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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 353 | Agosto de 2006 | Campo Mourão - Paraná

Safra Verão

Precisão no uso da tecnologia

Com o custo do pacote tecnológico 15% mais barato, em média, na comparação com a safra passada, os cooperados da Coamo estão otimistas para o verão e retomam investimentos básicos na produção, buscando alcançar o máximo do potencial produtivo das lavouras

A tecnologia a ser adotada pelos cooperados da Coamo, nesta safra de verão, será melhor, na comparação com a aplicada no ano passado, segundo o supervisor de Assistência Técnica da Coamo, Antonio Carlos Ostrowski. Os pacotes tecnológicos estão mais completos, o que significa que o agricultor voltou a investir no básico da produção. Com o custo do pacote tecnológico 15% mais barato, em média, propiciado pela redução na cotação do dólar, os produtores rurais estão otimistas. No planejamento para a safra, eles mantêm o pé no chão, mas não abrem mão de pisar fundo no acelerador da tecnologia, de olho no máximo do potencial produtivo das lavouras.

Outro fator que indica o crescimento tecnológico para a próxima safra são as próprias decisões dos agricultores, que investiram menos no ano passado, em função das frustrações das safras anteriores. “Muitos deles descobriram que a saída não é reduzir o pacote tecnológico”, pondera Ostrowski. “Quem deixou de investir em fertilizantes, inoculantes, tratamento de sementes e micro-nutrientes, que são tecnologias básicas, percebeu o reflexo direto na produtividade final das lavouras, que também foram afetadas pela estiagem”, lembra o agrônomo.

Médias maiores – No verão passado, a produtividade média da soja, na região de atuação da Coamo, foi de 101 sacas de soja e 252 sacas de milho por alqueire. Para a próxima safra, a expectativa é que os cooperados colham ao redor de 121 sacas de soja e 294 sacas de milho por alqueire. “O crescimento em produtividade deve ficar ao redor de 15%, o que significa que o produtor, além de gastar menos para cultivar a safra, vai ganhar mais em volume de produção”, revela Ostrowski.

Para o agrônomo da Coamo, o uso de tecnologia de ponta na agricultura não quer dizer que o produtor rural vai simplesmente “embelezar” a sua lavoura. “Não é um luxo. Muito pelo contrário: é uma questão básica e necessária, caso o produtor queira manter os seus níveis de produtividade”, orienta.

Fatores que levam à produção – O produtor rural pode influenciar sim, positiva ou negativamente, na sua produção. Esta questão vai depender das decisões tomadas por ele durante o planejamento da lavoura.

São diversos os fatores que levam à maior produtividade das lavouras e cabe ao produtor decidir sobre o que é melhor, dentro da sua realidade. Entre os principais estão a escolha da variedade/híbrido; a época de plantio; o tratamento das sementes; uma boa semeadura, cuidando com questões de dessecação, profundidade e densidade de plantas; o equilíbrio nutricional do solo; aplicar a quantidade certa de adubo; e realizar adequadamente os controles fitossanitários. “O agricultor pode chegar na produtividade que quiser. Para isto, basta que ele adote o pacote tecnológico correto. E trabalhar de forma correta, desde o planejamento até a colheita da lavoura, é o caminho, pois cada tecnologia que ele deixo de aplicar é um vazamento a mais na caixa d’água da produção”, compara Ostrowski.

Manter investimentos – O agricultor, segundo o técnico da Coamo, tem que repensar constantemente o seu negócio, para que ele cresça e, com isso, tenha maior renda. “O que se busca, sempre, é a manutenção dos investimentos que se fez no passado”, destaca. “O agricultor tem que ter consciência de que o impulso do seu próprio desenvolvimento e da região só foi possível porque ele acreditou na tecnologia, na assistência técnica e nos pacotes tecnológicos, uma vez que são tecnologias testadas e aprovadas, e com custo/benefício positivo. Então não há como retroceder. Temos que andar sempre para frente, de olho no futuro”, assegura Ostrowski.

Renda da produção ou do preço?

De onde o agricultor tira a sua renda? É da produção ou do preço? Para o diretor-presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini, isoladamente, no preço ele não consegue influir. Quem vai ditar as regras é o mercado. Mas indiretamente ele tem uma certa influência no preço, quando produz mais ou menos.

Com a produção é diferente. O produtor rural pode influir diretamente, de forma positiva ou negativa. “Ao utilizar um pacote tecnológico preconizado pela sua assistência técnica, o agricultor, no final da sua colheita, caso o clima colabore, terá alcançado o máximo do potencial da sua lavoura”, salienta Gallassini. “Sendo assim, diz ele, quanto mais coerentes forem os investimentos, maior será a produção e rentabilidade da cultura”.

Pacote tecnológico:

Custos caem 40% no acumulado das últimas duas safras

Efetivamente os insumos que compõem o pacote tecnológico estão mais baratos. Uma condição que não é um privilégio deste ano. Na safra passada os cooperados da Coamo já tiveram uma redução no custo dos insumos, de cerca de 25%, em relação ao ano anterior. Com os 15%, em média, desta safra, na comparação com o ano passado, a redução chega a 40%, no acumulado das últimas duas safras.

A grande expectativa do produtor, neste momento, é com relação ao preços dos produtos. Se estes foram menores que os atuais, a vantagem competitiva de redução de custos fica praticamente anulada. Mas se forem maiores, o produtor terá sido beneficiado duas vezes. “A tendência é de que o produtor tenha uma lucratividade maior com o resultado desta safra, diante do fato de esperarmos uma produtividade, no mínimo, normal”, adianta Ostrowski.

Soja RR terá área de plantio ampliada na região da Coamo

Segundo levantamento da Gerência de Assistência Técnica da Coamo, a área a ser cultivada com a soja deve crescer, em relação à safra passada. Este avanço será proporcionado, principalmente, pela redução do plantio de milho, que deve ficar entre 10 a 15%.

Os dados da Getec da Coamo revelam, ainda, que haverá um incremento além do esperado no plantio de soja RR. No ano passado 30% da soja cultivada na área de ação da cooperativa foi com variedades geneticamente modificadas. Neste ano/safra a área plantada com a soja transgênica deve ser ampliada, motivada, principalmente, pela novidade do cultivo; uma maior disponibilidade de sementes certificadas de qualidade; e para reduzir os problemas com ervas daninhas resistentes a herbicidas convencionais.

Outro fator que está levando o agricultor a optar pelo plantio da soja RR é o custo de produção, que fica ao redor de 10% menor, quando comparada com as cultivares tradicionais.

Os Raczenski constroem o futuro

Na propriedade de 18 alqueires, localizada na região de Água Doce, em Roncador (Centro-Oeste do Paraná), a família Raczenski tem serviço de sobra. Além do cultivo de lavouras no verão e inverno, que é a atividade principal do sítio, outras alternativas compõem a renda e garante a ocupação para todos, como a bovinocultura de leite e a suinocultura de corte. Diante desta realidade, eles estão sempre unidos em torno do trabalho, feito com dedicação e pensamento sempre voltado para o futuro.

Como os recursos são pequenos, a família faz do planejamento uma estratégia para vencer na atividade e garantir o máximo de rentabilidade sobre os investimentos. “O nosso trabalho tem como objetivo os resultados positivos. E, para isto, fazemos a nossa parte no campo, buscando eficiência e rentabilidade”, afirma o cooperado Pedro Raczenski, que está à frente dos negócios da família. Animado com a nova safra, o produtor aproveitou a redução nos custos do pacote tecnológico para programar um investimento 10% maior do que o realizado na safra passada. Com isso, ele pretende ampliar a produtividade média das lavouras no sítio, em cerca de 30%.

Produção estável – Nas últimas três safras, a família teve bons resultados com as lavouras. A produtividade média da soja está ao redor de 140 sacas por alqueire e o milho em 300 sacas por alqueire. “O sonho é colher cada vez mais. E para isso não abrimos mão da tecnologia. Investimos no que for preciso para que o nosso trabalho tenha bons resultados”, revela o agricultor.

Para este verão, os Raczenski vão ampliar a área de plantio. Serão 23 alqueires, no total, ocupados pela soja e milho, em esquema de rotação. Aliás, este sistema tem permitido um avanço significativo da família nos últimos cinco anos, propiciando, inclusive, um incremento nas áreas de cultivo próprio.

Cuidados – Entre as preocupações da família neste momento que antecede o plantio da safra de verão estão o cuidado com o manejo fitossanitário das lavouras e a dessecação antecipada das áreas de plantio. Segundo o engenheiro agrônomo Allan Marcelo Pelissari, do Detec da Coamo em Roncador, o segredo é acertar o tempo do trabalho. “Com um bom planejamento, investimentos na dose certa e, acima de tudo, com muita vontade de produzir, não tem erro. O produtor faz a sua parte e, se o clima colaborar, ele terá um resultado acima da média, com certeza”, conclui Pelissari.

Materiais melhor posicionados

A estiagem da safra passada não chegou a ser um grande problema para o cooperado Antonio Willemann, de Manoel Ribas (Centro do Paraná). O rendimento médio da soja que ele plantou na propriedade de 80 alqueires que mantém na região de Rio do Salto, foi de 130 sacas por alqueire. Na lavoura de milho, que sentiu um pouco mais a falta de chuvas, o cooperado fechou o ano com uma produtividade média de 315 sacas por alqueire.

A estabilidade nos resultados das lavouras de Willemann não é uma condição pontual. Ela vem sendo construída pelo cooperado ao longo dos últimos anos, com apoio da Coamo. “A nossa região tem uma característica própria de clima e solo bem estruturado, o que facilita um pouco o trabalho no campo”, aponta o agricultor. Para a próxima safra, segundo ele, o projeto é ampliar ainda mais a produtividade média das culturas, lançando mão de todas as tecnologias disponíveis no mercado. “O pacote tecnológico adotado para a produção faz toda a diferença. Por isso, um bom planejamento é fundamental”, diz.

Estratégias – Uma das estratégias do associado para a safra de verão é posicionar melhor os materiais recomendados para o cultivo na sua propriedade. “Vou manter os que são bons e entrar com as novidades, para buscar o máximo do potencial dos materiais”, revela. A maior parte da área (70 alqueires) será cultivada com soja, através de variedades tradicionais. O restante receberá o milho, plantado no sítio para garantir os benefícios da rotação de culturas.

Com um investimento maior, em cerca de 10%, na comparação com a safra passada, o cooperado espera ampliar em, pelo menos, 20% a produtividade final das suas lavouras. “Decidimos incrementar um pouco mais o pacote tecnológico, uma vez que com o mesmo custo do ano passado o produtor pode investir mais na lavoura”, compara o agrônomo Cezar Tibola, do Detec da Coamo em Manoel Ribas.

Custo menor – Na safra passada, o custo dos insumos para a soja, na tecnologia adotada por Antonio Willemann, ficou em cerca de 50 sacas por alqueire. Neste ano, a redução chega a 20%. “Só esta condição já anima bastante o agricultor. É um grande impulso para fazermos a nossa parte cada vez melhor, sempre torcendo para que o clima e os preços dos produtos colaborem para uma melhor rentabilidade com o nosso negócio”, finaliza.