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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 424 | Abril de 2013 | Campo Mourão - Paraná

Conservação de Solos

Sustentabilidade ao setor produtivo

Sistemas como rotação de culturas, integração lavoura pecuária e, principalmente, o plantio direto são boas práticas agrícolas

Manter o sistema produtivo e sustentável é o objetivo que vem sendo alcançado pelo cooperado da Coamo em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), Edemir Mottin. Ele desenvolve a atividade agrícola em duas propriedades, sendo uma em Iretama e outra em Nova Cantu, num total de 490 alqueires. A maioria da área, cerca de 300 alqueires, é destinada para a agricultura. O restante é dividido entre pastagem e reservas legais e mata ciliar.

As atividade são desenvolvidas de forma integrada. No verão, o cooperado planta soja e milho fazendo sempre rotação de culturas. “Pelo menos 25% da área é com milho. Não importante como está o mercado. É uma questão de adotar e seguir um sistema de produção”, comenta. Já no inverno, Mottin faz integração lavoura-pecuária, implantando na mesma área aveia, azevem e capim. “Trabalho já um certo tempo na região e sempre pensando em cobertura e adubação de sistema principalmente no inverno e já pensando no verão. A palhada e a integração lavoura pecuária proporciona uma melhoria uniforme do solo precisa, levando o sistema de produção ao sucesso”, analisa.

Outra prática indispensável pelo produtor é o plantio direto na palhada. “A base de tudo é a rotação de culturas que é incrementando com a integração lavoura pecuária, pensando em adubação de sistema principalmente no inverno. A intenção dessa cobertura é efetuar um plantio direto com eficiência”, destaca Mottin. De acordo com o cooperado, as práticas adotadas fizeram com que as áreas, mesmo sendo de topografias acidentadas, se tornaram bastante produtivas. “São terras boa e não muito difícil de operar elas. Com plantio direto e assistência técnica da Coamo estamos tendo sucesso.

Na visão dele, a preocupação com o solo deve ser constante para evitar que um dia ele possa acabar. “O solo jamais pode ficar desprotegido. É preciso pensar em plantio direto, cobertura com palhada. São práticas importantes para a nossa sobrevivência e para que a atividade agrícola se torne cada vez mais sustentável.”

Prova de que o cooperado está no caminho certo são os resultados obtidos por ele. Neste ano, por exemplo, ele colheu 150 sacas por alqueire. Média que vem se mantendo nas últimas safras. “Estamos conseguindo bons níveis de produção e o mais importante é que temos conseguido manter os bons resultados. Isso é graças ao sistema que adotamos. Se tivemos um solo descoberto, com muita remoção certamente não teríamos uma agricultura rentável. Outro fator do plantio direto é que diminuiu o trabalho e o custo. Contudo, o mais importante, certamente, é que temos um solo equilibrado.”

Integrando a produção

A adoção de práticas que possibilitam tornar mais sustentável a produção agrícola, minimizando os custos com insumos e otimizando o aproveitamento da área de plantio está cada vez mais fazendo parte da vida dos cooperados da Coamo. Sistemas como a rotação de culturas, integração lavoura pecuária e, principalmente, o plantio direto tem influenciado diretamente para incrementar a produtividade e a renda dos associados. São ações que ajudam e evitar problemas que degradam o solo e que beneficiam diretamente o sistema de produção.

O solo é o princípio de tudo. Com essa citação, o engenheiro agrônomo Alvimar Vergilio Castelli, do Detec da Coamo em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), explica porque é tão importante a adoção de práticas de cultivos que viabilizem a agricultura sustentável. De acordo com ele, a melhoria e conservação do solo deve ser constante. Dentro desse conceito é fundamental que se faça plantio direto e rotação de culturas. “São os dois principais pontos para a sustentabilidade do sistema. Quanto menos mexer, cortar e destruir a superfície do solo melhor. Quanto mais palhada e diversificação no sistema, melhor.”

Aliado a rotação de culturas e ao plantio direto, outras práticas devem ser inseridas no processo de conservação do solo. A diversificação de cultivos é uma delas. De acordo com o agrônomo, quanto mais ciclo de vida existir na área, maior será a capacitação das plantas de encontrarem energia e, consequentemente, a produtividade será maior e com sustentabilidade. “Produtividade e sustentabilidade devem caminhar juntas”, resume Castelli.

Diversificação e adubação de sistema

Cooperados devem evitar monoculturas, parcelando as áreas de cultivo

Adepto ao uso de alta tecnologia, o cooperado João Mignoso, de Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná) sempre trabalhou com plantio direto, rotação de culturas e adubação de sistema nos 215 alqueires que integram o processo produtivo da propriedade.

Independente do ano, Mignoso destina 25% da área de verão para o cultivo de milho. No inverno, a área também é diversificada com safrinha, trigo e aveia. Já se passaram 15 anos que o atual sistema de produção foi adotado na propriedade do cooperado, que trabalha ao lado do irmão Vicente Mignoso. “São práticas que foram evoluindo ao longo do tempo e os resultados obtidos compravam a eficiência”, frisa.

Ele explica que a cada quatro anos rotaciona toda a propriedade com milho e que tem conseguido com isso manter médias de produtividades. “Estamos conseguindo aumentar e manter a produção. Isso mostra que vale a pena adotar o sistema”, diz. Nesta última safra de verão, os irmãos Mignoso colheram 155 sacas de soja por alqueire. Na safra 2011/2012, mesmo com a falta de chuva, a produtividade fechou em 143 sacas. “Temos conseguido melhorar os resultados safra após safra. Isso é devido a estrutura do solo.”

Cada safra implantada pelos cooperados é integrada uma com a outra. No inverno, a safrinha, a aveia e o trigo ajudam a manter o solo estruturado. “Todo trabalho realizado na propriedade faz parte de um sistema de produção. Uma atividade liga com a outra. Para se conseguir bons resultados tem que haver uma sequencia. Não é de um ano para o outro que os resultados aparecem.” João observa que há 25 anos não mexe na estrutura do solo o que proporciona uma boa infiltração de água e ajuda a manter temperaturas amenas.

João observa que os tempos de plantio convencional estão apenas na memória. Ele recorda que naquele tempo passava noites inteiras gradiando o solo nos períodos que antecediam os plantios. “Quando dava uma chuva, a erosão era total. Não tem nem como voltar naquele tempo. Mesmo com todo trabalho, se produzia muito pouco. Hoje, temos menos maquinários e menos gente operando e se produz bem mais. Não tem nem comparação. E a tendência é melhorar mais. Temos de aumentar a produção porque o custo está subindo. Contudo, temos de produzir com sustentabilidade.”

De acordo com o engenheiro agrônomo do Detec da Coamo, em Campo Mourão, Alvimar Vergilio Castelli, o cooperado deve evitar monoculturas, parcelando as áreas de cultivo com os mais variados tipos de coberturas. “Isso deve acontecer em área de cobertura de inverno e também com a cultura de importância econômica, que é o caso da soja e do milho. Se possível também deve haver integração da lavoura com a pecuária”. Castelli, explica que esse sistema é importante, pois os bois possuem no estomago milhões de microorganismos que ajudam na decomposição de biomassas, abrindo orifícios no solo para penetrar água além de melhorar o fluxo de carbono e oxigênio.”

De acordo com Castelli, práticas como o plantio direto e a rotação de culturas são importantes porque evitam também o maior problema do solo: a erosão. E como a erosão acontece? O agrônomo explica que começa com o impacto da gota de chuva direta sobre o solo descoberto. “A chuva é responsável por 95% do processo erosivo. O impacto de uma gota gera energia suficiente para fragmentar as partículas do solo. Com a água escorrendo sobre a superfície do solo, entope os poros que servem para absorver água e oxigênio para as plantas. Para evitar que ocorra isso tem que ter no mínimo de sete a oito hectares de palha sobre o solo para amortecer a energia da chuva.”

Outro ponto importante é o solo se manter em uma temperatura amena. Solos descobertos perdem muita água e aquece mais comprometendo o sistema radicular das plantas. “Isso compromete todo o processo produtivo. Os dois melhores elementos que têm na natureza chamam-se sol e água. Quando não há um bom manejado deles, quando não é feita a cobertura, podem ser os dois piores, pois degradam o solo.”

O plantio direto é de primordial importância. Porém, outras práticas devem ser integradas ao sistema como a adoção de palhadas e cuidado com a parte biológica, química e física, principalmente. Conforme o agrônomo, o produtor que tem investido em manejo de solo e adubação de sistema tem alcançado melhores médias, mesmo em anos de adversidades climáticas. “Vemos que as produtividades nesse sistema se mantém. O cooperado que diversifica e rotaciona o plantio continua colhendo produtividades boas, e com lucratividade. O interessante do sistema é manter a lucratividade e as produtividades. Não é estourar um ano em produtividade e no outro colher bem menos. O que queremos é sustentabilidade na atividade agrícola e rentabilidade garantida. E o que nos ajuda a manter isso é um sistema bem conservado com uma física boa de solo, uma biologia boa uma proteção boa de que é o plantio direto. Nada mais do que palhas sobre o solo.”