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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 424 | Abril de 2013 | Campo Mourão - Paraná

Pecuária

Retorno garantido com o leite

Uso de tecnologias está fazendo com que a pecuária se torne economicamente importante para a renda da família de Fabiano Marcondes

Na comunidade Rio do Padre, nas proximidades do Rio Ivaí, em Manoel Ribas (Centro-Norte do Paraná), está localizada a Fazenda Barra Preta. Em uma área de 90 alqueires, a agricultura é a principal fonte de renda, ocupando 33 alqueires. À frente das atividades, há pouco mais de dez anos, está o cooperado Fabiano Silveira Marcondes. Com investimentos e uso de tecnologias ele está fazendo com que outra atividade também se torne economicamente importante para a renda da família. Nos últimos sete anos, a pecuária, principalmente a produção de leite, como diz o cooperado “deixou de ser só um passa tempo e já está fazendo diferença no orçamento.”

O trabalho na agropecuária vem de família, sendo que o pai dele Nereu Marcondes é cooperado da Coamo em Palmital (Centro do Paraná). “É uma atividade que começou com o meu avô e depois passou para o pai. Segui o mesmo caminho, só que buscando inovar e implantando na propriedade tecnologias e manejos que pudessem incrementar a produção”, diz.

Na propriedade são criados em torno de 180 animais. A quantidade em lactação gira em torno de 50 vacas. Parte do rebanho é aproveitado para engorda e recebem tratamento com aveia e azevem, silagem e ração. “O plantel ainda está em formação com muito animal e pouca vaca em lactação. Estamos investindo em genética na própria propriedade e precisamos ter bastante novilha para repor as vacas de baixa produtividade.”

A produção gira em torno de 600 litros por dia, com uma média de 12 litros por animal. Dependendo da estação do ano, esse resultado chega a 14 ou 15 litros. “Vale ressaltar que parte das vacas ainda são mestiças e não recebem nem ração. Só tem alimentação diferenciada as novilhas com inseminação e que produzem acima de 15 litros. Os animais filhos de inseminação têm uma média de 17 litros, comem pasto no verão e mais cinco ou seis quilos de ração concentrada.

De acordo com o cooperado, em 2006 a produção girava em torno de 100 litros por dia. “A evolução foi rápida. É claro que há sete anos o custo era menor só que a área era a mesma. Aumentamos o investimento, mas também aumentou em proporções ainda maiores a produção. É uma evolução constante e ainda há capacidade de no mínimo dobrar a produção.”

PLANEJAMENTO – Uma das principais ferramentas adotadas pelo cooperado e que ajudou na evolução foi o uso de papel e caneta. “O principal ponto é a gestão da propriedade. Tem muita coisa a ser feita ainda e investimento a ser pago, mas tudo foi é realizado com os pés no chão e sempre sabendo onde queremos chegar”, pondera Marcondes.

AGRICULTURA – Na parte destinada à agricultura, Marcondes cultiva soja no verão e aposta na diversificação e adubação de sistema no inverno plantando aveia, azevem e milho safrinha, que também serve para silagem.

O médico veterinário do Detec da Coamo em Manoel Ribas, César Augusto Pante Neto, ressalta a importância de se investir na atividade e utilizar sistemas que incrementem a produção. “As práticas adotadas pelo cooperado [Fabiano Marcondes] chamam a atenção. São ações que começam pelo controle de custos e que viabilizam os investimentos. Com isso se consegue medir os resultados, comparar as produtividades e a renda.”

Conforme o veterinário, o sistema adotado pelo cooperado está fazendo com que a cada ano aumente o plantel. “São investimentos no manejo e na alimentação dos animais e também na ordenha de leite. Há uma preocupação grande na sanidade e na genética dos animais. Prova disso é que os cooperado também está investindo na Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) o que tem melhorado o plantel”, observa César.

Castração imunológica auxilia manejo

Injetável e com mecanismo de ação similar às vacinas convencionais, a castração proporciona a suspensão temporária da fertilidade

Pecuarista há cerca de 20 anos, Carlos Augusto Aguiar, cooperado da Coamo em Manoel Ribas (Centro-Norte do Paraná) acompanhou e implantou várias evoluções no manejo dos animais. A mais recente delas é a castração imunológica de bovinos. Injetável e com mecanismo de ação similar às vacinas convencionais, a castração proporciona a suspensão temporária da fertilidade de machos e fêmeas. O produto permite, portanto, que os pecuaristas obtenham os mesmos benefícios dos métodos tradicionais de castração, sem os prejuízos acarretados por estas práticas.

O cooperado conta que deixou de fazer a castração por meio de intervenção cirúrgica há cerca de um ano e de lá para cá foram só benefícios. “É uma técnica que facilita demais o manejo. Não temos mais que derrubar o animal para castrar com canivete. É um sistema que causa risco de o animal se machucar, dele contrair bicheira e também de o funcionário se machucar.” Outro benefício destacado pelo cooperado é que o animal não perde peso após a castração. “Com o método tradicional o animal perdia em média 15 quilos. Já com a castração imunológica ele não perde nada e não sofre nenhum stress. O animal tem também um acabamento melhor, pois engorda por inteiro e o rendimento da carcaça é muito maior”, diz.

Em relação ao custo, o cooperado faz uma conta rápida que comprova que vale a pena fazer a castração imunológica. “Cada dose da vacina custa R$ 8,50 e como são duas doses [a segunda aplicada 30 dias a primeira], gasta-se R$ 17 por animal. Com o método antigo, o animal perde uma arroba que são R$ 100. Em termos de rentabilidade não dá nem para comparar. O custo benefício de um sistema para o outro é muito grande”, pondera Aguiar.

O médico veterinário do Detec da Coamo em Manoel Ribas, César Augusto Pante Neto, explica que não existe nenhum efeito colateral para o uso da vacina. “É um produto considerado de descarte zero, então o animal pode ser abatido sem problema nenhum”, frisa. Ele cita que a tecnologia é recente e que deverá se perpetuar por muito tempo. “O pecuarista deve pensar como um investimento e não como custo. O resultado obtido é a curto, médio e longo prazo. O animal tem um bom resultado e ganho de peso refletindo em um bom acabamento de carcaça”, comenta César.