situação pode abrir espaço para mais um ano com cotações elevadas no mercado Internacional, com a taxa de câmbio próxima a R$ 2,00 por dólar, os preços elevados no mercado internacional são o único fator que pode garantir preços mais atrativos para os produtores brasileiros.

Café
O mercado interno segue com ritmo lento de comercialização. A falta interesse de por parte dos importadores com a queda do dólar impede que esse interesse se traduza em negócios efetivos. Os produtores, então, aguardam algum repique nos preços para elevar o volume ofertado, o que por si só também serviria como um limitante a um maior avanço das cotações. Já os compradores, diante de uma demanda externa acomodada, estão presente apenas para volume isolados. O cenário futuro é de pouca oferta brasileira, juntamente com a chegada de recursos para colheita, impede que as cotações caiam mais. No entanto, há muito café remanescente da colheita passada o que deve forçar necessariamente um volume maior de oferta.

Indicadores Econômicos
VARIAÇÕES
nov/06
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
Acumulado
Período
Acumulado
12 meses
IGPM (% AO MÊS)
0,75% 0,32% 0,50% 0,27% 0,34% 2,68% 4,28%
TR (% AO MÊS)
0,13% 0,15% 0,22% 0,72% 0,19% 0,95% 2,00%
DÓLAR COMERCIAL (%AO MÊS)
1,11% -1,33% -0,62% -0,31% -3,20% -5,70% -5,62%
TJLP (% AO MÊS)
6,85% 6,85% 6,50% 6,50% 6,50%
SOJA
8,93% 7,14% 5,26% 3,45% 9,26% 55,19% 144,47%
MILHO
20,00% 5,00% 3,13% 2,56% 6,67% 73,06% 138,64%
ALGODÃO
0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00%
TRIGO (PH 78)
5,77% 5,77% 0,00% 6,25% 0,00% 33,42% 68,27%

Poder de Troca mês a mês
MÁQUINAS/
INSUMOS X PRODUTOS
nov/06
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
MÉDIA
DO
 PERIODO
MÉDIA ULT.
12 MESES
TRATOR NEW HOLLAND TM-135 - 125 CV (COMPLETO)
SOJA
5.153 6.138 6.085 6.034 6.018 5.843 6.281
MILHO
9.870 10.854 10.954 11.266 10.968 10.972 12.710
ALGODÃO (TIPO 6)
11.343 13.284 13.284 13.284 11.333 12.312 12.219
TRIGO (PH 78)
5.682 6.654 6.980 7.192 7.083 6.573 7.411
COLHEITADEIRA NEW HOLLAND TC 57 (COMPLETA)
SOJA
10.427 10.000 10.530 10.678 11.150 10.773 12.129
MILHO
19.805 17.683 18.954 19.937 20.323 20.300 24.666
ALGODÃO (TIPO 6)
22.761 21.642 22.985 23.507 21.000 22.629 23.473
TRIGO (PH 78)
11.402 10.841 12.078 12.727 13.125 12.080 14.320
PLANTADEIRA PSE 8 2S (COM CÂMBIO)
SOJA
1.410 1.422 1.398 1.398 1.460 1.436 1.572
MILHO
2.679 2.515 2.538 2.611 2.661 2.707 3.199
ALGODÃO (TIPO 6)
3.078 3.078 3.078 3.078 2.750 3.024 3.051
TRIGO (PH 78)
1.542 1.542 1.618 1.667 1.719 1.612 1.855
PULVERIZADOR COLUMBIA MAXTER FLOW
SOJA
1.279 1.290 1.279 1.327 1.386 1.330 1.445
MILHO
2.430 2.282 2.303 2.478 2.526 2.504 2.930
ALGODÃO (TIPO 6)
2.792 2.792 2.792 2.922 2.610 2.795 2.804
TRIGO (PH 78)
1.399 1.399 1.467 1.582 1.631 1.492 1.704
CALCÁRIO
SOJA
2 2 2 2 2 2 2
MILHO
3 3 3 3 3 3 4
ALGODÃO (TIPO 6)
4 4 4 4 3 3 3
TRIGO(PH 78)
2 2 2 2 2 2 2
Para o cálculo da pariedade dos produtos X máquinas e insumos foram utilizados os preços praticados no último dia do mês.