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Propriedades em rede
Em áreas intercaladas, com custo maior de administração, o escalonamento do cultivo e o aproveitamento da mão-de-obra são estratégias para conquistar resultados positivos
Uma aqui, outra ali e uma terceira lá! Tal qual uma estrutura de computadores interligados numa empresa, as propriedades rurais formadas por áreas intercaladas dentro de uma mesma região, podem ser comparadas a um sistema em rede. Administradas de longe, mas com atenção especial dentro de uma escala planejada, as fazendas formadas por diversos sítios são um bom negócio, apesar do maior custo administrativo. O escalonamento do cultivo e o aproveitamento da mão-de-obra são algumas das estratégias para conquistar resultados positivos. Mais do que um negócio comum, as propriedades em rede são consideradas, na maioria dos casos, um modelo de administração rural.
A maior parte dos produtores bem que tentou concentrar as áreas, mas o processo não é tão simples. Antes eles precisam convencer os vizinhos - quando podem, a negociar o novo lote. "Em regiões onde a terra é bastante valorizada, por exemplo, é difícil encontrar um agricultor disposto a vender a propriedade, principalmente quando o comprador é um vizinho", explica o engenheiro agrônomo
Hevandro Cezar Fadoni, do Detec da Coamo em Boa Ventura do São Roque. A saída, nesses casos, tem sido a aquisição de áreas pulverizadas, o que tem gerado a formação de verdadeiras fazendas de lotes separados.
"Em áreas intercaladas, com custo maior de administração, o escalonamento do cultivo e o aproveitamento da mão-de-obra são estratégias para conquistar resultados positivos". A afirmação é do engenheiro agrônomo José Marcelo Rúbio, do Detec da Coamo em Juranda. Ele diz que em tempos onde o espaço é limitado, o crescimento depende do nível profissional e dos custos ligados à produção. "Quanto melhor preparado o agricultor estiver e com padrões definidos de planejamento e administração rural, maior serão as chances de sucesso", assegura.
Custo e benefício - Em alguns municípios da região da Coamo, as propriedades intercaladas representam mais de 80% do total de imóveis rurais. Uma característica da própria colonização dos municípios, que foram divididos em pequenas areas.
Na parte administrativa dos lotes, o que mais pesa é o custo de produção, sobretudo na parte de serviços. Eles variam de 5% a 7% do faturamento médio anual das propriedades rurais, conforme dados do Detec da Coamo. Os gastos com o tráfego e a manutenção do maquinário também fazem parte da lista dos mais pesados. No entanto, com uma boa estratégia é possível minimizar as despesas e ganhar num processo produtivo mais estável.
Para o engenheiro agrônomo Luiz Carlos de Castro, do Detec da Coamo em Peabiru, a maior estabilidade na produção é explicada diante dos fatores climáticos, que variam muito, inclusive dentro de uma mesma região. "No geral, as áreas intercaladas correm menor risco de perdas por ocorrências isoladas, como geadas ou chuva de granizo", orienta. Assim, é possível afirmar que o agricultor acaba fazendo uma produção média mais estável, avaliando a propriedade como um todo.
Uma fazenda de doze sítios
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| Forekewcz e
os filhos: tradição no cultivo de áreas intercaladas |
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O cooperado José Forekewcz é um agricultor tradicional na região de Boa Ventura do São Roque. Começou cedo e foi construindo o seu patrimônio com muito trabalho. De pequeno ele passou a ser grande. Porém, não perdeu as características que o fez chegar onde está. Mantém a administração dos negócios sob seus olhos e não abre mão de planejar os próprios resultados. |
Mas o trabalho do cooperado não é fácil. A fazenda, de 300 alqueires, é formada por nada menos do que 12 sítios. Os lotes são espalhados. O mais próximo fica a seis quilômetros da propriedade sede, enquanto o mais distante fica a 15 quilômetros. O grande desafio é fazer o trabalho render, minimizando os custos - o que mais pesa na administração desse tipo de negócio.
No trabalho diário, Forekewcz conta com apoio dos filhos José Ribas e José Alessandro, além da parceria com a Coamo. Para tirar maior proveito da situação, eles escalonam o cultivo e as atividades de verão e inverno, e procuram ampliar os resultados com planejamento e estabilidade da produção. "É trabalhoso, mas não temos possibilidade de unificar as áreas", explica. A estratégia é definida de acordo com as características de cada lote. "No inverno, intercalamos áreas de pastejo e adubação verde. No verão amarramos os ciclos do milho e da soja, para não coincidir a colheita. Tudo tem que funcionar redondo", esclarece.
O grande desafio do cooperado é a administração do tempo, no trabalho das máquinas, no cultivo e demais atividades da propriedade. "Os gastos com manutenção de todos os serviços giram em torno de 5% da receita bruta anual, mas mesmo assim compensa", ressalta.
Na última safra a produtividade de José Forekewcz fechou em 128 sacas por alqueire de soja e 336 sacas de milho por alqueire. O cooperado ainda explora, nos lotes da propriedade, erva mate e pecuária de corte.
Família unida, terras separadas
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| Souza
com os filhos: tarefa divididas e família unida
pelo trabalho |
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A região da comunidade Santa Clara, em Peabiru, é a base da família do cooperado Lauro Gomes de Souza. Os dois filhos, Odair e José Carlos, que também são cooperados, moram na mesma propriedade e são parceiros do pai na exploração de 130 alqueires de área, divididos em 7 lotes e distribuídos em diversas regiões do município. "A família permanece unida, mas
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as terras são separadas", brincam os Gomes de Souza, que iniciaram nesse sistema há pouco mais de três anos. Antes, a família arrendava apenas uma área de terra.
A estratégia da família é seguir um planejamento, aprimorado a cada ano com apoio da Coamo. "Buscamos aproveitar ao máximo o nosso tempo e gastar o mínimo possível", explicam. As tarefas são divididas: O pai fica com as partes organizacional e de suporte. Odair responde pelas tarefas operacionais e José Carlos se concentra nas ações administrativas e de distribuição. "Mas quando o serviço aperta, todos nós trabalhamos juntos. Concentramos as nossas forças para vencer os nossos desafios", explica José Carlos.
A exemplo dos demais produtores que atuam neste sistema, o que mais pesa nos custos é a parte de serviços. Para os Gomes de Souza os serviços representam cerca de 7% da renda anual da propriedade. Mesmo assim eles estão satisfeitos com os resultados alcançados até aqui e pensam, inclusive, em adquirir ou arrendar novas áreas, até mesmo em outras regiões. "O trabalho é custoso, mas compensa, porque ocupa todos nós e mantém a família unida", salienta Lauro de Souza.
No verão, os cooperados concentram a exploração sobre a cultura da soja. Na última safra a colheita rendeu 138 sacas por alqueire. A média caiu um pouco em relação à safra anterior, que fechou em 153 sacas por alqueire. No inverno, o milho safrinha divide espaço com o trigo nas áreas de lavoura. Na última safra a safrinha rendeu uma média de 220 sacas por alqueire, enquanto o trigo fechou com 120 sacas de média, por alqueire.
A agricultura ocupa 70 alqueires dos 130 mantidos pela família. O restante da área é destinada à pecuária de corte, em sistema de cria, que mantém um plantel de 250 cabeças de animais.
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Monitoramento em duas rodas
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| Amadei:
motocicleta ajuda a monitorar as lavouras e a
reduzir custo |
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Acompanhar o desenvolvimento das lavouras é sempre um desafio para os agricultores que possuem áreas intercaladas. Como na maioria dos casos os lotes são diversos e espalhados num raio que vai de um a vinte quilômetros da propriedade sede, o trabalho de monitoramento também passa a pesar no custo de administração da rede. E não é só isso. O produtor corre,
ainda,
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contra o tempo. Muitas vezes, um dia inteiro não é suficiente para concluir as visitas.
Mas o cooperado Davonir Amadei, de Juranda, encontrou uma solução prática e barata para percorrer os seus 13 sítios, que juntos formam uma fazenda de 240 alqueires. Ele comprou uma motocicleta para percorrer as áreas espalhadas pelos quatro cantos do município. Em cada visita detalhada às lavouras, ele chega a percorrer até 100 quilômetros com a motocicleta. "Em média, chego a rodar cerca de mil quilômetros por mês", conta. A motocicleta, segundo ele, reduziu o seu custo com o monitoramento das lavouras em quase 80%, sem contar o ganho de tempo. "Com a moto posso entrar facilmente na lavoura e vistoriar as cabeceiras, o meio e os fundos", enumera.
Amadei se considera um administrador natural de áreas intercaladas. O pai, James
Amadei, foi adquirindo os lotes ao longo do tempo. "Desde que comecei na agricultura, já trabalhávamos nesse sistema", lembra. Para formar um lote de 24 alqueires - que está entre os 13 que compõem a fazenda, Amadei teve que concentrar nada menos do que 10 pequenas áreas, adquiridas de vizinhos. O cooperado admite que a maior dificuldade é controlar os custos do trabalho, que são encarecidos pelo maior volume de tarefas. Mas ele diz que os resultados têm sido compensatórios. "Como já estamos nisso há um bom tempo, temos um esquema de trabalho montado e, assim, seguimos uma estratégia que tem garantido bons resultados", comemora.
As fases de plantio e colheita são os mais difíceis, na opinião do cooperado, em razão da disponibilidade de maquinário e mão-de-obra. "Procuramos concentrar o trabalho, já que não podemos fazer isso com as nossas áreas", comenta
Amadei. Ele explica que enquanto as colheitadeiras recolhem a soja, as plantadeiras seguem na mesma trilha, implantando o milho safrinha. "Procuramos aproveitar o trabalho ao máximo, para ganhar em rendimento, o que nem sempre dá certo".
Uma das vantagens do trabalho em áreas separadas, segundo Amadei, é a possibilidade de dividir os riscos entre elas. "Sem dúvida, há uma maior estabilidade na produção, uma vez que o clima varia muito de uma região para outra", confirma. "Só não pode esquecer nenhum lote para trás", brinca, lembrando de quando deixou de plantar uma das áreas e depois teve que voltar para completar o trabalho. "Também é um risco que corremos".
Trabalhando num esquema de rotação entre soja e milho no verão e milho safrinha e trigo no inverno, Davonir Amadei tem conseguido médias de produtividade exemplares para a região de
Juranda. A soja fechou a última safra com 120 sacas por alqueire, enquanto o milho alcançou 310 sacas por alqueire. Na safrinha o milho rendeu no ano passado 150 sacas por alqueire de média. Já o trigo teve uma produtividade média, no ano passado, de 80 sacas por alqueire.
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