Pecuária
Bovinos:
Manejo verticaliza resultados na pastagem

Estratégia pode equilibrar a relação entre a falta e a sobra de pasto e evitar prejuízos na pecuária

Palaro: "segredo é mão-de-obra especializada"
Em tempos modernos, a mão-de-obra especializada faz a diferença em qualquer negócio. Na pecuária de corte não é diferente, sobretudo na etapa de terminação dos animais. Uma boa estratégia de manejo pode equilibrar a relação entre a falta e sobra de pasto, evitando prejuízos e garantindo um melhor resultado com a atividade.

Para realizar um bom manejo, o criador tem que levar em conta alguns fatores que são decisivos. O primeiro deles é evitar que a pastagem fique degradada, lançando mão de uma boa adubação de manutenção que possa devolver nutrientes para a planta. "Para isso, o produtor deve seguir a lição de adubar conforme análise do solo", lembra o médico veterinário Fábio Longhi Ferro, do Detec da Coamo em Toledo.

Outra questão que deve ser levada em conta é a capacidade de lotação e o período de pastoreio do gado nos piquetes. "É preciso calcular o potencial de cada variedade de pastagem existente na propriedade, dividindo entre o número de piquetes e animais", orienta. Assim, explica o veterinário, o criador vai saber se haverá necessidade de complementar a alimentação no cocho ou se a pastagem será suficiente para manter o rebanho.

São anotações que o cooperado Danilo Santino Palaro, de Toledo, mantém atualizadas. Na fazenda Rio do Ouro, ele engorda 700 cabeças de bovinos. São 150 alqueires de área. Um terço da fazenda é ocupado por pastagem perene de verão, onde predomina a grama Hermatria, em 40 piquetes de 1 alqueire cada um. Também há uma pequena área destinada ao cultivo de grama Tifton, utilizada para a produção de feno, que serve como alimentação alternativa para o gado. O restante da área é destinado à agricultura de verão, sendo que a metade é irrigada com pivô central.

Os animais da fazenda são distribuídos em três lotes, separados por idade. Eles são comercializados quando atingem uma média de 17 arrobas. "No verão, dois lotes pastoreiam a grama Hermátria. Todos juntos, no mesmo piquete, durante um dia inteiro. Os animais que serão comercializados ficam em um piquete separado, com milheto, para apressar a terminação", conta Palaro. No inverno, os animais permanecem em áreas de aveia e azevém, além de receberem complemento alimentar no cocho, a base de feno e mistura protéica. Por ano, são produzidos 800 fardos de feno, com 270 quilos cada. Essa quantidade é suficiente para garantir a suplementação alimentar dos animais durante o inverno.

A pastagem de verão recebe uma adubação de manutenção, no inverno, de acordo com análise do solo. "A média tem sido em torno de 300 quilos de formulado por alqueire", revela Palaro. O tempo médio para engorda é de 2 anos, com os animais estando prontos aos 3 anos de idade.

 

Previna a pasteurelose

A pasteurelose é uma grave doença respiratória causada por uma bactéria chamada Pasteurella, e que acomete animais de todas as idades, sendo a principal causa de pneumonia em bovinos. Ela afeta com maior freqüência os animais mais jovens, geralmente após alguma situação que provoque estresse, como transporte, mudança de alimentação, mudanças climáticas bruscas ou está relacionada a outras infecções, sejam elas de origem bacteriana ou viral, como a Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (IBR), Diarréia Viral Bovina (BVD), Leptospirose, entre várias outras.

Existe uma alta incidência desta doença no gado de cria e engorda, além do gado leiteiro. È comum surgir em gado confinado, principalmente nas primeiras semanas de entrada no confinamento. Os sinais clínicos mais freqüentes são: depressão, falta de apetite, secreção nasal que as vezes pode ser com pus, e nos casos mais graves com sangue, tosse, febre e respiração ofegante. Eventualmente, os bezerros permanecem somente deitados, sem beber água e comer, podendo chegar à morte.

Os animais que sobrevivem, geralmente, desenvolvem doenças respiratórias por períodos prolongados, apresentam pelagem grosseira, dificuldade de ganhar peso e em algumas situações podem ser considerados como animais de descarte, mesmo após tratamento, trazendo desta forma grandes prejuízos.

Para diminuir as perdas o tratamento deve ser imediato. Deve-se identificar o animais doentes, isolá-los e tratá-los com antibióticos de amplo espectro de ação como as oxitetraciclinas, enrofloxacinas, amoxicilinas ou penicilinas, pelo menos por cinco dias. Para promover um melhor tratamento e prevenir que a doença se alastre para outros animais pode se utilizar, em paralelo, antibióticos misturados ao sal mineral por um período mínimo de 10 dias.

Como o custo do tratamento é relativamente elevado, a recomendação é sempre fazer uma boa profilaxia, ou seja, vacinação. Deve-se vacinar o gado e ter sempre um bom manejo do rebanho, procurando evitar ao máximo situações de estresse, fazer um transporte tranqüilo e em condições adequadas, atentar nas alterações de dieta e nos confinamentos.

Guglielmo Siolari, médico veterinário Detec em Roncador.

 

Leitões:
Sobrevivência dos mais fracos

Leitões que nascem com peso acima de 1,2 kg têm a capacidade de criarem-se por si mesmos, valendo-se do que a mãe lhes fornece. Os que nascem abaixo desse peso, necessitam de maior atenção desde o seu nascimento, pois a sua fraqueza e menores reservas corporais podem contribuir para a sua morte nos três primeiros dias de vida. Confira as normas de manejo para salvar esses leitões mais fracos, chamados de normas de "Sistema UTI", que se resume nos seguintes pontos:

1- Assegurar o consumo do colostro materno, o que pode ser feito de três formas: ajudar ao leitão a mamar ou fornecer o colostro, através de mamadeiras, seringas, etc.; prender os leitões mais fortes, duas a três vezes ao dia para facilitar o consumo dos mais fracos; transferir os leitões fracos de várias porcas, para uma só. O ideal é que sejam no máximo oito leitões e que sejam transferidos nas primeiras 48 horas após o parto da porca.

2 - Aplicar produtos com imunoglobulinas, para melhorar a resistência frente às enfermidades. No Brasil dispomos do produto Survivor, produzida pela Sanfar.

3 - Adiar os manejos traumáticos: cortar os dentes somente 24 horas após o nascimento. Quanto ao corte do rabo e a marcação, fazer somente no quinto dia.

4 - Aplicar o ferro injetável somente no terceiro dia de vida, uma vez que ele pode favorecer o crescimento da Escherichia Coli.

5 - Aplicar preventivos de diarréia (por bactérias ou coccidiose), de acordo com os problemas e sensibilidade da granja em relação aos produtos usados.

6 - Aplicar tônicos injetáveis à base de vitaminas e micro minerais.

7 - Usar produtos energéticos, para diminuir a falta de energia que o leitão apresenta ao nascer. Pode ser feito através de aplicação de 10 mililitros de Soro Glicosado a 5%, via intra peritonial, em seringas e agulhas muito bem desinfetadas, no primeiro e segundo dia de vida dos leitões. Outra maneira é aplicar uma dose única de 10 mililitros de óleo de coco, via oral, de 24 a 36 horas após o parto. Não aplicar mais do que esta quantidade, não repetir a dose e não fazê-la fora do intervalo recomendado.

8 - Usar substitutos do leite (porcomel), a livre acesso, do segundo dia de vida até uma semana após o desmame. Nos leitões pequenos podemos ajudar o consumo aplicando 10 mililitros via oral, várias vezes ao dia. Caso contrário, usar cochos de plástico ou que permitam uma limpeza eficiente e rápida.

Aplicando essas medidas irá diminuir a mortalidade na maternidade em 50%, e conseqüentemente irá aumentar a taxa de desmamados/porca.

Paulo Roberto Calderon, médico veterinário Coamo - Ivaiporã. Fonte da matéria: revista Porkworld - escrita pelo veterinário Leonardo Cuevas (Chile)

 

Pesando um suíno sem balança

Como pesar um animal sem balança? Este artigo explica como você pode obter uma boa estimativa de peso de um suíno medindo sua cintura e comprimento e fazendo alguns cálculos simples.

O caminho mais preciso para pesar um animal é utilizar uma balança. Entretanto, isto pode custar caro e se você possuir somente alguns animais e não for necessário um alto grau de precisão, nós explicamos como obter uma boa estimativa do peso de um suíno utilizando somente uma fita métrica e uma calculadora.

Obtenha uma fita métrica ou um pedaço de barbante para utilizar como medida. Coloque a fita ou barbante debaixo do animal, logo após as pernas da frente e meça a cintura do suíno em metros. Depois meça o comprimento do animal do animal da base da orelha até a base do rabo, novamente em metros.

Multiplique o valor encontrado (em metros) do cinturão por ele mesmo. E em seguida multiplique o valor encontrado pelo comprimento e volte a multiplicar por 69,3. Assim você terá o peso em quilos.

Por exemplo: o cinturão do animal do animal tem 1,27 metro e o comprimento de 1,02 metro. Multiplique o cinturão por ele mesmo 1,27 x 1,27 = 1,6129. Multiplique este resultado (1,6129) pelo comprimento (1,02) e multiplique por 69,3 = 114 kg.
Este procedimento permite um erro de 3%.

Fonte: Revista Pork World nº6. Sandro Colaço Vaz, médico veterinário Detec Engenheiro Beltrão