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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 371 | Abril de 2008 | Campo Mourão - Paraná

Opinião

O custo de produção e as safras de verão e inverno

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, idealizador e diretor-presidente da Coamo Agroindustrial Cooperativa

A safra de verão 2007/08 está praticamente colhida e, de forma geral, foi uma safra normal, com bons resultados de produtividades, mas aquém das expectativas iniciais que projetavam uma safra cheia. As variações climáticas e as doenças do final de ciclo influenciaram na redução da produção nesta safra. Felizmente, a incidência da ferrugem da soja foi menor e melhor controlada em relação à safra anterior.

As produtividades na cultura do milho foram as melhores já colhidas na história da Coamo, deixando os cooperados bastante satisfeitos. Os bons volumes de produção, o clima regular e a comercialização firme e estável, motivaram o resultado positivo da cultura nesta safra de verão.

A soja, cultura das mais importantes, foi bem comercializada nesta safra pelos cooperados, que estão atentos as mudanças do mercado de commodities. Nesse contexto, cada caso é um caso, então, cada cooperado deve saber quais são os seus custos e efetivar a venda da sua produção de forma escalonada para conseguir boas médias no ano agrícola.

Os agricultores brasileiros estão acompanhando as influências que o setor agrícola está recebendo em razão da grave situação econômica que o mundo atravessa. Situação esta que foi desencadeada pelos EUA e está provocando tumultos nas bolsas de todo o mundo. O valor do dólar caiu bastante, mas a moeda brasileira foi valorizada. Exemplo disso foi o preço da soja que chegou a ser comercializada a R$ 48,50 e atingiu US$ 17,00 a saca.  Na média, os produtores venderam bem a sua produção, felizmente isso ocorreu, porque se a soja estivesse com preços ao redor de US$ 11,00 teríamos grandes dificuldades na comercialização.

Diante desta realidade, a grande dúvida é saber até quando este cenário continuará dessa maneira. Os problemas ocasionados pelos baixos estoques mundiais fizeram com que os preços aumentassem e em função disso, governos de vários países, como Argentina e Brasil, estão protegendo o seu mercado interno proibindo exportações de trigo e arroz, para salvaguardar alimentação à sua população.

Encerrada a safra de verão e após semear milho safrinha, os agricultores voltam-se para o plantio do trigo que tem o melhor preço de sua história, ao redor de R$ 42,00 a saca. O preço satisfatório e o estímulo do governo devem incrementar em 20% a área de trigo nesta safra. O panorama atual prevê volumes significativos na produção de milho safrinha e de trigo, e a torcida dos agricultores é para clima continue regular e preços nos patamares atuais, considerados excelentes.

Por outro lado, os custos de produção para a próxima safra de verão estão maiores que os praticados na safra passada. O aumento nos preços dos fertilizantes e nos insumos, de forma geral, estão causando apreensão nos agricultores em relação a perspectivas de lucro na próxima safra, tendo em vista a instabilidade do mercado e da comercialização das commodities.

Mas, sempre ao lado dos seus cooperados, a Coamo saiu na frente e lançou o Plano Safra Verão 2008/09 oferecendo condições especiais para o abastecimento dos insumos e garantindo o fornecimento dos produtos para retirada dos cooperados no momento certo. Esse é um importante benefício que os cooperados da Coamo valorizam; eles sabem do trabalho sério e incessante que a diretoria da Coamo faz, e tem a certeza do apoio e da assistência da cooperativa para que possam produzir cada vez mais com tecnologia e produtividade, e ao final da safra registrar lucro na sua atividade.

Ponto de Vista:

Embrapa Soja comemora 33 anos

Alexandre José Cattelan (*)

Em 26 de abril de 1973, o presidente Ernesto Geisel criou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), numa época em que o Brasil produzia menos de 50 milhões de toneladas de grãos. Hoje, produz mais de 140 milhões de toneladas. A soja foi o carro-chefe dessa saga brasileira. De uma quase curiosidade botânica, no Brasil dos anos 50, a leguminosa evoluiu, nos anos 70, para a principal lavoura brasileira.

Foi nesse contexto que, em 1974, a Embrapa decidiu criar um Centro Nacional de Pesquisa de Soja. Após analisar dados relativos à representatividade de algumas regiões, quanto ao cultivo da soja, à infra-estrutura de pesquisa existente e às facilidades logísticas oferecidas, em 16 de abril de 1975, definiu-se por Londrina como sede da Embrapa Soja. Isso porque além de oferecer facilidades logísticas e excelente infra-estrutura urbana, contou com o apoio do IAPAR, instituto estadual que iniciava os trabalhos em pesquisa agrícola, que cedeu parte das suas instalações até a construção da sua sede própria. Além disso, Londrina, localizada sobre o Trópico de Capricórnio - transição entre a região tropical e subtropical - ocupa uma posição estratégica para a realização de pesquisas de soja válidas para todo o território nacional.

Apesar da curta existência, a Embrapa Soja deixa importantes realizações para serem lembradas pela história. A Soja Tropical, principal responsável pela transformação do Cerrado no relevante centro produtor de grãos, fibras e carnes do Brasil, é o melhor exemplo de seu sucesso.

A Embrapa Soja chega aos 33 anos com a aspiração de continuar transformando o seu conhecimento em riqueza. O momento é de consolidação da presença da Embrapa internacionalmente e de fortalecimento de parcerias com o setor privado. Nesta perspectiva, o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) da empresa, prevê a ampliação em 500 milhões no orçamento da Embrapa, 1,6 mil novas contratações e uma forte tendência à internacionalização da Empresa.

O PAC deverá beneficiar todas as unidades da Embrapa e é por isso que assumimos a Chefia da Embrapa Soja, no dia 11 de março, com grande otimismo. A posição ocupada pelo Brasil na produção de soja muito se deve às parcerias da pesquisa com o setor privado brasileiro, como o sistema cooperativo – com destaque para a parceria com a Coamo -, indústrias e outras empresas ligadas ao agronegócio da soja e do girassol. As parcerias internacionais também sempre tiveram relevância nos planos diretores e na pauta de atuação da Embrapa Soja. Um exemplo bastante representativo é a cooperação entre a Embrapa Soja e o Japan International Research Center for Agricultural Sciences (JIRCAS), órgão de pesquisa vinculado ao governo japonês. Especialmente neste ano, quando se comemora o centenário da imigração japonesa no Brasil, manifestamos nosso orgulho por estarmos tão próximos da cultura e da competência dos japoneses e de seus descendentes. O aniversário da Embrapa Soja deste ano é marcado pelo otimismo e por homenagens à colônia japonesa. Almejamos, para os próximos anos, praticar muitos dos valores dessa gente, para nós exemplos de superação, humildade e disciplina. Que seja um ano de muita celebração a todos!

(*) Chefe-Geral da Embrapa Soja