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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 393 | Abril de 2010 | Campo Mourão - Paraná

Editorial

Safra cheia, preços baixos e falta de liquidez

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, idealizador e diretor-presidente da Coamo

A diretoria da Ocepar esteve em Brasília no dia 28 de abril em audiência com o novo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Wagner Rossi, que assumiu a pasta no final do mês de março em substituição ao paranaense Reinhold Stephanes. Como vice-presidente da Ocepar e presidente da Coamo estive participando do primeiro encontro das lideranças cooperativistas paranaenses com o ministro Rossi e, na oportunidade, apresentamos reivindicações em nome dos mais de 22 mil associados da Coamo. Entre os problemas apresentados ao novo ministro, que vêm afetando os produtores brasileiros estão a falta de liquidez provocada pelos baixos preços na comercialização da soja e do milho.

Se por um lado as safras de soja e milho tiveram produção significativa na fase inicial da colheita e no final as produtividades foram consideradas normais, por sua vez, os preços não acompanharam as boas médias de produtividades e estão deixando os agricultores insatisfeitos, em função de que a queda nos preços implica na falta de liquidez para a cobertura dos seus débitos.

Uma questão grave que apresentamos ao ministro está relacionada ao trigo, cujos produtores não estão conseguindo vender a produção colhida nas safras 2008 e 2009 em virtude da paralisação do mercado por falta de compradores. A reivindicação proposta ao governo é pela ativação da modalidade do Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) para que o cereal seja comercializado nos mercados interno e ex-terno. É preciso medidas urgentes para que os triticultores possam vender suas produção e quitar os débitos dos financiamentos de custeio dos anos de 2008 e 2009. Assim, com a efetivação do PEP, o governo poderá garantir o preço mínimo do trigo, que varia conforme a qualidade do produto e resolver o problema.

A situação da comercialização do milho também é preocupante considerando os grandes volumes e o excedente da produção brasileira que tem 11 milhões de toneladas necessitando ser ex-portadas. Porém, o cenário atual dos preços no mercado internacional inviabiliza a exportação do cereal já que eles estão abaixo do praticado no mercado interno, o qual não cobre os custos dos produtores brasileiros.

Para solucionar este grave problema na comercialização do milho e escoamento da produção, reivindicamos ao governo a prática do PEP, que em sendo efetivada amenizará a situação atual que é caótica, com os armazéns lotados e a necessidade de abertura de espaço para o recebimento em breve da nova safra de inverno com as safras de milho e trigo.

Sabidamente a agricultura é uma atividade de risco e cada ano é um ano diferente. Exemplo disso aconteceu na safra anterior onde foi registrada uma grande frustração da produção que foi compensada pelos bons preços das commodities. Uma situação bem diferente da que vem ocorrendo nesta safra, que no geral foi boa, mas está sendo prejudicada pelo baixos que não cobrem os custos e estão aquém das expectativas dos agricultores.

Diante deste cenário de falta de liquidez apresentamos também ao governo estudo para prorrogação de parte da dívidas e um alongamento maior no prazo concedido aos produtores. Não gosta-ríamos de reivindicar essas medidas ao novo Ministro após uma boa safra, mas elas se fazem necessárias em função da situação econômica e dos prejuízos que os produtores estão contabilizando.

O setor agrícola espera que as soluções apresentadas sejam operacionalizadas pelo governo que está sempre ao lado de quem produz e sabe da importância da agricultura para o crescimento e o desenvolvimento do nosso país.