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Coamo
amplia pesquisa sobre integração
Projeto
ganha maior estrutura para trabalhar melhor as variáveis da exploração
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| Melhor
aproveitamento da pastagem é um dos principais pontos
do estudo |
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Após
três anos de testes de validação da tecnologia de exploração
integrada entre a agricultura e a pecuária, a Coamo sai na
frente, mais uma vez, ao decidir aprofundar o trabalho da
pesquisa na sua unidade experimental, em Campo Mourão.
“Hoje sabemos que o projeto é viável em nível de campo.
No entanto, ainda temos que levantar questões técnicas que são
responsáveis pelo desencadeamento dos resultados que
consideramos ideais”, aponta Joaquim Mariano Costa,
engenheiro agrônomo responsável pela Fazenda Experimental da
cooperativa.
Do projeto
inicial, que abrangia 3,5 hectares de área, a estrutura
destinada à pesquisa dessas variáveis foi ampliada em
praticamente quatro vezes. A meta é trabalhar situações
diversas dentro do mesmo projeto, no verão e no
inverno, |
e as
suas principais conseqüências, inclusive variando espécies de
plantas de pastoreio de verão, levando em conta o clima registrado
nas diferentes regiões onde a Coamo atua. “Para isso, pretendemos
avançar a parte acadêmica do sistema, visando oferecer respostas
consistentes aos nossos cooperados, de forma geral”, acrescenta
Costa.
Hoje,
o projeto ocupa 12 hectares da unidade experimental da Coamo. A
estrutura é suficiente para garantir suporte a 40 animais. No verão,
os bovinos ficarão numa área de pastagem perene, formada por 14
piquetes de capim Mombaça e grama Estrela Porto Rico. Eles serão
divididos em dois lotes, para que possam ser observados nas condições
das duas espécies. No inverno, os bois serão divididos em 8 lotes e
ficarão em piquetes de aveia e azevém, separados e de diversos
tamanhos, para testar o pastoreio em diferentes alturas. Assim, poderão
ser identificados, por exemplo, a influência da altura da pastagem no
ganho de peso, na lotação, na produção da pastagem e no resíduo
deixado pelos animais sobre o solo para a cultura subseqüente.
“E
essa é apenas a parte do manejo dentro do projeto. Também vamos
incrementar o trabalho com as culturas de verão, onde serão
exploradas a soja e o milho, na área de pastoreio de inverno”,
revela Flávia Thais de Souza Vieira, engenheira agrônoma do curso de
mestrado e doutorado da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ela
está em Campo Mourão para acompanhar de perto a nova fase do
projeto. Inclusive, as informações geradas na Fazenda Coamo servirão
de base para uma tese científica, que a agrônoma formatará na
conclusão do seu curso. A proposta, segundo ela, é manter as boas
produtividades alcançadas até agora, tanto na pecuária quanto na
parte de lavoura.
Caminho
inverso – Diferente do que aconteceu nos últimos três anos, a nova
proposta do projeto da Coamo é iniciar a exploração pelo pastoreio
de inverno, quando os bezerros recém desmamados ingressam no sistema
a um peso médio de 7,5 arrobas. “Desta forma, há um melhor
aproveitamento da pastagem, tanto no inverno quanto no verão, pois os
animais irão completar o ciclo na pastagem de verão, que é quando
normalmente há sobra pasto”, explica Joaquim Costa. Segundo ele,
outro fator que levou à mudança foi a influência do mercado. É que
no início do inverno há maior oferta de bezerros no padrão exigido
pelo sistema (cruzamento industrial). O projeto da Coamo também irá
testar o comportamento de diversas raças de animais cruzados.
A
conclusão dos estudos iniciados pela Coamo neste inverno deve
acontecer em três anos. A nova etapa do projeto, a exemplo da
anterior, possui apoio da UFPR, Iapar e Syngenta.
Montanha e o leite
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| Montanha:
volta por cima |
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Há dois anos o cooperado Valmir Marcos Montanha, de Ouro Verde do Oeste, resolveu driblar as dificuldades ingressando numa atividade que dobrou o trabalho da família e ampliou a renda da propriedade. Incentivado pelo Detec da Coamo, ele incorporou a pecuária leiteira na propriedade, num sistema integrado com a agricultura, que até então era o seu principal negócio. |
"Tinha dificuldade para evoluir, explorando apenas a agricultura", lembrou Montanha. Ele explicou que depois de algumas safras frustradas, acabou acumulando dívidas. "O leite ajudou a equilibrar as contas, garantindo a manutenção da família. Assim, com o lucro da safra fui amortizando os compromissos", revelou. Hoje, o cooperado comemora a volta por cima, proporcionada pela determinação, trabalho e tecnologia.
Na pequena propriedade de 5 alqueires, o início na pecuária culminou com o ingresso no sistema de integração agricultura e pecuária. "Foi uma meta, desde o começo", reafirmou Montanha, que disse estar aprendendo com a nova experiência. A pastagem de verão ocupa meio alqueire, dividido em 8 piquetes, e foi cultivada com grama Tifton. Mas o projeto do cooperado é ampliar o número de piquetes para 15 e, assim, rotacionar melhor o pastoreio e oferecer um intervalo de 30 dias de descanso entre os piquetes.
No restante da área, inclusive outros 3 alqueires arrendados, Montanha cultiva soja e milho, no verão, e aveia/azevém (para pastoreio dos animais) e milho safrinha no inverno. "A produtividade média das lavouras tem ficado em torno de 130 sacas de soja por alqueire, 300 de milho e 120 sacas na safrinha", comemorou.
Aumentando o plantel - Quando começou a trabalhar com a pecuária leiteira, em sistema integrado com a agricultura, Montanha adquiriu 5 vacas da raça holandesa. Hoje, com apoio técnico da Coamo, ele conseguiu recursos no Banco do Brasil para comprar mais nove animais. Praticamente triplicou a produção leiteira. Em média, por dia, cada vaca produz 14 litros de leite, levando em conta um levantamento anual. "Com essa produtividade, no meu caso, a atividade tem deixado uma margem de 50%, computando o atual preço do litro de leite, sem contar os investimentos realizados na estrutura do negócio", contabilizou.
A cada dois dias a produção atinge 350 litros. Esse volume é suficiente para atingir a capacidade do resfriador a granel, implantado na propriedade, juntamente com a ordenhadeira mecânica.
Com o aporte de animais à propriedade, já existem outros projetos de cultivos que possam garantir a alimentação do gado, principalmente no verão, como o plantio de milheto. Para o inverno o cooperado já fornece um complemento alimentar, com silagem de milho de planta inteira. O suplemento mineral é fornecido aos animais diariamente no cocho, juntamente com a ração.
Novos projetos - A diversificação de atividades casou tão bem com a realidade do cooperado que ele já pensa em ampliar as alternativas. "Estou pensando em outras opções, como a suinocultura ou a própria avicultura. A meta é sempre agregar o máximo de renda possível à nossa produção e aumentar a renda da propriedade", esclareceu. Com a integração entre a agricultura e a pecuária leiteira, e os novos projetos, Montanha pretende melhorar cada vez mais a qualidade de vida da sua família. E assim fazer da lavoura a sua fonte de capitalização. "Tem que acreditar no trabalho e buscar os resultados. Eles não aprecem sozinhos. O negócio é fazer dar certo", concluiu.
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