Um dos caminhos mais seguros para manter o ambiente rural otimizado é a diversificação das atividades na propriedade. Em Faxinal, no Norte do Paraná, a família Zanelli, formada pelos irmãos Paulo, Vanderlei, Valdir e Éderson, e o patriarca Antonio Zanelli, vem apostando em uma atividade que ano a ano desperta o interesse de produtores de todo o Estado, especialmente dos que possuem propriedades localizadas nas regiões onde o clima é mais ameno. Os Zanelli estão “fazendo escola”. Há 14 anos eles partiram para a diversificação da propriedade através do cultivo de tomates. “No início cultivávamos vários tipos de hortaliças. Depois, resolvemos optar pelo tomate, que nos últimos anos se transformou em um grande aliado para a melhoria da renda na propriedade”, conta Paulo Zanelli.
Nos primeiros quatro anos de experiência as hortaliças eram cultivadas a céu aberto. Há dez anos os Zanelli decidiram investir mais pesado na atividade adquiriram estufas, próprias para o desenvolvimento dos tomates. “Foi difícil no inicio, o investimento era alto, mas deu certo e está valendo a pena”, comenta Paulo Zanelli, lembrando que se não fosse a diversificação com os tomates tudo estaria mais difícil.
Apesar do alto investimento que as estufas exigem, entre 8 e 10 mil reais, o custo beneficio é vantajoso, uma vez que a produtividade aumenta significativamente e o custo de produção do fruto diminui. As 13 estufas existentes na propriedade abrigam 41.600 pés de tomates, 3.200 em cada uma.
Comercialização – Conforme o cooperado é possível fazer duas safras no ano, uma na saída do inverno e outra no começo do verão e toda produção é vendida. A cada 1.000 mil pés de tomate a produção estimada é de 400 caixas, o que corresponde a quase 17 mil caixas por safra, que em média é comercializada a R$ 20,00 a caixa, que tem um custo de produção em torno de R$ 10,00 cada. “Não é tudo um mar de rosas, já tivemos dificuldades para produzir e também para comercializar a produção em outras épocas. Mas agora o preço se estabilizou e estamos conseguindo agregar um lucro razoável”, explica Paulo, observando que a atividade representa mais de 30% da renda da propriedade.
Mas não é só da produção de tomates que vivem os Zanelli. A propriedade possui 130 alqueires de plantio, que recebe soja no verão, trigo, aveia branca e preta no inverno e feijão na entressafra. Com a soja, a produtividade média alcançada na última safra foi de 156 sacas por alqueire, resultado acima do esperado.
Todo processo de produção e condução das atividades na fazenda é dividido entre os irmãos. O trabalho funciona como uma grande engrenagem. Enquanto o pai fica responsável pelo trabalho burocrático, como serviço de bancos e acertos na cooperativa, os filhos colocam a “mão na massa”, com as atividades dentro da propriedade.
As altas temperaturas no verão e as características dos diversos tipos de solo que predominam no Sul do Mato Grosso do Sul são fatores determinantes para a rápida decomposição da matéria orgânica sobre o plantio da soja na região. Coberturas como a aveia preta e o milheto não conseguem sustentar por muito tempo a umidade do solo. Diante do fato, agricultores de Caarapó trabalham com uma alternativa diferente para ampliar o volume de palhada no solo e garantir suporte ao plantio direto. Trata-se do cultivo de braquiária – uma espécie de capim usada para a formação de pastagem, como cobertura ou consorciada com o milho safrinha. A planta, que possui uma decomposição mais lenta, em relação à aveia e ao milheto, está sendo usada com sucesso pelos produtores rurais, tanto para a formação de matéria orgânica no solo para o plantio de verão, quanto para o pastoreio do gado no inverno.
O cooperado Pedro Pinto Lima experimentou a opção. Na fazenda dele, que fica na região de Dourados, a área de 700 alqueires é divida entre a agricultura e a pecuária. “No sistema de integração, a nossa grande dificuldade sempre foi manter um bom volume de palha no solo. Estamos conseguindo suprir esta demanda com o uso da braquiária”, revela Lima, que está trabalhando com a alternativa pelo primeiro ano. A variedade usada pelo cooperado é a roziziense, que facilita o manejo em função do porte baixo, que garante um plantio mais eficiente.
No intervalo do milho – O produtor plantou a braquiária nas entrelinhas do milho safrinha em metade dos 466 alqueires da área de cultivo neste inverno. “Depois de colhido o milho, a braquiária já está totalmente formada, podendo ser utilizada, antes mesmo do plantio da soja, como opção de pastoreio para o gado”, resume Lima. A braquiária roziziense, segundo o cooperado, forma uma palhada sobre o solo de 30 a 36 toneladas por alqueire, sustentando o plantio direto. “Depois que começamos com o sistema de plantio direto as produtividades das lavouras melhoraram. Tenho colhido a média de 120 sacas por alqueire de soja, o que é um resultado muito bom para a região”, esclarece o cooperado.
Competição – A alternativa ainda está sendo testada na região. Com orientação do Detec da Coamo em Caarapó, Lima utilizou cerca de 10 quilos de semente peletizada por alqueire. Na plantadeira, ele usou um disco de sorgo e não aplicou adubo, para que a braquiária não competisse com o milho. “Na verdade, o capim fica meio estacionado e quando é feita a colheita do milho e começam as chuvas, ele termina a sua formação”, informa o produtor, que tem colheu uma produtividade média de 200 sacas por alqueire com o milho safrinha.
“É importante saber a dose certa de semente, na hora do plantio, para a braquiária não concorrer com o milho”, orienta o engenheiro agrônomo José Carlos de Andrade, responsável técnico da Coamo em Caarapó. “Ainda existem pontos a serem debatidos, com relação ao plantio, época, manuseio da cultura, mas, de forma geral, vem sendo uma boa alternativa de renda para o produtor dessa região”, afirma.
Combinações – O agrônomo da Coamo esclarece que, além do plantio consorciado com o milho safrinha, a braquiária roziziense também pode ser uma boa opção de cobertura para o solo durante o inverno, servindo, ainda, ao pastoreio do gado. “Notamos que onde tinha a cobertura com braquiária as plantas conseguiram tolerar mais a temperatura, o que refletiu em maior produtividade”, considera Andrade.
Em áreas onde foi feito o plantio consorciado com o milho safrinha, estima-se que, no mínimo, houve um incremento de 10% a mais de produtividade na soja, comparando com áreas de cobertura de aveia ou milheto. “Nas áreas onde houve a cobertura exclusiva com a braquiária roziziense, no inverno, a produtividade chega a ser 20% maior na soja, em comparação com áreas de aveia ou milheto”, contabiliza o técnico.
A opção começou a ser explorada pelos produtores do Sul do Mato Grosso do Sul há 6 anos. Há dois a Coamo vem acompanhando de perto o trabalho e coletando dados para uma melhor indicação técnica.