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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 403 | Abril de 2011 | Campo Mourão - Paraná

Opinião

Os 40 anos da Ocepar, o Código Florestal e os bons resultados da safra

*José Aroldo Gallassini

O cooperativismo do Paraná é um dos mais organizados, respeitados e eficientes do Brasil, e não por acaso, o sistema paranaense tem suas cooperativas em diversos segmentos entre as melhores do país. Ao completar quatro décadas de existência em abril, o Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), que atua na representação e na defesa dos interesses do nosso cooperativismo, colhe os frutos de um trabalho sério, organizado e profissional, iniciado há 40 anos. E com muitos motivos para comemorar, pois antes de tudo a Ocepar é uma organização que cumpre relevante papel social na defesa de milhares de pessoas que integram centenas de cooperativas.

Outro tema importante no momento vivido pela nossa agricultura diz respeito a expectativa dos agricultores pela aprovação neste mês de maio no Congresso Nacional do projeto do Novo Código Florestal, cujo relator é o deputado Aldo Revelo. O projeto objetiva dar equilíbrio e compatibilizar o meio ambiente com a produção agrícola do Brasil.

A manifestação realizada no dia 5 de abril em Brasília reunindo milhares de agricultores de várias regiões do país, na qual centenas de cooperados da Coamo estiveram presentes, sensibilizou as lideranças com bons resultados. Assim, torcemos para que esta importante ação motivada pela união e interesse dos agricultores em prol da manutenção e sobrevivência da sua atividade possa resultar na aprovação do novo Código Florestal e acabar de uma vez por todas com a insegurança jurídica que vivemos.

O que o produtor sabe fazer e faz bem feito é plantar com tecnologia e produzir com eficiência e altas produtividades com responsabilidade e amor ao meio ambiente, já que é da terra que ele colhe os frutos do seu trabalho e colabora na produção de alimentos e no incremento da balança comercial do país.

Os produtores estão semeando a safra de inverno após o sucesso constatado na safra de verão que, no geral, resultou em boas médias de produtividades com bons exemplos de associados colhendo média de 130 sacas por alqueire e muitos chegando a 160, 180 e até acima de 200 sacas. No milho verão os produtores colheram 400, 450, 500 e até 600 sacas por alqueire, consolidando o bom trabalho realizado com planejamento e assistência técnica.

Com relação as lavouras de inverno, os números apontam para uma previsão de aumento na área de milho safrinha de quase 30% em relação ao ano passado. Incremento este motivado pelo preço do cereal que na safra de verão ficou na faixa de R$ 24,00 , bem superior ao pago na safra passada na faixa de R$13,60. Outro cereal importante para a rotação de culturas e por outro lado preocupante é o trigo, que pelo preço deve ter sua área reduzida em relação ao plantio anterior. Mas, os triticultores acreditam e semearão suas lavouras esperando em safra de altas produtividades e qualidade no trigo.

Finalizando, convidamos aos cooperados e familiares para a exemplo dos anos anteriores participarem ativamente da Copa Coamo de Cooperados – Futebol Suíço que inicia-se neste mês de maio com a realização de três das suas setes etapas classificatórias, antes da grande final no dia 23 de julho em Campo Mourão. A Copa Coamo é um projeto de lazer, de esporte e integração bem aceito pela família cooperada e aguardada com grande expectativa a cada dois anos. Como definido no slogan a Copa Coamo é um jeito gostoso de viver o cooperativismo, e de celebrar a união e a alegria de milhares de pessoas reunidas em uma grande festa cooperativista.

(*) Engenheiro agrônomo, idealizador e diretor-presidente da Coamo Agroindustrial Cooperativa

CÓDIGO FLORESTAL:

A votação da nova legislação é urgente, diz Koslovski

O setor cooperativista defende a votação do relatório do deputado Aldo Rebelo, que altera o atual Código Florestal, antes do dia 11 de junho, quando expira o prazo do decreto presidencial nº 7.029/2009, que exige a averbação da reserva legal em todas as propriedades rurais do país. "A data limite já foi prorrogada por duas vezes, em julho e dezembro de 2009, causando uma incerteza muito grande nos agricultores. Se nada for feito, a partir do dia 12 de junho deste ano, os agricultores irão responder criminalmente caso não façam averbação. Por isso, é imprescindível que o Projeto de Lei n° 1876/99, que institui a reforma do Código Florestal, seja votado urgentemente", afirma o presidente do Sindicato e a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski.

MARCO REGULATÓRIO – "Precisamos de um marco regulatório moderno. Não podemos continuar com radicalismos que não levam a lugar nenhum. Queremos que sejam estabelecidas condições para que o agricultor trabalhe a terra com tranquilidade, conciliando a conservação ambiental à viabilidade econômica de suas atividades", acrescenta ele. Na semana passada, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, afirmou que a matéria deve ir à apreciação do plenário na entre os dias 03 e 04 de maio.

PERDA DE ÁREA – De acordo com Koslovski, as exigências do atual Código Florestal implicam em perda de área produtiva e de competitividade, inviabilizando as propriedades de muitos agricultores. "No Paraná, por exemplo, a área de agricultores familiares que possuem até quatro módulos rurais soma 7,9 milhões de hectares. A reserva legal atualmente exigida imobilizaria uma área de 1,6 milhão de hectares, o equivalente a toda a produção de milho de inverno cultivado no Estado", explica o presidente da Ocepar. "A terra é o nosso bem mais valioso. Dela, saem os produtos que garantem a disponibilidade de alimentos e geram riquezas ao campo e à cidade. Quem trabalha na terra tem uma enorme responsabilidade e merece todo respeito", diz.

PROPOSTA – No entendimento do setor cooperativista, as propostas contidas no relatório do deputado Aldo Rebelo buscam viabilizar racionalmente a aplicação do Código Florestal, sem provocar a inviabilização de milhares de pequenos agricultores. "O Projeto de Lei não atende a todos os pleitos dos agricultores, mas o texto buscou consenso em torno do amplo debate ocorrido junto à sociedade brasileira por meio das diversas audiências públicas realizadas em todo o País", ressaltou Koslovski.

MOBILIZAÇÃO – A Ocepar, juntamente com outras entidades representativas do setor produtivo, vem se mobilizando para agilizar a votação das mudanças no Código Florestal. Uma reunião foi realizada em Brasília, no mês de março, com a presença de 23 parlamentares que compõem a bancada paranaense no Congresso Nacional para sensibilizálos sobre a urgência de uma definição sobre a matéria. As cooperativas também participaram do evento organizado pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), também na capital federal, que reuniu cerca de 25 mil agricultores do Brasil, no início de abril, com esse mesmo objetivo.

Fonte: Paraná Cooperativo