Opinião

Editorial:
Safra, crédito rural e Copa Coamo

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, presidente da Coamo

Dr. Aroldo Gallassini
Estamos concluindo com muito sucesso mais uma safra de verão na Coamo, restando somente colheitas nas regiões Sul e Centro-Sul na nossa área de ação. Com grande satisfação estamos observando expressiva participação dos nossos cooperados na entrega da produção e também o aumento nas produtividades das lavouras, com registro de médias significativas em todas as nossas regiões. Resultado que consolida o importante trabalho difundido pela Coamo ao longo dos seus 32 anos de existência, com assistência de qualidade ao quadro social visando à conservação, correção da
acidez e da fertilidade do solo, juntamente com outras técnicas imprescindíveis para a elevação das produtividades como rotação de culturas, adubação verde e plantio direto.

O plantio direto é destaque nesta edição do Jornal Coamo que relembra o início da adoção desta importante tecnologia na região de Campo Mourão, em 1974. A região foi uma das pioneiras no Paraná e no Brasil a introduzir a prática deste sistema, que alavanca produtividades e protege o meio ambiente produtivo rural. Resultado de um trabalho de visão aliado a forte preocupação e consciência dos agricultores em conservar o seu principal patrimônio, que é o solo. Quase 30 anos da introdução do plantio direto na região, com satisfação vemos esta técnica imprescindível presente em praticamente 100% da área dos cooperados da Coamo.

Assim, com satisfação estamos observando o crescimento dos nossos cooperados, atuando como empreendedores e obtendo sucesso nas suas atividades, recebendo uma assistência profissionalizada que resulta em bons níveis de tecnologia, produtividade e renda a cada safra. Acreditamos que o caminho é este mesmo, precisamos vencer os desafios e ser cada vez melhores na nossa atividade, aprender com as experiências bem-sucedidas e ampliando o uso da tecnologia buscando sempre o progresso contínuo e o lucro na atividade. 
A comercialização da safra vem apresentando um cenário onde cada ano é diferente do outro. Com a alta do dólar os preços sobem e com a queda das bolsas, os eles caem. Neste ano, a moeda americana já atingiu índices de R$ 4,00 e agora está girando em torno de R$ 3,00; a saca da soja chegou a ser comercializada nesta safra a R$ 45,00 e atualmente está na faixa de R$ 34,00 a saca. Mesmo assim, podemos considerar que os preços estão satisfatórios, com tendência de alta no segundo semestre, fato este que vem sendo registrado ao longo dos últimos 15 anos. Assim, confiantes que teremos novamente mais um ano de sucesso na agricultura, esperamos bons preços no segundo semestre.

As lavouras de inverno serão implantadas brevemente com as culturas do trigo e aveia, esperamos sucesso em mais esta safra com bom clima, chuvas normais e que o inverno não seja rigoroso. O milho safrinha vem apresentando bom desempenho e pelas previsões tudo indica que teremos uma boa safra. 

Já estamos nos preparando para a safra de verão 2003/2004 com a aquisição dos insumos, sendo este mais um importante benefício para os cooperados da Coamo. Neste ano poderemos ter escassez no crédito rural, já que o governo adotou a política de aumento dos depósitos compulsórios para depósitos a vista dos bancos que por sua vez recolhem 60% do montante para o Banco Central. Com isso, devido ao aumento nas taxas de juros os depósitos à vista se transformam em depósitos a prazo e sofrem redução nos seus volumes. Como os bancos aplicam somente 25% do valor no crédito rural estamos prevendo falta de recursos para a safra agrícola, mas esperamos que o governo mantenha a taxa de juros de 8,75% ao ano e adote medidas visando recursos para o crédito rural. Se isto não ocorrer, poderemos ter problemas já que fornecemos insumos com antecedência para pagamento a prazo de safra. Um outro aspecto importante neste momento é que cada produtor tenha consciência da necessidade da contratação do seguro proteção das suas lavouras, seja pelo Proagro ou por outro seguro da iniciativa privada, pois em ocorrência alguma intempérie, nossa safra estará protegida.

Com esta edição do Jornal Coamo estamos lançando a edição 2003 da Copa Coamo de Cooperados - futebol suíço que terá a realização das suas primeiras regionais no dia 28 de junho pelas regiões Sul e Centro-Sul. A expectativa é das melhores e o sucesso do evento deve se repetir congregando milhares de cooperados, familiares e comunidades em torno deste importante projeto de lazer e integração. A Copa Coamo é um jeito gostoso de viver o cooperativismo, uma grande festa da família cooperativista da Coamo.

A Coamo já está preparada para a implantação das lavouras de inverno com o fornecimento dos insumos para o atendimento da demanda dos seus cooperados. Prevemos bons volumes no plantio de milho safrinha e no trigo a previsão é de que haja incremento de área em relação ao ano passado. Os financiamentos para o milho safrinha já estão disponíveis e brevemente serão liberados recursos para a cultura do trigo. Infelizmente não obtivemos sucesso com relação à reivindicação para criação de seguro agrícola para o milho safrinha, que ficará descoberto nesta safra. No trigo, os produtores terão a cobertura do Proagro. 

No dia 21 de março realizamos a Assembléia Geral Ordinária da Credicoamo com a participação de centenas de cooperados. Apesar das adversidades que o ano de 2002 apresentou, o dinamismo, a criatividade e a agilidade na gestão dos negócios da cooperativa, aliados à otimização das oportunidades de negócios, fizeram com que fechássemos o ano com um excelente resultado, nos credenciando para enfrentarmos o ano de 2003, com maior solidez e confiança, na busca de melhores resultados à cooperativa e aos associados.

A Credicoamo registrou no exercício de 2002 uma receita total de R$ 23,60 milhões, representando um crescimento de 56,1% em relação ao ano de 2001. A sobra apurada foi de R$ 7,10 milhões, perfazendo um acréscimo de 40,8% em relação ao ano anterior.O ativo total atingiu o valor de R$196,14 milhões, representando um crescimento de 58,3% em relação ao ano de 2001. O patrimônio líquido, no valor de R$29,50 milhões, apresentou um crescimento de 32,3%, em relação ao ano de 2001.

Indiscutivelmente o grau de solidez da Credicoamo vem concretizando-se a cada ano e a consciente política administrativa de capitalizar a cooperativa, desde a sua fundação, a fim de proporcionar o crescimento sustentado de suas atividades, tem propiciado condições favoráveis para o atendimento integral das necessidades dos associados.

 

 

Ponto de vista:
A Ocepar comemora 32 anos

A constituição da Ocepar, em 02 de abril de 1971, foi resultado da reorganização do sistema cooperativista no Paraná no final dos anos 60. As cooperativas existentes até então, haviam surgido como forma de organização da produção nas últimas fronteiras agrícolas do Paraná, especialmente no sudoeste, no oeste e no norte. Como muitas cooperativas atuavam em áreas sobrepostas, o que lhes tirava a competitividade, percebeu-se a necessidade de reorganizar o sistema, evitando que esta forma de atuar, as inviabilizasse. A constituição da Ocepar foi conseqüência dessa reorganização. As autoridades que atuavam na promoção do Cooperativismo e as cooperativas existentes perceberam a necessidade do sistema estar integrado em torno de uma organização central que defendesse seus interesses e promovesse o seu desenvolvimento.

Hoje, 32 anos após sua constituição, a Ocepar colhe os frutos das inúmeras ações que executou na defesa e o desenvolvimento das cooperativas filiadas, que é a sua missão central. Incontáveis foram as ações lideradas pela Ocepar para que o sistema cooperativista se consolidasse e se desenvolvesse segundo as aspirações de seus integrantes. Ainda nos anos 70, a Ocepar concluiu, em parceria com outras instituições, o Sulcoop, um projeto de integração das cooperativas da região Centro-Sul do Estado, que complementavam o Projeto Iguaçu de Cooperativismo (PIC) e o Norcoop, dando por encerrada a fase de reorganização. 

Buscando o desenvolvimento do sistema cooperativista, implantou o programa de pesquisa nos anos 70, reorganizou o setor e liderou ações visando instalar a infra-estrutura de armazenagem das cooperativas e as primeiras indústrias processadoras de grãos, base para o atual e moderno parque agroindustrial. 

Durante os diversos planos econômicos, a Ocepar se posicionou na defesa dos interesses do sistema, apresentando propostas em busca de solução. Entre as dezenas de conquistas alcançadas pela Ocepar, merecem destaque a Securitização, Pesa, Recoop, que permitiram renegociar as pendências financeiras dos cooperados e das cooperativas, fazendo com que o sistema superasse essa difícil fase da economia brasileira. Além da implantação da autogestão cooperativista, o fortalecimento do cooperativismo de crédito e uma modernização da Lei 5.764/71 (Lei Cooperativista), através de um projeto apresentado pelo senador Osmar Dias e que tramita no Congresso Nacional.

Foram avanços importantes e permitiram que as cooperativas realizassem investimentos na agroindústria, modernizassem sua gestão e melhorassem a qualidade de seus produtos, o que permitiu que ganhassem novos mercados. A formação profissional, executada com apoio do Sescoop, o sistema "S" das cooperativas implantado também por insistência da Ocepar, vem complementar toda esta modernização.

Ao realizar uma avaliação dos seus 32 anos de atuação em favor de todos os ramos do Cooperativismo, podemos afirmar que a Ocepar vem cumprindo sua missão, que é aglutinar as lideranças na defesa de interesses maiores do sistema. As dezenas de conquistas não teriam ocorrido se os dirigentes das cooperativas filiadas não dessem o respaldo necessário a Ocepar. 

Hoje, se a Ocepar é uma organização respeitada entre autoridades estaduais e federais, isso se deve à coerência de sua postura ao longo de mais de três décadas, cujo objetivo final é a defesa dos interesses dos 224 mil cooperados das 195 cooperativas filiadas, atingindo assim, indiretamente, mais de 1 milhão de paranaenses.

João Paulo Koslovski, engenheiro agrônomo e Presidente do Sistema Ocepar