Opinião
Editorial:
Agricultura, geradora de divisas!

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, diretor-presidente da Coamo

"O governo está enxergando que a agricultura é o caminho mais curto para aumento das exportações brasileiras".

Os cooperados da Coamo estão ultimando os preparativos visando a implantação das suas lavouras na safra de verão 2002/2003. O governo anunciou recentemente recursos da ordem de R$ 21,67 bilhões, que apresentou incremento considerável em relação ao verificado aos R$ 17,2 bilhões disponibilizados na safra anterior. Números que demonstram a preocupação do governo que está enxergando a agricultura como o caminho mais curto e eficiente para aumento no volume de exportações da balança comercial brasileira. 

Acreditamos que esta política do governo está correta e o caminho é esse mesmo: investir na agricultura. A agricultura já provou por diversas vezes ser um setor fundamental não só para a economia do país como também para o crescimento do superávit das exportações brasileiras. O investimento na agricultura proporciona resultados em médio prazo, já que num período de 6 a 10 meses ocorrem todos os ciclos da produção, desde o plantio, colheita, até a comercialização.

Os candidatos à presidência da República também estão discursando a favor das exportações, uma das alternativas para geração de divisas e solução para o país. Além da soja, nossa principal commoditie, o Brasil também pode exportar e bem, outros produtos, como algodão, café, milho, frango, suíno, aves e bovinos, com boa aceitação no mercado externo. Com os números favoráveis da exportação da nossa produção temos acompanhado a preocupação por parte do governo de incrementar ainda mais estes volumes. E como conseqüência, estes expressivos resultados estão proporcionando boa capitalização aos nossos produtores.

Quando à expansão de novas fronteiras agrícolas, o Paraná possui um quadro delimitado, com exceção da região do arenito, que vem recebendo produtores de várias regiões para exploração da atividade com previsão de bons resultados. Assim, o incremento de novas áreas produtivas praticamente inexiste no Paraná, se comparadas com outras regiões do País, como o Centro-Oeste e o Norte. 

Os cooperados da Coamo estão cada vez mais conscientes e desenvolvendo na prática a educação cooperativista, um dos princípios da filosofia de trabalho e resultados da cooperativa desde a sua fundação. Assim, com satisfação, estamos verificando ano após ano que vem crescendo o grau de conscientização dos nossos cooperados frente às tomadas de decisões dentro da profissionalização na sua atividade. Podemos citar como exemplo desse desenvolvimento e mudança de mentalidade, a fixação das safras em função dos custos de produção, a venda antecipada com trava em dólar garantindo valores significativos antes do plantio e da colheita. São modalidades que vem proporcionando redução nos custos de produção para satisfação de todos nós. 

Com confiança e maior participação na vida da cooperativa, o cooperado está aprendendo a planejar cada vez melhor as suas atividades, com ações estratégicas, boas experiências e com a obtenção de redução nos custos dos insumos e de bons preços na produção. Primeiramente, o cooperado está fixando sua produção para cobrir os seus custos e após, fica na expectativa e torcendo para que haja melhores preços para a sua produção. 
Por outro lado, o momento que a economia nacional atravessa atualmente é de alerta e apreensão. Estamos assistindo a escalada do dólar e a existência de sérios problemas que tem provocado ações do governo no sentido de conter a alta do dólar e a sua estabilização. 
Nesse ano de eleição os candidatos estão criticando fortemente a política econômica vigente e, isso tem ocasionado alteração nas políticas dos investidores no país. A alta do dólar beneficia as exportações brasileiras com melhor remuneração de preços, porém no geral, a situação é preocupante.

A Bolsa de Chicago está subindo, provocando o aumento nos preços da soja no Brasil. Vários são os motivos que estão contribuindo para que isto aconteça, como a seca registrada no Meio-Oeste dos Estados Unidos, que resultará em queda dos volumes da produção americana. Esta crise brasileira está provocando a falta de dólar no mercado interno, fenômeno que ocorreu pela primeira vez na história. Como conseqüência, mesmo exportando grandes volumes, não podemos transformar dólar em real. O Ministério da Fazenda está acompanhando e tomando medidas cabíveis para tentar equilibrar a situação e por fim a esta crise econômica e especulativa. Uma crise que abala o nosso Brasil, um país que está indo bem, com inflação baixa, modernos sistemas de comercialização e boas produções. Esperamos que esta turbulência termine o quanto antes e possamos voltar à situação normal.

Brevemente, iniciaremos a semeadura das nossas safras de verão, estamos preparados e só aguardando o momento exato para depositar os insumos na terra, esperando sempre boas safras e produtividades. A safra deste ano deverá ter por um lado, incremento na área de soja e do outro, redução no plantio de milho. O milho é uma cultura importante não só pela possibilidade de renda, grandes produtividades e exportações, mas também pela sua participação no sistema de rotação de culturas. O cooperado precisa pensar nisso neste momento de decisão e investir também no milho. Esperamos com a graça de Deus que tenhamos novamente sucesso na implantação e condução das nossas lavouras, com chuva na hora certa para a colheita de boas safras e prosperidade na nossa atividade.

 

Ponto de Vista:
Agroindústria: a transformação que o Paraná precisa

(*) João Paulo Koslovski

Que o Brasil é hoje, o País com maior potencial no mundo para ampliar suas fronteiras no agronegócio, isso não resta dúvida. Que possuí condição excepcional de clima e solo, com disponibilidade de área superior a 90 milhões de hectares que ainda podem ser incorporados ao processo produtivo, também é uma premissa verdadeira.

Nesse contexto, o Paraná se apresenta como um dos estados com significativo potencial para, além de produzir grãos, efetuar o processo de industrialização, agregando mais valor à produção primária. Na década de 90, para se ter uma idéia, o Paraná ampliou sua produtividade na área de grãos em mais de 50%. Essa foi uma clara demonstração do esforço realizado tanto pela pesquisa para gerar novas tecnologias como também dos técnicos da extensão rural - oficial e privada - em levar aos agricultores este importante e fundamental insumo de trabalho ao campo.

Hoje, felizmente, não ficamos atrás de nenhum país desenvolvido em relação ao nível de produtividade de nossos principais produtos. Portanto, é chegada hora de concentrarmos esforços para resolver nossos problemas além fronteira, quer sejam de ordem tributária ou de infraestrutura operacional, os quais acabam dificultando nossas relações com o mercado internacional.

Com relação ao processo de agroindustrialização, cuja vocação brasileira está mais do que atestada no desempenho do nosso setor primário, é necessário que se defina uma política clara daquilo que podemos e devemos fazer para aperfeiçoar este setor, que tem sido nos últimos anos o grande sustentáculo, tanto a nível interno quanto no desempenho da balança comercial, que só atingiu superávit graças à performance do setor primário.

A visão estratégica do ministro Pratini de Morais, contemplando no plano de safra 2002/2003 o Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregar valor à Produção Primária (Prodecoop), evidencia que as coisas podem mudar e que o cooperativismo contribuirá de forma mais expressiva para acelerar o crescimento da agroindustrialização no Estado e no País.

Se no panorama nacional as cooperativas já respondem por mais de 35% da produção primária e no Paraná este percentual está acima dos 50% do PIB agropecuário, certamente temos condições de dar uma excelente contribuição para a transformação de grãos em produtos industrializados na produção de carnes, leite, proteínas, etc.

Investindo na agroindústria, os reflexos são imediatos, como a geração de novos empregos, agregação de mais valor à produção primária e, sobretudo, na promoção de uma ampla distribuição de renda, só no Paraná são mais de 100 mil agricultores filiados as cooperativas agropecuárias, onde cerca de 80% possui área inferior a 50 hectares.

O Prodecoop, programa lançado pelo ministro Pratini significa um marco de uma nova fase do agronegócio brasileiro, onde o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento passa a ter uma visão estratégica além da produção primária, alicerçando e consolidando uma posição necessária e fundamental no desenvolvimento da economia do agronegócio.

Tenho convicção de que o programa dará certo, porque mais do que propiciar condições técnicas para a viabilização da transformação de matéria prima em produtos acabados, fixará mais pessoas no interior, dinamizando a economia dos municípios e trazendo melhores condições de vida.

A agroindustrialização é o caminho seguro para avançar e consolidar de forma definitiva a liderança brasileira no contexto das grandes nações. Pelo seu potencial, o Brasil deve aproveitar de forma inteligente e eficaz o momento propício em que vivemos, para assegurar o espaço no mercado internacional. Por tudo isto, tenho fé de que este é o passo que o Paraná e o Brasil necessita dar, rumo a um novo tempo. A agroindustrialização é a transformação que todos esperamos.

(*) Engenheiro Agrônomo e presidente do Sistema Ocepar