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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 393 | Abril de 2010 | Campo Mourão - Paraná

Especial

Agropecuária no centro do debate nacional

Depois de três anos no comando do MAPA, Reinhold Stephanes deixa o cargo para disputar uma vaga na Câmara Federal

“Acredito que tenha conseguido colocar a agropecuária no centro dos debates do governo. Entendo que o setor, pela importância que tem, precisa participar mais do processo decisório do país”, avalia o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Reinhold Stephanes. Depois de três anos no comando da pasta, Stephanes deixa o cargo para disputar uma vaga na Câmara Federal. Ministro pela terceira vez, ele afirma ter sido esta última a que mais o satisfez. “Consegui me identificar com a agricultura brasileira e tive a confiança do setor”. Confiança conquistada, segundo Stephanes, com diálogo e posiciona-mento firme frente aos principais desafios da agropecuária. “Dessa forma adquirimos conhecimento e informação para construir em conjunto um plano de trabalho”, explica. Com respeito à opinião de dirigentes e lideranças cooperativistas, para os quais a capacidade de articulação e negociação foi uma das marcas da gestão de Stephanes, ele diz ser uma característica pessoal sempre ouvir os argumentos de todos os segmentos. “Hoje existe uma nova mentalidade no Mapa, ninguém mais decide de forma onipresente. Existe abertura para o diálogo e entendimento, os produtores são ouvidos e os argumentos são debatidos. O que acontecia antes era que em muitos momentos os ministros ou o próprio Ministério agiam de forma autossuficiente”, ressalta.

A quebra de paradigmas no Mapa aconteceu num período em que se discutem temas fundamentais para o futuro da agropecuária no país. No principal deles, a questão ambiental, Stephanes atuou em busca de articulação, o que fortaleceu a posição e os argumentos do setor para enfrentar inúmeros embates dentro e fora do governo. “Conseguimos mostrar que a decisão não pode ser unilateral, precisa ser construída em conjunto, com racionalidade e visão técnica e científica”, afirma. “A agricultura tem que defender seus pontos de vista, caso contrário vai pagar por aquilo que não deve ou por aquilo que o setor urbano, que é o grande poluidor, deveria pagar e não paga”, enfatiza.

As mudanças no Código Florestal Brasileiro geraram divergências públicas com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, da mesma forma que o Plano Nacional de Direitos Humanos recebeu fortes críticas de Stephanes. “No documento condenou-se a produção de soja, o uso da biotecnologia e da nanotecnologia na agricultura, e ainda se sinalizou de forma favorável à invasão de terras. Não há como concordar com esses posicionamentos absurdos”. Na contabilidade dos êxitos de sua gestão, Stephanes destaca os avanços no comércio internacional, as melhorias das condições de rastreabilidade e sanidade animal e vegetal, e o impulso dado ao crédito agrícola e aos mecanismos de seguro rural e política de preços. O trabalho para diminuir a dependência do país no mercado de fertilizantes também teve avanços, culminando no novo marco regulatório mineral que visa estimular a exploração de jazidas nacionais. Com a sensação de missão cumprida, Stephanes ressalta a necessidade de maior participação política da agropecuária brasileira. “O setor tem que ter sua agenda de propostas, para dialogar e reivindicá-la de forma constante junto ao governo”, conclui. (PR Cooperativo)

Homenagem das cooperativas do Paraná na AGO da Ocepar

O ex-ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, foi homenageado pelas cooperativas do Paraná no dia 09 de abril, em Curitiba, durante Assembleia Geral Ordinária do Sistema Ocepar. Ele estava acompanhado da esposa Cristina Stephanes e recebeu das mãos do presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, um diploma de pergaminho com a mensagem: “Os agradecimentos das cooperativas paranaenses pelo empenho nas conquistas alcançadas em prol do cooperativismo e do agronegócio brasileiro em sua competente gestão como ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil”. Essa é uma pequena e justa homenagem que estamos prestando em reconhecimento ao profissionalismo, postura ética e séria e pela vontade de fazer as coisas acontecerem demonstradas por Stephanes em seu trabalho no Ministério da Agricultura”, afirmou Koslovski.

HABILIDADE – Ainda de acordo com o presidente da Ocepar, Stephanes soube se posicionar, cobrando de forma enfática as soluções para os problemas do meio rural. “Ele fez um trabalho fantástico e teve muita habilidade em conduzir questões polêmicas, como a renegociação das dívidas rurais. Também foi responsável por trazer ministros de outras áreas para amparar políticas do nosso setor. Manteve uma posição firme nos embates envolvendo questões de sanidade animal, contribuindo para que conquistássemos mercados para a carne bovina”, frisou Koslovski. Ele destacou ainda a ampliação de recursos destinados ao setor agropecuário. “Nos três anos em que Stephanes esteve à frente da Agricultura, houve 79% de aumento na aplicação de verbas, que passaram de R$ 60 bilhões para R$ 107 bilhões na safra passada”, disse. O presidente da Ocepar também lembrou da importância de sua atuação em relação ao trigo, fertilizantes e meio ambiente. “Stephanes foi mais do que um ministro. Ele foi amigo das cooperativas. Em momento algum ele se negou a nos atender”, acrescentou Koslovski.

AGRADECIMENTO – Reinhold Stephanes deixou o cargo de ministro da Agricultura no final de março, em atendimento à legislação eleitoral, pois pretende concorrer ao próximo pleito, em outubro. Ele voltou a atuar como deputado federal na Câmara dos Deputados. Ao agradecer a homenagem, ele externou seu reconhecimento ao setor cooperativista. “Vocês todos são ótimos. Agradeço o apoio em todos os momentos pelos quais passei no Ministério da Agricultura e também o carinho e a integração com as cooperativas do Brasil e do Paraná”, disse. Ele lembrou que assumiu a pasta em Brasília preocupado em formar uma boa equipe de trabalho e em se integrar sobre o setor agropecuário. “Eu tinha que ser um defensor dos seus interesses e trabalhar junto com os organismos que o representam em torno de um interesse comum. Na medida em que o setor confia em nós, temos que dar as respostas que ele nos solicita”, acrescentou o ex-ministro. Stephanes ressaltou ainda a necessidade de maior mobilização das entidades ligadas ao agronegócio, pois, embora o segmento represente uma grande força que impulsiona o desenvolvimento econômico e social do País, ainda não é valorizado e nem reconhecido como deveria. “O setor tem que se envolver nos debates nacionais, ter sua pauta, uma agenda de reivindicações e perseguir seus objetivos, senão as coisas não acontecem, e continuará excluído do processo de decisão do país”, frisou. (Paraná Cooperativo)