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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 360 | Abril de 2007 | Campo Mourão - Paraná

Meio Ambiente

Pela recomposição da mata ciliar

Coamo e IAP firmam parceria e distribuem 120 mil mudas de árvores nativas para cooperados da região de Campo Mourão

A recomposição da mata ciliar na região de Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná) ganhou um incentivo a mais com a parceria firmada entre a Coamo e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Pela iniciativa, 120 mil mudas foram distribuídas entre os cooperados de nove municípios. São espécies de árvores nativas, destinadas para ao plantio e a recomposição das matas ciliares, que são formações vegetais ocorrentes na margem de cursos d’água, consideradas como área de preservação permanente.

Ricardo de Jesus Carvalho, chefe regional do IAP de Campo Mourão, explica que o Programa Mata Ciliar foi criado para promover a recuperação e conservação de ecossistemas ribeirinhos em todo o Paraná. “Até agora já foram plantadas mais de 60 milhões de mudas de árvores”, informa. A região de Campo Mourão, segundo o técnico, foi a que mais plantou, atingindo o total de 5,6 milhões.

O engenheiro florestal da Coamo, Edmilson Baú, orienta que a função das matas ciliares é a preservação da água das nascentes, córregos e rios. Ele revela que as mudas distribuídas através da parceria estão sendo implantadas em um total de 110 hectares. “O plantio é feito conforme a necessidade da recomposição, que varia de acordo com a largura dos rios, sendo que a faixa não pode ser menor que 30 metros”, avisa.

Sobre o plantio das mudas, Baú orienta os produtores a realizarem o trabalho observando as condições ideais do solo e clima. “Para um bom desenvolvimento da planta é preciso haver umidade suficiente no solo. Portanto, se necessário, o produtor deve molhar as mudas depois do plantio”, orienta. Cerca de 20 espécies diferentes mudas de árvores nativas foram entregues aos produtores, através da parceria. Entre as mais conhecidas estão perobas, cana-fístulas, gorucais, cedros, guavi-rovas e pitangas.

Cooperados comemoram – Em Engenheiro Beltrão (Vale do Ivaí, no Paraná), o cooperado José Ripar, foi um dos beneficiados com o programa. Ele recebeu 500 mudas de árvores que foram utilizadas na recuperação de parte da mata ciliar do Rio Claro, que corta a sua propriedade. “A cooperativa está de parabéns por esta iniciativa. E eu, como agricultor consciente, estou fazendo a minha parte, plantando as mudas e colaborando para a preservação do meio ambiente”, destaca.

Outro cooperado beneficiado com a parceria foi Celso Iryia, de Quinta do Sol, também na região paranaense do Vale do Ivaí. Na propriedade dele existem várias nascentes e um córrego que deságua no Rio da Várzea. “A parceria entre a Coamo e o IAP está incentivando os agricultores a preservarem a mata ciliar. Essa preocupação da nossa cooperativa demonstra que não é só os produtores rurais que devem buscar a conservação da água”, valoriza.

Adequação – O engenheiro agrônomo Brasil dos Reis, do Detec da Coamo em Engenheiro Beltrão, disse que a recomposição das matas ciliares é uma questão de consciência do produtor rural. “O grande segredo deste trabalho é adequar a cultura de cada um de nós com as leis ambientais de preservação da natureza”, argumenta. O técnico sabe que a quantidade da água doce no mundo está diminuindo e que deve haver uma conscientização de todos para que não falte água no planeta.

O que diz a lei

O artigo 2 da Lei 4.771, do Código Florestal Brasileiro, estabelece que rios que possuam menos de 10 metros de largura devem ter 30 metros de faixa de mata ciliar. Em rios entre 10 e 50 metros de largura, a faixa de mata ciliar deve ser de 50 metros. Entre 50 a 200 metros de largura do rio, a faixa deve ser de 100 metros. Rios entre 200 a 600 metros de largura devem ter faixa de 200 metros. Acima de 600 metros de largura do rio, a faixa de mata ciliar deve ser de 500 metros. E para o caso de lagos e reservatórios, a decisão sobre o tamanho da faixa fica à critério do órgão ambiental.

Restaurando a mata ciliar

Depois de escolhidas as mudas, o produtor deve procurar imitar o que acontece naturalmente, ou seja, o desenvolvimento de uma floresta inicia-se com a colonização do local por espécies pioneiras, pouco exigentes em fertilidade do solo, de crescimento rápido e tolerantes à exposição do sol. A seguir, vêm as outras espécies, crescendo na sombra, em um solo com melhores condições de fertilidade e umidade.

O produtor deve escolher, preferencialmente, os dias chuvosos ou nublados para o plantio das mudas. Caso não seja possível plantar nestas condições, é preciso regar as mudas.

Outras dicas: no momento do plantio o produtor não deve deixar que as raízes fiquem dobradas; é importante fazer o coroamento das mudas, garantindo pouca competição com outras plantas; e lembrar que o ambiente deve estar isolado da criação animal.