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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 403 | Abril de 2011 | Campo Mourão - Paraná

Tecnologia de Aplicação de Defensivos Agrícolas

Pulverização qualitativa

Desafio de programa da Coamo é orientar para o uso adequado dos defensivos, preservando o ambiente produtivo e a saúde do aplicador

Lançado em 2003, o Programa Coamo de Tecnologia de Aplicação de Defensivos Agrícolas (TA) tem sido uma importante ferramenta de apoio para a consolidação de novos conceitos no uso racional dos agrotóxicos. Diante de um desafio constante de orientar a utilização adequada dos defensivos, preservando o ambiente produtivo e a saúde do produtor rural, a Gerência de Assistência Técnica da Coamo (Getec) desencadeou uma série de ações que buscam conscientizar o homem do campo para uma pulverização qualitativa, com foco na eficiência do trabalho.

Com apoio de empresas como a Du Pont, Bayer, Jacto, e Arysta, o programa foi formatado a partir do trabalho de orientação técnica que a Coamo preconiza junto ao quadro social desde a sua fundação. "A preocupação da cooperativa é com a melhoria contínua dos processos que envolvem as atividades diárias dos agricultores no campo. E não poderia ser diferente com a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas, dado a importância dessa atividade para a rentabilidade do produtor rural, a preservação ambiental e aos reflexos à sociedade como um todo", explica o gerente de Assistência Técnica da Coamo, Nei Leocádio Cesconetto.

PRODUTOS MAIS SAUDÁVEIS – Dos primeiros levantamentos realizados por meio do programa até agora já houve uma evolução diante das atitudes dos produtores rurais quando o assunto é pulverização agrícola. "Percebemos que há uma consciência maior para o uso racional dos agrotóxicos, evitando desperdícios de produtos e de dinheiro, sem contar as consequências de uma pulverização ineficiente para o meio ambiente e para a saúde do aplicador", aponta o agrônomo Gilberto Guarido, do Departamento de Assistência Técnica (Detec), da Coamo em Campo Mourão. "Há, também, a preocupação em obter produtos mais saudáveis a partir da melhor eficiência das aplicações", completa Guarido.

AÇÃO CONJUNTA – A preocupação com a eficiência na aplicação de defensivos no campo também tem sido pauta de muitas discussões nas esferas governamentais dos estados e do país, bem como as organizações de produtores e de trabalhadores rurais. Entre as ações já implementadas está a Norma Regulamentadora 31, de 2005, que tem por objetivo estabelecer os preceitos a serem observados na organização e no ambiente de trabalho, de forma a tornar compatível o planejamento e o desenvolvimento das atividades da agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aquicultura com a segurança e saúde e meio ambiente do trabalho. "Temos plena consciência que estamos apontando caminhos para resolver este tipo problema. E o que vem pela frente é o desafio da continuidade. Por isso, todo o Departamento Técnico da Coamo está empenhado em orientar os produtores rurais para atingir o alvo das pulverizações com a máxima eficiência e segurança", avalia o agrônomo Gilberto Guarido.

1,2 mil pulverizadores avaliados em toda a área de ação da Coamo

Dentro do programa, uma ação concentrada entre a Coamo e as empresas parceiras tem sido decisiva para quantificar a atual situação do campo e apontar soluções para a efetivação do trabalho de melhoria contínua nas aplicações de defensivos agrícola. Trata-se de um levantamento das condições operacionais dos pulverizadores. "Todo o sucesso do nosso programa está baseado na importância de cada agricultor verificar, periodicamente, as condições dos seus pulverizadores, identificando problemas comuns de vazamento, mangueiras e filtros danificados, bicos entupidos, manômetros desregulados, entre outros", afirma Gilberto Guarido.

E um novo diagnóstico acaba de ser concluído, na região de atuação da cooperativa. Os técnicos da Coamo e da Du Pont, por meio do programa Du Pont Acerta, diagnosticaram os principais itens que podem responder pela eficiência dos implementos e apontaram soluções. Os dados foram tabulados no final do ano passado e correspondem à inspeção de 1.202 pulverizadores.

OS PRINCIPAIS DADOS – Dos pulverizadores avaliados, metade tem entre quatro a nove anos de uso. O levantamento indicou que a grande maioria deles foi considerada em condições e utilização sem mudança ou com pequenos ajustes que não afetavam o desenvolvimento do trabalho. E na distribuição do produto sob a barra, 73% dos pulverizadores avaliados teve coeficiente de variação considerado adequado para a pulverização.

PERDAS POR FALHAS NA APLICAÇÃO – Um outro levantamento, apresentado aos cooperados da Coamo em 2007, indica que as perdas por falhas na aplicação podem chegar a 10%. "Mesmo com o trabalho realizado pela Coamo com o Programa TA, esse fato ainda chama a atenção. Cada caso é diferente e diante dos resultados a nossa orientação é para que o cooperado redobre sua atenção para verificar e buscar o uso correto e eficaz dos seus equipamentos e assim, obter melhores produtividades com redução de custos", considera Nei Cesconetto.

O gerente de Assistência Técnica da Coamo alerta que se o produtor estiver perdendo 10% dos defensivos aplicados nas lavouras de soja e trigo, em uma área de 10 alqueires, o prejuízo anual seria equivalente a 200 sacas de soja. "São números que impressionam e que nos chamam a refletir para a importância destas operações serem realizadas de forma adequada", argumenta Cesconetto.

Coamo e Senar: Da teoria à prática

Ao longo dos seus 40 anos, a Coamo tem orientado o quadro social por meio de reuniões técnicas, cursos e treinamentos, no sentido de ampliar o conhecimento de cooperados, seus filhos e empregados para uma exploração economicamente rentável e socialmente justa. Dentro desse foco, o Centro de Treinamento Agrícola da Coamo (CTA), com o apoio do Serviço de Aprendizagem Rural (Senar), é um dos instrumentos utilizados pela cooperativa para alcançar os seus objetivos nesse campo.

"O sucesso das aplicações depende de diversos fatores, como o diagnóstico do alvo, os produtos recomendados, além das condições do ambiente e do manuseio dos equipamentos de pulverização", considera Domingos Carlos Basso, instrutor de treinamento do CTA da Coamo. Os cursos, segundo Basso, são realizados conforme a NR 31 e os aplicadores recebem um certificado depois de participarem do treinamento teórico e prático.

Os treinamentos são voltados para as mais variadas áreas e têm como propósito repassar a teoria e a prática sobre a adequada utilização das máquinas e implementos agrícolas. É o caso do treinamento para a regulagem de pulverizadores, com base na NR 31, que habilita o aplicador a trabalhar com o equipamento. Nos últimos 10 anos, o CTA realizou, em parceria com o Senar, 330 cursos de regulagem de pulverizador, que reuniram mais de cinco mil pessoas em várias regiões da área de ação da cooperativa.