EDITORIAL:
É preciso haver bom senso
ENGENHEIRO AGRÔNOMO JOSÉ AROLDO GALLASSINI,
DIRETOR PRESIDENTE DA COAMO
“QUEM USA TECNOLOGIAS
E TEM ALTAS PRODUTIVIDADES TEM MAIORES CHANCES DE SUCESSO NA ATIVIDADE”
Neste mês de agosto estamos realizando as tradicionais
Reuniões de Campo do 2º semestre e mantendo contato
direto com milhares de cooperados. Dentro da agenda dos encontros
temos apresentado ao nosso quadro social o momento preocupante que
vive a agricultura brasileira, em face das frustrações
causadas pelos efeitos climáticos, e a queda nos preços
das principais comoddities.
Os últimos
3 anos foram excelentes para a nossa agricultura, com grandes safras
e bons preços. Enfim: foram anos de bonança. E agora,
diferentemente do que prevíamos, estamos vivenciando um ano
atípico marcado por frustração de safra, em
função de vários fatores, como: estiagem, chuva
na colheita, geada no milho safrinha e, principalmente, por queda
de preços na soja, milho, trigo,café e algodão.
Por outro lado, houve alteração significativa nos
preços dos insumos, com aumento de cerca de 50% em relação
a safra anterior; e no caso dos herbicidas, essa majoração
variou de 7 a 30%, e em alguns casos ultrapassou percentuais bem
acima dos 30%.
Também tivemos aumento nos juros, com a criação
neste ano de uma taxa mista, ou “mix”, como está
sendo chamada, com juros de mercado, o que eleva a média
anual de juros para 15% ao ano, ao invés da taxa de 8,75%
do crédito rural.
Os arrendamentos de terras a níveis de 35, 40 e até
50 sacas por alqueire, contratados este ano pela alta nos preços
da soja que chegaram a patamares de R$ 52,00 a saca, também
causam preocupação tendo em vista o momento atual
que apresenta redução de preços dos produtos.
Os níveis atuais de US$ 11,20 por saca de soja representam
a média dos últimos 10 anos, mas a explosão
de preço ocorrida este ano com valores acima dessa média
histórica provocou uma grande euforia no mercado, com incremento
nos valores de insumos, máquinas e implementos agrícolas.
Com este cenário atípico e preocupante, os produtores
estão sofrendo o impacto dos custos de produção
para a próxima safra e podem ter como conseqüência,
sua liquidez comprometida.
É preciso que haja bom senso por parte de todos, fornecedores,
instituições financeiras e governo, para que possamos
voltar a realidade dos custos compatíveis à produção
da atividade agrícola, com rentabilidade. Precisamos ter
cautela para enfrentarmos esta turbulência. Analisar a situação
como um todo. Sermos profissionais na condução dos
nossos negócios e buscarmos produtividades cada vez maiores.
Corrigir, conservar e cuidar da fertilidade do nosso solo, e utilizar
tecnologias indispensáveis como plantio direto e rotação
de culturas, para poder fazer frente a este período de ajustes
de preços, pois, sabidamente, quem tem altas produtividades
tem maior chance de sucesso na atividade.
Vamos fazer um bom plantio e acreditar que a safra 2004/2005 seja
bastante produtiva com preços satisfatórios, para
que tenhamos uma agricultura forte e capitalizada, e continuar fazendo
a nossa parte para o progresso e desenvolvimento da nossa atividade
e do nosso país.
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