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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 413 | Abril de 2012 | Campo Mourão - Paraná

Editorial

Novos investimentos, comercialização e safras de verão e inverno

A Coamo realizou recentemente Assembleia Geral Extraordinária (AGE) com aprovação dos cooperados em investimentos da ordem de R$ 275 milhões para os próximos três anos com o objetivo de melhorar e modernizar a estrutura em dezenas de unidades no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. A cooperativa também realizará investimentos nas áreas de hidrogenação, moinho de trigo e laboratório industrial.

Dos novos investimentos, mais de R$ 193 milhões serão destinados a modernização e automatização dos entrepostos com o propósito de melhorar o atendimento as necessidades dos cooperados. Desta maneira, dentro da sua filosofia de trabalho a Coamo estará cada vez mais próxima do seu quadro social, reduzindo custos com fretes e propiciando uma maior facilidade no escoamento da sua produção.

Na assembleia foi aprovada a construção de oito novas unidades no Mato Grosso do Sul e no Paraná. No Estado sul-matrogrossense, a Coamo irá construir estrutura para beneficiar os produtores associados em Dourados, Maracaju e em Guaíba (distrito de Ponta Porã). As cinco unidades no Paraná serão instaladas em Santa Maria do Oeste, Goioxim, Mariluz, Rancho Alegre do Oeste e em Cruzmaltina.

A Coamo conta com instalações modernas para o recebimento da produção com agilidade e segurança, e esta é uma das diferenças em relação as outras empresas. Na prática, o cooperado colhe, entrega a sua produção e faz a fixação dos seus produtos na Coamo no momento que entender conveniente. Com isso, o que ocorre é que de um ano para o outro os armazéns da cooperativa ficam com volumes de soja, milho e trigo aguardando a comercialização dos cooperados.

Também na Assembleia Geral Extraordinária, os associados aprovaram autorização para incorporação da Coagel pela Coamo. Desta maneira, após as realizações de assembleias extraordinárias pelas duas cooperativas com aprovação unânime dos associados pela incorporação, o próximo ato será em breve em uma uma assembleia extraordinária conjunta dos associados das duas cooperativas para a consolidação dos atos da incorporação.

SAFRA DE INVERNO – O agricultor planta e espera boas produtividades, mas não tem nenhum poder sobre o clima. Na safra de verão foi grande a frustração com perdas significativas na soja e no milho em várias regiões, principalmente no Oeste do Paraná e no Sul do Mato Grosso do Sul.

O ano passado terminou marcado por estiagem e o novo ano começou com o mesmo problema, sendo registrados períodos sem chuva, o que preocupou os agricultores. A estiagem acabou atrasando o plantio do milho safrinha e prejudicou a germinação das sementes. Porém, depois veio a chuva e com ela a recuperação das lavouras. Contudo, o cenário prevê poucas chuvas e, se assim acontecer, poderá ocorrer perdas na segunda safra de milho. Com relação ao trigo, o cereal está desacreditado pelos cooperados devido aos conhecidos problemas de comercialização. Com isso, a previsão é que haja redução em torno de 20% no plantio.

COMERCIALIZAÇÃO - Os prejuízos com a safra de verão estão sendo amenizados com os preços das commodities que estão acima das expectativas dos produtores, se considerarmos fatores como a estiagem e a forte demanda por parte da China. O preço da saca da soja, por exemplo, ao redor de R$ 52,00 (Base Campo Mourão) é o mais alto praticado nos últimos oito anos, quando em 2004 chegou aos R$ 52,50. Com este cenário, cerca de 75% da produção de soja já foi comercializada, como também uma boa parte da produção da próxima safra de verão (2012/2013).

Temos recomendado que o cooperado venda a sua safra em diversas vezes para que desta maneira tenha uma boa média. Se o cooperado vender parte da sua próxima produção com preços acima de R$ 50,00 seguramente terá uma boa média de preços. Entendemos que o cooperado não precisa arriscar demais, mas um pouco da produção é sempre bom comercializar porque os preços podem mudar de uma hora para outra. Não podemos deixar de lembrar o que aconteceu em 2004, quando tivemos preços de soja acima dos R$ 52 a saca e muita gente não vendeu esperando que aumentasse mais e perdeu dinheiro, pois o preço da soja caiu para R$ 23,00.

A previsão para a soja é otimista até para a safra 2012/2013. O milho também está com preços altos e maior que em anos anteriores. Mas, se realmente confirmar a produção da safrinha prevista e se a safra americana for boa, poderá haver uma queda nos preços do cereal. Porém, isso depende que a produção brasileira de milho safrinha seja alta e também que os Estados Unidos colham uma grande safra de milho em setembro ou outubro. Com este cenário, temos que aguardar o comportamento dos preços no mercado interno e internacional.

ROTAÇÃO DE CULTURAS – Para o aumento da produtividade um dos fatores determinantes é a utilização de variedades de soja e híbridos de milho com alto potencial. Outro ponto fundamental é o cuidado com o solo, pois não podemos abandoná-lo e deixar de praticar ações de conservação haja vista que não adianta a implantação de variedades produtivas se a terra estiver sem os nutrientes necessários. Assim, é necessário providenciar a análise do solo para ver a acidez e a necessidade do uso do calcário, verificar a fertilidade do solo, com correção dos micros e macros elementos.

A rotação de culturas é tecnologia relevante que os cooperados necessitam manter a cada safra. Além de melhorar os nutrientes do solo, o sistema permite o combate as doenças. Se o plantio for sempre com uma mesma cultura numa mesma área, seja de soja ou de milho, as doenças vão se implantando e se espalhando e, com isso, ocorrerá perdas nas produtividades. A rotação de culturas quebra o ciclo das doenças e com uma lavoura mais saudável, gasta-se menos com o uso menor de defensivos. Por isso, a rotação de culturas é considerada uma das práticas mais importantes na agricultura para a melhoria do solo e, consequentemente, das plantas com menos doenças e para o aumento da produção agrícola brasileira.

José Aroldo Gallassini, diretor-presidente da Coamo