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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 424 | Abril de 2013 | Campo Mourão - Paraná

Cooperativismo

Reconhecimento à dedicação de Guntolf van Kaick

Um dos responsáveis pela consolidação do cooperativismo no Paraná, van Kaick participou ativamente da reestruturação do setor em todo o País

Primeiro presidente do Sistema Ocepar, Guntolf van Kaick está se aposentando do cooperativismo após uma dedicação de 43 anos. Formado engenheiro agrônomo pela Universidade Federal do Paraná em 1959, van Kaick trabalhou inicialmente na estruturação do serviço de extensão em Chapecó (SC), onde implantou o escritório da Associação de Crédito e Assistência Rural de Santa Catarina (Acaresc). Estudou na Alemanha, e, no retorno ao Brasil, trabalhou no interior paulista na Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC), na época, uma das maiores do Estado de São Paulo no ramo agrícola. Segundo van Kaick, essa experiência possibilitou conhecer mais de perto o cooperativismo. “A Cotia funcionava como uma verdadeira universidade. Lá praticava-se a essência da doutrina cooperativista com os associados e eu me apaixonei”, lembra.

Do interior de São Paulo, van Kaick veio atuar em Curitiba, assumindo o departamento agrícola da Cotia. Nessa época, começou sua atuação como protagonista do cooperativismo no Estado. “Fui convidado a fazer parte de um conselho estadual constituído em meados de 1960 para organizar e modernizar a agricultura e o segmento cooperativista do País, o que viabilizaria alguns objetivos que o Governo Federal tinha na época”, conta. Participavam do conselho órgãos como a Secretaria da Agricultura e a Associação de Créditos de Assistência Rural do Paraná, hoje Emater, os bancos do Brasil e o Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, entre outros. “Todos pactuaram uma ação conjunta, na qual as cooperativas do Paraná se desenvolveriam sem concorrer entre si, estabelecendo, assim, uma colaboração mútua”, explica.

PROJETO – Chamado na época de Iguaçu – previa que essas instituições fossem constituídas dentro dos princípios e da filosofia cooperativista. “O órgão de extensão do Paraná dava treinamento aos futuros associados, que eram educados para ter um entendimento correto sobre como funcionava a cooperativa, tanto no que diz respeito ao posicionamento do associado quanto à organização e o contrário”, conta. Para van Kaick, filho de imigrantes alemães, paranaense da região de Serra Negra, localizada em Guaraqueçaba, onde nasceu em 17 de junho de 1935 - onde atualmente cultiva 100 hectares de banana - esses fatores contribuíram para o surgimento da Ocepar em 1971.

PRESIDENTE POR ACASO - “Olhando para trás lembro que fui presidente da Ocepar aos 35 anos por um acaso, não fazia parte do meu projeto, eu apenas fazia parte de um grupo de trabalho como representante da Cotia que visava a constituição de uma entidade de representação”, conta. Ele afirma que a Ocepar foi criada em 1971 antes da promulgação da Lei Cooperativista, mas dentro da visão da lei com amparo nos princípios e regras da lei que seria promulgada anos mais tarde.

GESTÕES - Guntolf van Kaick esteve à frente da entidade por três gestões (1973/1975; 1981/1983 e 1984/1986). Com quase 78 anos, ele continuará trabalhando à frente de uma propriedade dos seus pais em Guaraqueçaba e disposto a não parar, mas ainda a compartilhar sua experiência e conhecimento com novas gerações do cooperativismo. “Precisamos levar adiante a divulgação de nossos princípios e de nossa cultura”, afirmou.

PESQUISA – Foi sob o comando de Guntolf van Kaick que surgiu uma iniciativa pioneira no Paraná associada à filosofia da cooperação. “Fizemos nascer, dentro do sistema, a primeira instituição de pesquisa privada do cooperativismo no Paraná, a “Ocepar Pesquisa”, hoje Coodetec - Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola”, lembra o ex-presidente da Ocepar. Ele diz que a pesquisa cooperativa surgiu para desenvolver tecnologias para a auto-suficiência do trigo, tendo em vista os altos preços do produto no mercado internacional. Mais tarde, em 1995, o projeto Ocepar Pesquisa se transformou numa cooperativa central de pesquisa agrícola.

LEGADO - “Deixo o sistema cooperativista com muita satisfação e alegria, sinto-me realizado, nunca esperei uma retribuição pelo trabalho realizado. Tudo o que fiz foi por acreditar no sistema e nos benefícios que ele proporciona aos seus membros, sempre tive em mente que tinha que fazer sempre o melhor de mim. Foi com o apoio de todos que sinto grande orgulho de ter contribuído para ver a Ocepar como uma das mais importantes entidades do cooperativismo brasileiro. Sou um cidadão muito feliz, um cooperativista realizado”, considera van Kaick, condecorado há dois anos com a Ordem Estadual do Pinheiro, a mais alta comenda do Estado. Com informações da Assessoria de Imprensa da Ocepar.

“Deixo o sistema cooperativista com muita satisfação e alegria, sinto-me realizado, nunca esperei uma retribuição pelo trabalho realizado. Tudo o que fiz foi por acreditar no sistema e nos benefícios que ele proporciona aos seus membros.”