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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 371 | Abril de 2008 | Campo Mourão - Paraná

Bovinocultura

Risco menor com controle sanitário

O cooperado Fumio Maeda, de Luiziana, lembra que os resultados, no corte, estão ligados à genética, alimentação e sanidade

O planejamento sanitário possibilita ao produtor de gado, seja ele de corte ou de leite, a redução dos riscos dentro da porteira, e proporciona um produção segura e de qualidade ao consumidor na outra ponta da cadeia produtiva. Quem afirma é o veterinário Hérico Alexandre Rossetto, do Detec da Coamo em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná). O bom estado geral os animais, na opinião de Rossetto, proporciona uma melhoria nos índices da propriedade, tanto na questão de fertilidade das vacas quanto no ganho do peso dos bovinos terminados.

Prevenção – O cooperado Fumio Maeda, de Luiziana (Centro-Oeste do Paraná), trabalha há 37 anos com a bovinocultura de corte. O projeto do produtor é para ciclo completo (cria, recria e engorda) e ele sabe bem da importância em manejar adequadamente os animais, dentro da propriedade, e de prevenir doenças no rebanho. Na questão sanidade, Maeda é exemplo em sua região. Ele mantém um controle rigoroso para prevenir as doenças, baseado em um calendário. O criador revela que depois que implementou o controle sanitário mais efetivo na propriedade, aliado a decisões como a migração para o sistema de cruzamento industrial, os índices do rebanho melhoraram. “Reduzi, por exemplo, o tempo de terminação de 4 para 3 anos, além de garantir a prenhez das vacas ao redor de 90% e diminuir o índice de mortalidade dos bezerros”, conta Maeda, lembrando que os resultados com a bovinocultura de corte estão ligados à genética, alimentação e sanidade.

Como o esquema de vacinações é levado a sério na propriedade, o cooperado comemora o fato de nunca ter registra, sequer, um problema de carbúnculo no rebanho, por exemplo. “Aftosa, então, sempre passa longe daqui”, afirma Maeda.

A linha materna dos animais que compõem o rebanho de Maeda é, basicamente, de nelores. Já os touros são da raça charolesa. “Com esta combinação de raças consigo ter, em um só animal, a precocidade do Charolês e a rusticidade do Nelore”, destaca.

Ações concentradas – Com a chegada da primeira etapa da campanha contra a Febre Aftosa, Maeda concentra o trabalho na vacinação do gado. No entanto, ele também aproveita o momento para desverminar o rebanho. “Sei da importância da prevenção, principalmente em relação à aftosa, já que a erradicação da doença dá maior segurança para nossa atividade, principalmente com relação à exportação da carne bovina brasileira”, entende.

Custo benefício – Para Rossetto, o custo de manter a boa sanidade do rebanho, com um controle efetivo e calendarizado, é pequeno, se comparado à dificuldade de controle e as despesas geradas por algum surto de doença que possa vir a acometer os animais na propriedade. Segundo o veterinário, não vale a pena arriscar, pois é muito barato manter a sanidade do rebanho dentro das condições ideais para uma boa produção. De acordo com o técnico, manter os animais sadios é o único caminho para se alcançar resultados positivos na pecuária moderna. “Não podemos encarar esse controle como um custo, mas sim como um investimento”, alerta Rossetto.

Campanha contra a aftosa de 1º a 20 de maio

Realizada duas vezes por ano (em maio e novembro) a campanha de vacinação contra a Febre Aftosa teve início dia 1º e segue até dia 20 de maio. Imunizar 100% do rebanho bovino é a meta da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento. Segundo a médica-veterinária do Núcleo Regional da SEAB em Campo Mourão, Elenice Amorim de Lima, a campanha deste ano esta sendo realizada de acordo com as anteriores.

Conforme Lima, o criador está bastante consciente da importância em imunizar o rebanho, mas ainda existem aqueles que insistem em não atender as normas e que acabam sendo punidos pela fiscalização. “Infelizmente ainda encontramos alguns criadores resistentes a campanha, mas é em número muito pequeno, o que não influi no nosso trabalho. Estes acabem sendo punidos e sofrendo as conseqüência da desobediência. No geral temos tido um enorme respaldo e a cada ano a vacinação é um sucesso em todo o Estado”, destaca a veterinária.

Atualização técnica

Com a participação do quadro de veterinários da Coamo e duração de dois dias, foi realizado no início do mês de março o 1º Encontro Técnico-Veterinário voltado à bovinocultura de corte e de leite. Diante da preocupação gerada em torno da condução da atividade agropecuária, a Coamo sempre sai na frente e mantém o seu quadro técnico atualizado.

O médico veterinário Eucimar Palhano, doutor em reprodução animal, da Schering-Plough, foi um dos palestrantes convidados para o treinamento. Ele falou sobre a fisiologia da reprodução e manipulação do ciclo estral em bovinos de corte e leite e inseminação artificial em tempo fixo para gado corte e leite. Palhano destacou a fisiologia do aparelho reprodutivo de fêmeas bovinas. E conforme ele, “pequenos ajustes hormonais são capazes de melhorar a fertilidade de vacas de leite e de corte, viabilizando partos anuais para a vacada”. Com isso, diz o veterinário, é possível incrementar a produtividade da atividade, pois, com os animais mais férteis, a produção será de acordo com as potencialidades desenvolvidas.

Nutrição – O zootecnista Re-nato Nogueira, da Nutron, especialista em bovinocultura de leite, falou sobre o gerenciamento nutricional para uma boa produção. Nogueira alertou para os cuidados no período seco (pré-parto), 1º, 2º e 3º terço de lactação, enfatizando o preparo das vacas leiteiras no período, quando o produtor deve tomar todo o cuidado no momento de fornecer a ração. De acordo com o zootecnista, é nesse período que se prepara a vaca para aproveitar ao máximo a ração que será consumida e convertida em produção de leite.

Gordura na medida certa – Nogueira abordou ainda o uso estratégico de gordura protegida no primeiro terço de lactação, para vacas com produção de leite acima de 25 litros por dia. Ele explicou que nesta fase as vacas de alta produção não conseguem consumir a quantidade necessária de energia somente através do consumo de ração, sendo necessário incrementar energia à ração, através da utilização de gordura protegida. Conforme o especialista, neste caso, é recomendável adicionar uma fonte de energia balanceada, que normalmente não é consumida pelos microorganismos do rúmen, favorecendo a produção de leite e produtividade dos animais.

Encontro em Pitanga

O 1º Encontro de Pecuária, realizado em Pitanga (Centro do Paraná), no dia 18 de fevereiro, aconteceu na propriedade do associado Pedro Roberto Gregio, na localidade de Arroio Grande. 155 cooperados acompanharam a de-monstração de pastagens adaptadas para a região.

Entre as novidades, o uso correto de inoculantes na silagem; apresentação de híbridos para silagem de planta inteira, de grão úmido e sorgo; apresentação de milheto e de gramíneas; o controle de plantas daninhas em pastagens; apresentação de pastos como: capim Sudão, Stilosantes, grama Porto Rico, grama Tifton 85 e Coast Cross.