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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 413 | Abril de 2012 | Campo Mourão - Paraná

Rotação de Culturas

Integrando a produção

Além de garantir estabilidade ao processo produtivo, rotação de culturas colabora para a manutenção da fertilidade do solo

Em um safra de verão marcada por uma grande estiagem, que afetou a produtividade agrícola em várias regiões do Sul do Brasil, quem utilizou um bom pacote tecnológico conseguiu melhores resultados. Além de garantir estabilidade ao processo produtivo, os investimentos colaboraram para a manutenção da fertilidade do solo. É assim, que em anos de clima adverso os benefícios de um solo bem manejado e o uso de tecnologia de primeira podem ser sentidos.

Se deu bem quem não abriu mão de práticas comuns no campo, mas de extrema eficiência para o sucesso da atividade, como o plantio direto e a rotação de culturas. Tecnologias que quando bem utilizadas são essenciais e responsáveis diretas pela agregação de resultados positivos, tanto para estruturação do sistema produtivo como para a melhoria do rendimento das lavouras.

Grande aliado do produtor rural, o sistema de rotação de culturas é fundamental para obtenção de altas produtividades. A cada safra de verão cultivada pelo cooperado Antonio Cláudio Teodoro de Oliveira, de Campo Mourão, região Centro-Oeste do Paraná, pelo menos 30% da área é destinada ao milho, que entra na rotação com a soja.

Ele revela que neste ano a lavoura de soja plantada sobre a área de milho cultivada no ano passado se comportou melhor, apesar do menor índice de chuva. Teodoro ainda observa que a palhada do milho ajudou a conservar a umidade do solo, diminuindo o estresse hídrico. "A palhada de milho ajudou a conservar a umidade do solo e o desgaste das plantas foi menor quando comparado com uma área sem rotação de culturas", comenta.

De acordo com o cooperado, na média dos anos a rotação de cultura influenciou no aumento de produtividade. O sistema também ajuda a controlar as pragas e as plantas daninhas. "Sou fã de rotação de culturas e acredito que todos os agricultores deveriam implantar o sistema em suas propriedades. O plantio direto sem a rotação de culturas não existe. Plantar safrinha não quebra totalmente o ciclo das pragas. A adoção desse sistema aliado a um bom planejamento da propriedade são as principais ferramentas para se alcançar cada vez mais produtividade e lucratividade com a atividade agrícola", salienta Oliveira.

Ele conta que o sistema tem deixado o solo mais estruturado para receber as lavouras. "Acompanhar o solo fazendo análises é outra ferramenta importante. São fatores que contribuem para uma boa produtividade mesmo em período de estiagem. Graças a rotação de culturas, correção e fertilidade do solo e bom manejo da cultura a produtividade média alcançada foi muito boa", frisa.

Colhendo resultados

O cooperado Pedro Antonio de Oliveira Coelho, de Quarto Centenário, região Centro-Oeste do Paraná, não economizou na hora de planejar o plantio da safra de verão, e o resultado de todo o investimento foi visto na colheita. Mesmo sendo atingida pela estiagem, a lavoura teve um bom desenvolvimento. Diante de todo o cenário, a produtividade média alcançada foi de 103 sacas por alqueires, o que deixou o cooperado satisfeito.

O bom resultado, de acordo com o cooperado, é devido a todo o trabalho desenvolvido na propriedade. Entre as ações, Coelho destaca o plantio direto, conservação do solo e a rotação de culturas. "Observamos que são práticas que ajudam a manter a matéria orgânica do solo o que causa reserva não só de umidade, mas também de micronutrientes. Se não fossem essas tecnologias, o resultado seria bem pior."

Na visão do cooperado, a situação vivida nesse ano é a confirmação de que vale a pena investir no solo, no manejo adequado das lavouras e seguir todas as recomendações da assistência técnica da Coamo. "É em anos como esse que vemos a importância de se investir em tecnologia. É um trabalho em conjunto com a cooperativa que com todo o quadro de assistência técnica nos acompanhou desde o início do plantio até a colheita."

Rotação que melhora a produtividade

O cooperado José Nicolau Ludowick, de Abelardo Luz, região Oeste de Santa Catarina, entende que uma boa rotação de culturas é fator importante para alcançar altas produtividades. Além de implantar o sistema no verão – com a soja e o milho –, o cooperado realiza sempre a sucessão de culturas com o plantio das lavouras de inverno. "A rotação é a principal ferramenta, mas sem esquecermos de uma boa correção e cobertura de solo. Quanto mais matéria orgânica, mais bem feito é o plantio", comenta o cooperado que é um dos precursores do plantio direto na região.

Ele destaca que o sistema tem ajudado a melhorar as produtividades das lavouras. A produtividade média de milho colhida por ele fechou em 438 sacas por alqueires e a de soja em 96 sacas. "Nos dois casos, as produtividades fecharam acima do que vinha sendo esperado em função da estiagem", pondera. O resultado, segundo o cooperado, é a resposta de todo o investimento realizado no solo.

O cooperado salienta que não deve ser levado em conta somente as questões comerciais das lavouras, mas sim pensar a agricultura como um todo, para que a atividade continue sendo rentável. A área de plantio de Ludowick é de pouco mais de 41 alqueires, e para ele é suficiente para viver tranquilo e bem. "Os investimentos feitos em todo o sistema é visto a cada nova safra. Em anos que o clima não ajuda o investimento é o diferencial."

De acordo com o encarregado do Detec de Abelardo Luz, José Ciro Rodrigues, a palhada resultada pela rotação e sucessão de culturas dão condições para as plantas expressarem o seu máximo potencial em produtividade. "Quando se fala em rotação de culturas tem que se pensar no inverno e no verão. Nas duas situações o ideal é rotacionar com gramínea e leguminosa. Isso seria perfeito dentro do manejo de solo", destaca.

Boas práticas em Reserva

Paulo Artur Rickli, cooperado em Reserva, região Centro Norte do Paraná, diz que fazer a rotação de culturas e um bom manejo de solo não é mais do que fazer a lição de casa. O investimento da família Rickli começa com uma boa correção de solos, passa pelo tratamento de sementes e por todos os tratos culturais durante o desenvolvimento das lavouras.

Ele reforça que a rotação de culturas é fundamental para a estrutura de produção e que historicamente deixa entre 25 e 30% da área de verão para o milho. "Não olhamos se o preço está bom ou ruim. Independente do mercado, é importante manter a área de milho que faz parte do sistema", pondera.

Ele destaca que um bom planejamento da propriedade também é fundamental para o setor produtivo, e que quem não investe e busca novas tecnologias pode ficar para trás. "O produtor tem que fazer a parte dele dentro da propriedade. É preciso sempre se atualizar e buscar novas ferramentas para aumentar a produtividade", ressalta.

O encarregado do Detec da Coamo em Reserva, Marco Aurélio Guenca, lembra que quem segue todas as recomendações da assistência técnica da Coamo consegue melhores resultados. "É em momentos como esses, de estiagem, que um bom investimento e manejos corretos apresentam melhores resultados. Nosso trabalho é fazer com que os cooperados continuem investindo nas lavouras para que alcancem boas produtividades e melhores rendas", finaliza.

Ajudando no controle de pragas e doenças

O cooperado Artemio Roque da Silva, de Pinhão, região Centro-Sul do Paraná, sempre pesquisa e estuda a respeito da importância da rotação de culturas para o setor produtivo. De acordo com ele, todas as pesquisas mostram que o sistema é essencial e que houve um incremento de 15 sacas de soja quando cultivada em cima da palhada de milho. "Além do aumento de produtividade há outros benefícios como a diminuição da incidência de doenças e pragas", destaca. O mofo branco é uma das doenças que pode ter o ciclo quebrado com a rotação de culturas.

Segundo Silva, a chegada da Coamo em Pinhão ajudou a difundir o sistema e, consequentemente, melhorar os resultados de produtividade. "Temos que procurar sempre aumentar a produção usando a mesma área de plantio. É preciso buscar tecnologias novas e fazermos a nossa parte. Hoje, não existe mais espaço para erros." O cooperado colheu uma média de 425 sacas por alqueires de milho e 150 de soja.