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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 371 | Abril de 2008 | Campo Mourão - Paraná

Agricultura

Mães, esposas e agricultoras em tempo integral

Irmãs Durigon, de Toledo, no Oeste paranaense, dividem o tempo entre a família e a propriedade, e ainda arrumam espaço para se dedicaram ao trabalho comunitário

Filhas de agricultores, as irmãs Fátima e Yara Durigon, de Toledo (Oeste do Paraná), chegaram a experimentar outras profissões na cidade, mas foi no campo que elas se reencontraram. Juntas há 13 anos em torno de um projeto que envolve o trabalho com a agricultura e a bovinocultura leiteira, elas se desdobram em rotinas diárias que envolvem os cuidados com a casa; a família, no papel de mães e esposas; e a propriedade rural. E ainda arrumam espaço para o trabalho comunitário. “Só com muito amor e carinho é possível levar todas as nossas atividades, juntas, no dia-a-dia. Tem que gostar do que faz”, dizem.

As lições do campo foram repassadas às irmãs pelos pais. Ainda crianças, Fátima e Yara acompanhavam o trabalho na lavoura e a lida diária com os animais, atividades mantidas pela família na propriedade que hoje é administrada elas. “Sentimos um pouco de dificuldade no início, já que a agricultura é um território basicamente masculino. Mas com o apoio dos nossos familiares driblamos o preconceito e conquistamos o nosso espaço com competência”, lembram. Hoje, com os resultados alcançados dentro das atividades da propriedade, as Durigon estão entre os melhores da região em produção e gerenciamento rural.

“Uma é sombra da outra” – As duas estão sempre juntas, principalmente quando os negócios envolvem as atividades da propriedade. “Quando uma não está no sítio, dá a impressão que está faltando à sombra da outra”, brinca Yara.

Organizadas, elas dividiram as funções dentro da propriedade. Fátima responde pela produção leiteira e Yara pela lavoura. Mas ambas fazem um pouco de tudo. A sintonia das duas permite que cada uma saiba o que está se passando em todos os negócios do sítio. “Na prática, não há divisão do trabalho, já que nas decisões e até mesmo nas tarefas diárias estamos sempre lado a lado”, afirmam.

Lavoura – A propriedade das Durigon possui uma área de 76 alqueires de lavoura. A soja foi o carro-chefe no cultivo deste verão. A safra rendeu bem para elas. A produtividade média foi fechada em 140 sacas por alqueire, com picos de 170 em alguns talhões. “Estamos satisfeitas com o resultado, já que vínhamos de três anos difíceis. E também tem a melhora dos preços, que anima ainda mais”, comemora Yara.

Bovinocultura – A pecuária leiteira entra no esquema de produção de forma consorciada com a agricultura. No total, o plantel é formado por 120 animais. Destes, 45 vacas estão em lactação. No verão os animais permanecem em quatro alqueires de pastagem e no inverno pastoreiam aveia preta e azevém nas áreas de agricultura, descontando 20 alqueires que são cultivados com milho safrinha.

A produtividade leiteira média do sítio é de 750 litros por dia. “No inverno, as vacas chegam a produzir cerca de mil litros de leite por dia. Mas no verão este volume cai um pouco. No entanto, na média não podemos nos queixar, uma vez que a atividade leiteira ajuda a manter o sítio, já que corresponde a uma receita mensal na propriedade, e evita que dependamos somente da lavoura”, valoriza Fátima.

Mulher prática – Sempre detalhistas, as irmãs Durigon tiveram que incorporar a praticidade nas decisões pessoais e profissionais depois que passaram a trabalhar com a agricultura. Elas se consideram mais objetivas nesta questão, sem deixar de lado a feminilidade. “Conseguimos fazer várias atividades durante o dia e resolver problemas totalmente diferentes um do outro. Mas nós ainda usamos salto, cuidados do cabelo, da pele e das unhas, já que tudo isso faz parte do universo feminino. Encaramos situações que, as vezes, outras mulheres possam considerar difíceis. E resolvemos tudo rapidinho. Então, penso que a praticidade mudou bastante a nossa vida. E em uma coisa temos que concordar: para melhor”, afirmam.

Volutariado – Com um dia-a-dia mais que corrido, as irmãs Durigon ainda encontram tempo para o trabalho voluntário, auxiliando projetos de apoio aos mais necessitados. As duas são fundadoras da Associação Santa Rita de Cássia, uma entidade formada por mulheres que trabalha em prol dos carentes. O grupo ajuda outras entidades, doando parte do tempo livre para atividades que colaboram para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. “Dá tempo para tudo e ainda sobra muito para praticarmos no nosso lado de mães e de esposas”, resumem.

Soja, onde antes era braquiária

Quando foi orientado a fazer o plantio direto de soja sobre uma área de pastagem cultivada com braquiária o cooperado Luciano Zanetti, de Faxinal (Norte do Paraná), não acreditou muito que o resultado da lavoura poderia ser positivo. Mas ele resolveu apostar na tecnologia e preparou uma área de 37 alqueires de braquiária, dessecou e entrou com o plantio de soja logo em seguida. E para sua alegria, o resultado se comparou ao alcançado nas áreas que já vinham sendo cultivadas com a oleaginosa.

O cooperado obteve uma média de 130 sacas em cada um dos alqueires da nova área. “Tive receio, no início, de optar pelo sistema de plantio direto. Já estava com os equipamentos preparados para gradear todo o pasto, antes de plantar no sistema convencional”, conta Zanetti, que chegou a visitar outras lavouras iniciadas pelo mesmo sistema, a convite da Coamo. “O resultado final está bem acima do que esperei. A tecnologia realmente dá certo”, co-memora, garantindo que optaria pelo mesmo esquema se tivesse outras áreas de pastagem.

Tempo e dinheiro – Conforme o cooperado, a técnica lhe rendeu tempo e dinheiro. “Se tivesse de gradear e depois plantar teria de investir muitas horas de trabalho e talvez não conseguiria plantar na época certa, o que com certeza teria aumentado meu custo de produção. Desta forma consegui economizar dos dois lados e só tive lucro”, contabiliza. O produtor alerta que antes optar pelo plantio direto da lavoura em áreas de pastagem deve-se ter certeza de que o solo esteja bem equilibrado, com relação aos nutrientes.

Luciano Zanetti cultiva 120 alqueires e nesta safra de verão toda a área foi ocupada pela soja. No inverno o cooperado planta trigo e aveia e pretende a partir da próxima safra iniciar o esquema de rotação de culturas.

Lições de agricultura em Altamira do PR

O produtor Arlindo Peres agrega o cultivo de lavouras ao panorama da propriedade e comemora sucesso da nova atividade

Pecuarista de longa data, o produtor Arlindo Cezar Peres, da região de Altamira do Paraná (Centro-Oeste do Paraná), resolveu ampliar os negócios e partiu para o cultivo de lavouras. As primeiras áreas, totalizando 44 alqueires, foram plantadas neste verão e, para a alegria de Peres, os resultados não poderiam ser melhores. Orientado pelo Detec da Coamo ele lançou mão de um bom pacote tecnológico visando alcançar altas produtividades e se deu bem. Peres fechou a safra com uma média de 144 sacas de soja por alqueire.

Aprendizado com a Coamo – Para ele, foram vários os fatores que somaram positivamente, mas determinante mesmo foi a participação efetiva da Coamo, que mostrou o caminho certo para o sucesso. “Sou pecuarista desde 1990 e por ser meu primeiro ano na agricultura estou muito satisfeito. A Coamo está me fornecendo toda a assistência e isto tem sido um grande aprendizado. Até então eu entendia pouco de agricultura e estou aprendendo muito com a cooperativa. Com a Coamo ao meu lado estou muito seguro e sei que estarei sempre crescendo, porque se for bom para mim, vai ser para a cooperativa também”, agradece.

Decisão em família – O agrônomo Fábio Alves, do Detec da Coamo em Altamira do Paraná, lembra que a esposa de Peres, Helaine, e o filho Marcos Vinícius, são cooperados da Coamo, e foi por incentivo deles que Arlindo optou por diversificar e ajustar parte da propriedade a agricultura. Segundo o agrônomo, todos na família foram receptivos a nova atividade, o que ajudou na implantação das lavouras e contribuiu para o sucesso alcançado. “Fomos muito bem recebidos aqui na propriedade, o que permitiu trocar idéias vencedoras no sistema adotado para produzir bem. A Coamo sempre orienta os seus cooperados para que eles produzam com qualidade e o menor custo possível. E isto tem acontecido na região, graças à boa receptividade dos agricultores”, comenta Alves.

A satisfação do agricultor foi tanta que ele já planeja trabalhar, nos próximos dois anos, mais 66 alqueires de lavoura, totalizando 110 alqueires de plantio. Para o inverno, o produtor está cultivando toda área de lavoura com milho safrinha.

No total, Peres está trabalhando, no momento, com 359 alqueires de área, divididos em duas propriedades. Uma com 235 e outra com 190 alqueires, sendo que 66 destes estão arrendados. Além da agricultura que acaba de ser incorporada ao sistema de produção, cerca 1.500 bois gordos são produzidos anualmente pelo produtor.

Mudanças climáticas em discussão

O Departamento de Geografia da Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão (Fecilcam) promoveu, de 2 a 4 de abril, o Simpec – Simpósio Paranaense de Estudos Climáticos. Pesquisadores, professores, acadêmicos e agricultores debateram os principais problemas que respondem pelas alterações climáticas em escalas local, regional e global. Durante o evento, também foi realizado o primeiro Ciclo Paranaense de Debates sobre o Futuro das Estações Climatológicas (CDEC), em comemoração aos 50 anos da Estação Climatológica de Campo Mourão.

Zoneamento agrícola – O coordenador-geral de zoneamento agropecuário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Francisco José Mitidieri, participou do simpósio. Ele destacou a importância do zoneamento e seus impactos na agricultura para a área de crédito e seguro agrícola.

De acordo com ele, o zoneamento é um estudo que iniciou em 1996 com o trigo no Paraná e que depois foi ampliada para todas as regiões do país e para outras culturas. Neste ano, o Ministério está ampliando o trabalho com novas culturas como, por exemplo, os produtos utilizados para a fabricação da bioenergia. Já esta em vigor as portarias para o amendoim, girassol e mamona.

Mitidieri explicou que o zoneamento indica datas de plantio que minimizam as chances de ocorrências de eventos climáticos adversos atingirem as lavouras na fase mais crítica. “É uma ferra-menta a mais de gestão da atividade agrícola”, destacou.
  O coordenador ressaltou que os indicativos do zoneamento ser-vem de orientação para os agricultores visando minimizar os riscos e também de orientação no credito de custeio e enquadramento no seguro rural público ou privado.

Alterações para a safrinha – Ele observou que neste ano houve alterações no zoneamento agrícola para o milho safrinha em função do atraso no plantio da safra de verão que retardou a colheita da safra. Cada região foi estudada individualmente e houve prorrogação de dez ou 20 dias para alguns municípios.