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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 393 | Abril de 2010 | Campo Mourão - Paraná

Bovinocultura

Leite: Manejo no centro do negócio

Família Kunz, de Cândido de Abreu, muda de vida ao investir na bovinocultura leiteira. Em dois anos eles triplicaram a produção

Há cerca de dois anos, quando o associado Roberto Kunz resolveu apostar na pecuária leiteira, ele não imaginava que a atividade se tornaria, em tão pouco tempo, a principal fonte de renda da sua propriedade de dez alqueires, localizada na região conhecida como Linha Ivaí, em Cândido de Abreu, no Centro-Norte do Paraná. “Dá mais trabalho, mas também tenho um pouco mais de segurança. Co-meço economizando no frete, já que o caminhão do leite vem buscar o produto na minha propriedade”, diz Kunz, que no início produzia 50 litros de leite por dia e hoje já triplicou essa produção para 150 litros diários.

No momento o produtor trabalha com um plantel de 20 vacas das raças Holandesa e Jersey, sendo 12 em lactação, mas revela que o objetivo é aumentar a produção da propriedade nos próximos anos para 500 litros por dia. Para alcançar esta meta, Kunz já está preparando outras 14 novilhas, que em breve serão inseminadas. “Tenho buscado informação e procurado investir no meu negócio para otimizá-lo o máximo possível. Fiz do leite o carro-chefe do sítio, agora pretendo fazer disso um negócio lucrativo”, explica.

EFICIÊNCIA – A área de pastagem da propriedade é de 10 alqueires, sendo que 3,5 alqueires são divididos em dezenas de piquetes com diferentes espécies de forrageiras, como Tanzânia, Tifton, Gigs e Estrela Africana (grama roxa). Todos os piquetes são numerados e a entrada e saída dos animais é controlada de acordo com a altura da forrageira. Os animais ficam em média um dia no piquete, onde recebem também sal mineral, água limpa e de boa qualidade.

A utilização de herbicidas para controle das plantas invasoras na pastagem é outro diferencial, bem como a adubação nitrogenada realizada em toda área de pastejo. Além da pastagem ele ainda produz feno para utilização na alimentação dos bezerros e cana-de-a-çúcar para a suplementação de inverno.

NOVIDADE – O fato é que quando o assunto é eficiência, ele não pensa duas vezes para lançar mão de investimentos que garantam o aumento dos resultados e a sanidade dos animais. Tanto que a sua mais nova aquisição é uma área de sombrite, que já está instalada em ponto estratégico da área pastagem, para garantir o conforto e consequentemente maior produtividade das vacas.

BEZERROS – Nos primeiros 60 dias de vida os bezerros são mantidos em um bezerreiro elevado do solo, com o chão ripado e baias individuais, onde recebem todo tratamento necessário desde água, alimentação e medicação, até o composto energético, se necessário. Desta forma, além de garantir a sanidade dos animais ele ainda aproveita o acúmulo de esterco que cai na parte de baixo do elevado para adubar a pastagem. “É diferente, demanda mão-de-obra mas dá resultado”, garante.

BOA NUTRIÇÃO – Uma ferra-menta adotada na alimentação dos bezerros menos desenvolvidos é o colostro das vacas, que depois de retirado é congelado e fica armazenado, sendo utilizado depois como aditivo para melhorar o desenvolvimento individual da bezerrada.

SANIDADE EM DIA – Roberto Kunz não descuida também da parte sanitária e faz todas as vacinações necessárias, tanto, que possuiu uma mini-farmácia veterinária onde não deixa faltar nada que seja extremamente necessário para o dia-a-dia.

FAMÍLIA – Mas sem o apoio da esposa, Sirlene, e das três filhas, Eliziane, Elizéia e Elizete, de 14, 12 e 9 anos, Roberto Kunz confessa que não teria conseguido fazer metade do que já fez até agora. No sítio as atividades são divididas, e Kunz reconhece o trabalho desenvolvido por toda família, que unida, está vencendo barreiras e buscando um sonho possível de ser conquistado. As meninas ajudam no trato dos animais e não deixam faltar comida, água e o suplemento dos bezerros e das vacas. Já o manejo dos animais foca por conta de Roberto e Sirlene, que inclusive ajudou o cooperado a construir toda a cerca dos piquetes. “Se não fosse ela e as meninas não teria feito muita coisa. Deu muito trabalho tudo isso aqui, mas graças a Deus conseguimos levantar tudo”, agradece o pecuarista, quem vêm recebendo suporte da Coamo no seu projeto e elogios do Detec da cooperativa. “O produtor, de fato, está se transformando em um exemplo para essa região. Ele está sempre em busca de informação e procura se qualificar para não errar”, acrescenta o veterinário da Coamo César Augusto Pante Neto, que atende o cooperado.