Agricultura
Vale do Ivaí:
Produtividade evolui 30% com plantio direto

Números foram divulgados durante encontro de produtores e refletem a média geral da região de 94 a 2002

Encontro reuniu cooperados de todo o Vale do Ivaí
Terra roxa e argilosa. Características que fazem do solo da região do Vale do Ivaí um dos mais férteis do país. Com potencial para altas produtividades, a exploração estava estagnada no início da década de 80, em função, principalmente, das constantes erosões e assoreamento dos rios. "Foi quando a região se despertou para as práticas de conservação 
do solo e utilização do plantio direto", lembrou o engenheiro agrônomo Ricardo Accioly Calderari, diretor secretário da Coamo, durante a abertura do 6º Encontro de Plantio Direto e Rotação de Culturas do Vale do Ivaí, realizado no dia 01 de agosto em Engenheiro Beltrão. O evento reuniu 170 agricultores e debateu os avanços e os novos desafios do sistema, que foi considerado responsável pela evolução da produtividade média das lavouras nos últimos 10 anos.

Depois de um início difícil, com trabalho técnico de conscientização dos agricultores, os resultados começaram a aparecer. "Conforme o tempo foi passando, o solo acabou ganhando o equilíbrio necessário para assegurar uma boa produtividade, sem comprometer sua estrutura", revelou Brasil dos Reis, engenheiro agrônomo responsável pelo Departamento Técnico da Coamo, em Engenheiro Beltrão, e um dos coordenadores do encontro. Ele citou os desafios enfrentados pelos pioneiros no plantio direto na região e apresentou um histórico da produtividade, acompanhada anualmente. "Chegamos a crescer 30% na média do município, no caso da soja, desde a intensificação do plantio direto e esquema de rotação de culturas", comemorou.

Em 1994, quando foi iniciado o levantamento, a produtividade média do município era de 104 sacas de soja por alqueire. Cerca de 41% dos agricultores produziam abaixo de 100 sacas por alqueire e menos de 1% colhia acima de 150 sacas por alqueire. "Hoje a média municipal está em 137 sacas por alqueire", revelou Reis. Ainda foram conquistados outros avanços, segundo ele, como a redução para 4% dos agricultores com produtividades médias menores que 100 sacas por alqueire. "Houve crescimento dos agricultores nas faixas entre 120 a 150 sacas por alqueire, alcançando o percentual de 76% entre os assistidos pela cooperativa", contou. Cerca de 20% dos agricultores, de acordo com os dados do Detec da Coamo, produzem hoje média superior a 150 sacas por alqueire.

Pragas secundárias - O engenheiro agrônomo Antonio Carlos Lordani, do Detec da Coamo em Engenheiro Beltrão, falou sobre pragas secundárias. Ele revelou que o percevejo barriga verde tem sido o maior problema na região. "Diante dos casos registrados nas últimas duas safras, principalmente na cultura do milho, podemos concluir que o percevejo barriga verde já é considerado uma praga principal na nossa região", assegurou. O tamanduá da soja, também conhecido como bicudo da soja, é outra praga secundária que vem preocupando produtores e técnicos da região. As orientações repassadas no encontro vão ajudar os produtores a decidir sobre o controle desses insetos, que aparecem esporadicamente nas lavouras.

Física do solo - O manejo da parte física do solo também foi tema abordado no encontro pelo engenheiro agrônomo Cássio Tormena, doutor em física do solo e professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Ele afirmou que a agricultura depende do que está abaixo da superfície do solo. "Quanto mais o tempo passa, mais os produtores têm que ajustar os detalhes, trabalhando o manejo para evitar a compactação", destacou. Segundo Tormena, é preciso focar os fatores que são decisivos para uma melhor resposta do solo, como o aumento da cobertura e a diminuição da compactação. "A matéria orgânica é o capital do solo e a rotação de culturas e o plantio direto são pontos fundamentais na construção de uma fertilidade equilibrada", concluiu.

Rotação de culturas - Considerada uma prática complementar do sistema de plantio direto, a rotação de culturas foi abordada em palestra ministrada pelo engenheiro agrônomo Celso de Almeida Gaudêncio, do Centro Nacional de Pesquisa da Soja, da Embrapa, em Londrina. Ele reafirmou a importância do cultivo em esquema rotacionado, principalmente para quebrar ciclos de pragas e doenças. "É preciso analisar o aspecto da cultura principal, por exemplo: se for a soja, a rotação deve ser feita com o milho, numa proporção de 25% a 30% da área", orientou. Os bons resultados, de acordo com Gaudêncio, podem ser verificados em anos onde há ocorrência de veranicos. "É quando o agricultor percebe que há maior estabilidade na produção", salientou.

Doenças da soja - A última palestra do dia foi apresentada pelo engenheiro agrônomo José Tadashi Yorinori, fitopatologista do Centro Nacional de Pesquisa da Soja, da Embrapa, em Londrina. Ele falou sobre as doenças da soja, com ênfase para ferrugem, uma doença que surgiu há pouco tempo na região e já está alarmando produtores e técnicos. "O controle químico é uma medida de emergência. É preciso conhecer o histórico do solo e trabalhar com um manejo ideal, para evitar os problemas", alertou. Segundo Yorinori, um plantio direto bem feito, com rotação de culturas realizada de forma adequada, pode garantir um bom controle de doenças. "Quando o solo está bem estruturado, responde melhor. Assim, os investimentos passam a ser menores e, conseqüentemente, os lucros maiores", concluiu.

 

Fala Cooperado
José Dal Pont, cooperado em Engenheiro Beltrão - "Tenho orgulho de ser um pioneiro no plantio direto aqui na região. Também participo desde o primeiro encontro. A Coamo está de parabéns por nos apoiar tanto".
Luiz Rosolen Sobrinho, cooperado em Engenheiro Beltrão - "O plantio direto foi a nossa redenção. Sem ele, o nosso solo já teria perdido a capacidade de produzir e não teríamos os bons resultados de hoje".

 

Fórum técnico reúne 100 profissionais

O 1º Fórum Técnico Agronômico 2002, organizado pelo Sistema Ocepar/Sescoop-PR, reuniu no dia 17 de julho cerca de 100 profissionais de agronomia das cooperativas agropecuárias do Paraná. O objetivo do Fórum, desenvolvido no auditório da Coamo, em Campo Mourão, foi o de discutir e avaliar as experiências de rastreabilidade de produtos de origem animal e vegetal; as políticas de apoio ao plantio da safra 2002/2003; os modelos de assistência técnica praticada pelas cooperativas e o programa de aperfeiçoamento dos profissionais ligados ao setor.

O tema que envolveu o sistema paranaense de rastreabilidade foi tratado por Antonio Leonel Poloni, secretario executivo do Fundepec - Fundo para o Desenvolvimento da Pecuária. O superintendente Comercial da Coamo, Roberto Petrauskas, falou das experiências da cooperativa no sistema e Sinohe de Oliveira, gerente da divisão agrícola da Castrolanda, concluiu o assunto com as experiências na região de Castro.

Para Poloni, o Paraná precisa ter credibilidade para garantir a comercialização da produção, nos mercados internacionais. "Nós estamos na iminência de perder essa credibilidade, se não introduzirmos novas ferramentas no processo de gestão da propriedade, envolvendo toda a cadeia produtiva", afirmou. Segundo ele, rastreabilidade é uma questão básica. "Não é uma garantia de comercialização da produção, mas de permanência no mercado", considerou.

A opção de certificação da produção também foi abordada por Poloni. Um pouco diferente da rastreabilidade, a certificação garante um ganho a mais, no mercado, através da apresentação de um produto diferente do tradicional. "Como o Brasil decidiu não decidir, sobre a questão dos transgênicos, o mercado acabou ficando instável. Mas o Paraná tem condições de segregar essa produção e oferecer uma certificação, principalmente através da rastreabilidade", destacou. A saída, segundo Poloni, é trabalhar sério na conscientização do produtor.

Outro convidado do fórum foi o diretor do Departamento de Abastecimento Agropecuária, da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, José Maria dos Anjos. Ele relacionou as principais novidades do Plano Safra 2002/2003 e destacou a preocupação do governo federal em estimular o aumento da produção de milho. "O cereal que vem perdendo espaço para a soja e isso pode prejudicar o avanço da suinocultura e da avicultura, que são setores que representaram no ano passado um volume de exportação da ordem de US$ 2,85 bilhões", explicou.

Para incentivar a produção de milho, o governo federal lançou contratos de opção de compra para 5 milhões de toneladas, a um preço base Sul e Sudeste de R$ 15,00 por saca, com vencimento para maio. O objetivo da medida é não perder espaço no mercado internacional de carne suína e de frango, além de garantir o abastecimento e até produzindo um excedente para a exportação do grão.