Logo na chegada, ainda na porteira da fazenda do cooperado José Amilton Moss, de Guarapuava, na região Centro-Sul do Paraná, é possível observar a qualidade do gado e da pastagem produzida na propriedade. Há cerca de cinco anos, ele aderiu ao sistema de integração lavoura-pecuária e os resultados, conforme o cooperado, são contagiantes. Metade da área de 660 alqueires da sua propriedade é destinada à pecuária de corte. “Só coloco boi onde planto soja. Nos talhões que recebem o milho, optamos por não colocar os bois, para não haver o pisoteio”, explica o cooperado.
Moss, garante que a pecuária de corte é um negócio seguro e interessante. Tanto que com a autoridade de quem sabe o que está dizendo, o produtor afirma que prefere “plantar” bois ao invés de lavouras, no inverno. “É trabalhoso mas vale à pena”, sugere.
De acordo com ele, o ganho de peso diário, por animal, é de 1 quilo ao dia. Eficiência que acelera a terminação, com qualidade, e garante lucro em curto espaço de tempo. Nos 330 alqueires destinados a atividade, Moss trabalha com um plantel aproximado de 1.500 cabeças, em fase de terminação. Conforme o cooperado, o boi entra já em fase de engorda na área, e em 90 dias está pronto para o abate, graças a pastagem de qualidade oferecida durante o inverno. “Aqui eu trago os bois somente para engordar, para terminar mesmo. Os animais utilizados para recria ficam separados, em uma área de pastagem de verão”, esclarece o cooperado, enfatizando que a pecuária complementa a agricultura e vice-versa.
A aveia e o azevém, segundo o criador, dão o equilíbrio necessário para a otimização do sistema utilizado na fazenda. Para ele é uma questão de manejo. Moss garante que a sua produtividade de soja tem melhorado nas áreas onde o gado pisoteia durante o inverno. “Acho que a soja vai igual ou até melhor, comparada as áreas onde não vai boi”, diz ele, lembrando que um mês antes do plantio da oleaginosa retira os animais da área e, logo depois que chove, entra plantado a aveia.
O médico veterinário Fabio Guimarães Pinto, do Detec da Coamo, em Guarapuava, destaca o manejo desenvolvido pelo cooperado, que investe na pastagem, mas também não descuida da parte sanitária. “Sem investimento não tem retorno, seja na agricultura ou na pecuária. A busca por tecnologia envolve investimento, e se trabalhar direito o retorno é garantido”, orienta. Segundo o veterinário, o equilíbrio do solo na propriedade de Moss, proporciona também o desenvolvimento adequado das forrageiras de inverno utilizadas pelo cooperado. “Esta questão, de forma direta, ajuda no desenvolvimento do gado, que ingere um pasto de boa qualidade nutritiva”, completa o veterinário.
A aveia é uma das melhores opções de alimento alternativo para os bovinos nessa época do ano, quando as pastagens estão escassas, principalmente em razão do alto teor nutritivo e de energia oferecido pela cultura, além de favorecer o pastoreio direto no campo. Mas é preciso tomar cuidados ao liberar o gado para pastejar a lavoura de aveia. No início, os animais podem sofrer com uma mudança da flora intestinal, podendo levar a uma infecção.
O médico veterinário Hérico Alexandre Rossetto, do Detec da Coamo Campo Mourão, alerta que o alto teor nutricional, de gordura e de umidade da aveia, favorece uma mudança na fermentação intestinal dos animais nos primeiros dias de pastejo. “Essa mudança favorece a intoxicação alimentar nos bovinos, que pode debilitar os animais”, afirma.
Cuidados – Segundo Rossetto, os produtores devem vacinar os animais 25 a 30 dias antes do início do pastejo conta a pasteurelose e enterotoxemia. "Se possível, para evitar o stress provocado pela mudança na fermentação intestinal, é recomendado que o produtor associe a aplicação de um modificador orgânico nos animais, para evitar os problemas", orienta. "Todo o cuidado é pouco. Portanto, é recomendável que o criador esteja sempre de olho no seu rebanho", completa.
Retorno – O pastoreio do gado na lavoura de aveia nesta época, observados evidentemente os cuidados para evitar a mudança na fermentação intestinal, é uma condição essencial para que o produtor mantenha o ganho de peso dos animais (no caso da pecuária de corte) e a produção leiteira (para os animais leiteiros). Segundo Rossetto, as vacas conseguem suprir as necessidades para produzir entre 18 a 20 litros de leite, somente pastejando na aveia. No caso dos bovinos de corte, o ganho de peso pode chegar a uma média de 1,3 quilos por dia.

No período de 1º a 20 de maio acontece a primeira etapa deste ano da Campanha de Vacinação contra a Febre Aftosa. No Paraná, a Secretaria da Agricultura pretende esclarecer, também, a população urbana sobre a importância da imunização dos animais. A meta no Estado é vacinar 100% do rebanho paranaense, estimado em 10,2 milhões de bovinos e bubalinos, em 214 mil propriedades.
Na última campanha, realizada em novembro passado, a vacinação atingiu 98% do rebanho paranaense. Agora, o trabalho está direcionado no sentido de que todas os proprietários, de pequenas ou grandes áreas, se conscientizem sobre a necessidade do Estado voltar a ser declarado área livre de febre aftosa.
A vacinação e a comprovação são obrigatórias, e previstas em legislação estadual. Quem não vacinar está sujeito a penalidades impostas pela Secretaria da Agricultura, entre elas, multa de R$ 78,00 por cabeça de animal não vacinado.
A febre aftosa representa um dos maiores males para a pecuária. Além dos prejuízos imediatos, como perda de peso dos animais ou queda na produção leiteira, tem ainda como conseqüência a paralisação das vendas para os mercados interno e externo.
Todo o rebanho tem que ser vacinado inclusive recém-nascidos e fêmeas prenhes. A febre aftosa é uma doença altamente contagiosa, sendo transmitida pela saliva, leite, urina, fezes do animal contaminado, pelo ar, pela água e por qualquer material, até mesmo roupas, sapatos e rodas de veículos que tenham contato com o animal doente.
A médica veterinária Elenice Amorim de Lima, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SEAB), Núcleo Regional de Campo Mourão, alerta para o comprometimento que o criador deve ter e jamais deixar de vacinar o rebanho. “Não importa quantas cabeças tenham na propriedade. Mesmo que for uma só esse animal tem de ser imunizado”, orienta a veterinária.
Lima sugere que a vacinação deve ser feita de forma subcutânea ou intramuscular (embaixo do músculo), evitando reações adversas e encaroçamento na pele do animal. Outra orientação é realizar a vacina nas horas mais frescas do dia, para não estressar o animal, de preferência logo pela manhã ou no final da tarde.