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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 413 | Abril de 2012 | Campo Mourão - Paraná

Agricultura

Os dois lados da safra de verão

Estiagem que afetou as lavouras de verão causou situações diferentes na área de ação da Coamo

A estiagem que afetou as lavouras de verão causou situações diferentes na área de ação da Coamo. Algumas regiões foram mais atingidas, com perdas mais acentuadas como é o caso do Oeste do Paraná, por exemplo. Nessa região o plantio é realizado mais cedo, o que agravou a situação.

Everaldo Hannes Backes, de Vila Nova, região de Toledo, contabilizou perdas em torno de 70% com as lavouras de verão. Ele plantou 20 alqueires de soja e oito de milho. O cultivo foi realizado com alta tecnologia, mas isso não impediu que a produtividade com a soja ficasse em 30 sacas por alqueire. O que ameniza a situação, segundo Backes, é o fato da lavoura ter seguro. "Com certeza, o seguro ameniza os impactos negativos. Vamos agora aguardar para ver como ficará a segunda safra [safrinha de milho]. Temos boas perspectivas", observa

Cooperados da região Oeste do Paraná tem como cultura diversificar suas propriedades. Isso, de acordo com Backes, é um fator importante e ajuda os produtores no sentido de não dependerem apenas de uma atividade. "Temos na região pecuária de leite, suinocultura, avicultura, piscicultura, entre outros. Com isso, os produtores não dependem apenas dos grãos e em um ano de produção afetada ajuda e muito."

LIÇÃO – Backes reforça que a safra mostrou, mais uma vez, que o produtor não pode investir apenas em uma atividade. "A lição que tiramos é de que não se pode colocar os ovos apenas em uma cesta. Os mais antigos já falavam isso. É preciso ter outras alternativas de renda e dentro do processo de produção de grãos fazer rotação de culturas e ter bons projetos para a propriedade", finaliza.

Produção de "tirar o chapéu"

Na região de Cândido de Abreu, região Centro do Paraná, a falta de chuva pouco afetou a lavoura do cooperado Ezequiel Mussato. Ele está comemorando os bons resultados da safra de verão proporcionados principalmente pela utilização de tecnologia e um bom manejo das práticas agrícolas. A média de produtividade de soja foi de 150 sacas por alqueire. "É uma excelente média pelo ano que tivemos", frisa.

De acordo com o cooperado, os investimentos feitos na lavoura passaram por uma boa estruturação do solo e utilização correta de tratos culturais. "Sem a tecnologia não teríamos colhido mais de 110 sacas por alqueire", destaca o cooperado.

Mussato segue todas as recomendações feitas pela área técnica da Coamo. Para ele, sem a parceira com a cooperativa tudo ficaria mais difícil. O cooperado lembra ainda que antes as terras da região não eram valorizadas. Um panorama, que para sorte dos cooperados da região, mudou para melhor. "As terras eram fracas. O aumento da produtividade é graças aos investimentos realizados. Nos últimos dois anos saltamos de uma produtividade média de 110 a 120 sacas para mais de 150", observa.

O encarregado do Detec da Coamo em Cândido de Abreu, Paulo Nedes de Souza Peres, destaca que o manejo do solo para a safra de verão começa já no inverno e, segundo ele, o trigo é uma boa opção. "É preciso investir no trigo não só pensando no lado comercial, mas principalmente na cobertura do solo aproveitamento a adubação e a palhada. Os resultados com certeza aparecem no verão", finaliza.

Clima como aliado

O clima acabou sendo o grande parceiro do cooperado Teodoro Ricardo de Andrade, da região de Campina do Amoral, em Luiziana (Centro-Oeste do Paraná). Para ele não faltou umidade e o desenvolvimento das lavouras de milho e soja foram melhores que o esperado.

A safra pode ser considerada normal e até melhor que a anterior, segundo o produtor, que colheu uma média de 160 sacas de soja por alqueire. Com o milho o resultado foi ainda melhor. Foram 500 sacas por alqueire, num ano de recorde para Andrade, que caprichou na escolha da variedade, no plantio e não deixou de investir em tecnologia. "Graças a Deus aqui caiu algumas chuvas a mais e tivemos uma safra normal. Nossa região foi privilegiada e só temos a agradecer", comemora o produtor.

Teodoro Andrade cultivou neste verão 255 alqueires de soja e 22 de milho. No momento a safrinha de milho já foi implantada em 120 alqueires da área, outros 100 serão para o trigo e o restante coberto pela aveia, onde na próxima safra entra o milho verão.

O agrônomo Breno Rovani, do Detec da Coamo em Campo Mourão, credencia os resultados não apenas ao clima, mas também ao profissionalismo do produtor. "O sucesso do Ricardo não é por acaso, ele não anda na contra mão e faz a coisa certa. Claro que o clima foi generoso, mas ele realmente é um produtor que faz agricultura de verdade. Por isso colhe bons resultados", assegura