Especial     



Ação solidária no meio rural

TRABALHO DA APAE RURAL É EXEMPLAR E AJUDA NA CONSTRUÇÃO DE UMA SOCIEDADE JUSTA E SOLIDÁRIA, MELHORANDO A QUALIDADE DE VIDA DE CENTENAS DE PESSOAS

 

Desde 1997, a região de Campo Mourão (centro-oeste do Paraná) conta com uma unidade da Apae Rural que é extensão da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), que mantém a Escola de Educação Especial Josephina Wendling Nunes desde 1974 e atende mais de trezentos e quarenta alunos. A unidade da associação é um centro de capacitação profissional para pessoas excepcionais a partir dos 15 anos. Os noventa alunos de Campo Mourão, Farol e Luiziana participam de atividades práticas que tentam descobrir habilidades do aluno para encaminha-lo para o mercado de trabalho.
O primeiro trabalho da Apae Rural foi o projeto Piá das Flores, que é a produção de mudas de plantas ornamentais e de paisagismo pelos próprios alunos. Atualmente a produção expandiu e são produzidas, também, mudas de árvores nativas da região, especialmente voltadas para o reflorestamento ciliar. O projeto é uma recente parceria da Apae com a Secretaria do Meio Ambiente e o IAP (Instituto Ambiental do Paraná).
Para Paolo Schattu, o técnico agrícola e supervisor da produção, a procura pelas mudas é grande. “Precisaríamos de 2 milhões de mudas para suprir a necessidade da região. A produção iniciou há três meses e hoje temos em torno de 60 mil mudas prontas. A previsão é, até fevereiro, aumentar de 100 a 120 mil mudas.” Os interessados em adquirir as mudas devem entrar em contato com a Apae no telefone (44) 3525-1273.

O projeto das plantas é uma forma de terapia ocupacional para os alunos e visa aumentar as habilidades dos participantes. A diretora da Apae, Denilde Carmen Silva Greco explica que a atividade já rendeu bons frutos. “Nós já temos um aluno com viveiro, produzindo mudas e vendendo por conta própria. Outro aprendeu a fazer cestinhas de jornal. Ele mesmo as confecciona e vende. Isso ajuda nas despesas e complementa o orçamento deles. O objetivo da educação profissional é este.”

Para José Turozi, diretor financeiro da Apae e fundador da Apae Rural, na sua gestão como presidente, em 1997, “o mercado de trabalho já é restrito para as pessoas consideradas normais, para uma pessoa portadora de deficiência física e mental, há ainda mais obstáculos”. Por isso há a intenção de viabilizar atividades profissionalizantes na chácara.

Além de contribuir para o desenvolvimento dos alunos, os projetos de produção de mudas, tanto ornamentais quanto para reflorestamento, são auto sustentáveis e ajudam a manter a Apae Rural, apesar de ainda não serem suficientes para cobrirem todos os gastos. Segundo o diretor financeiro, a arrecadação dos projetos corresponde a cerca de 10% da quantia necessária para manter a estrutura. O restante é arrecadado através de parcerias e promoções e outras atividades desempenhadas pelos alunos ajudam a manter a instituição, como a horta que produz os alimentos para consumo próprio, além da marcenaria, cestaria, laboratório de culinária e artesanato.

Equoterapia – Outra atividade importante desenvolvida na Apae Rural é a equoterapia, que é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo. A técnica exige a participação do corpo inteiro e a interação com o cavalo, incluindo os primeiros contatos, o ato de montar e o manuseio final, desenvolve novas formas de socialização, autoconfiança e auto-estima.
Os quarenta alunos atendidos na equoterapia são previamente avaliados por um fisioterapeuta e têm seções uma vez por semana. Segundo a diretora, o número de atendimentos está longe do ideal, já que apenas 10% dos que precisam são atendidos e para aumentar este percentual, seriam necessários mais animais e maiores recursos financeiros.
Para o fundador do centro de capacitação, a Apae Rural é um sonho realizado. “Dessa forma podemos contribuir para o desenvolvimento dessas pessoas e para que elas tenham melhor qualidade de vida”.


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