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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 375 | Agosto de 2008 | Campo Mourão - Paraná

Pulverização Agrícola

Gotas da eficiência

Coamo orienta cooperados para resultados mais estáveis durante a aplicação dos defensivos

Na agricultura moderna e competitiva quanto maior o lucro, melhor. Mas, mesmo com o avanço da tecnologia de aplicação, aliada ao uso de produtos fitossanitários de grande eficiência e os maquinários de última geração, produtores ainda deixam de ganhar. Eles não sabem o quanto estão perdendo nas suas lavouras, em função de diversos problemas que influenciam diretamente a ineficiência na aplicação dos produtos agroquímicos.

Por outro lado, a tecnologia de fabricação de máquinas e implementos tem evoluído gradativamente com o lançamento de novos produtos no mercado para atender as necessidades e as novas demandas. E como usuários e empresários rurais, os agricultores, por sua vez, devem fazer a sua parte e estar cada vez mais atentos no acompanhamento desta evolução e trabalhar para evitar custos maiores, perdas de produtividades e do lucro.

Perdas por falhas na aplicação chegam a 10%

Nas Reuniões de Campo da diretoria da Coamo neste 2º semestre realizadas em 36 unidades nos meses de julho e agosto, o gerente de Assistência Técnica da Coamo, Nei Leocádio Cesconetto, apresentou aos cooperados o importante trabalho de aplicação de defensivos que vem sendo realizado junto aos cooperados. Cesconetto lembrou do programa Coamo Tecnologia de Aplicação (TA) lançado em 2003 em parceria com a Bayer, Jacto, Unesp e Faculdades Luiz Meneghel, e das inspeções de pulverizadores promovidas em 2007 em parceria com a Du Pont nas unidades da cooperativa. Quando do lançamento do TA, por exemplo, a Coamo produziu com os parceiros boletins técnicos e calendário como instrumento de orientação para os cooperados visando a melhor aplicação nas suas lavouras.

“O Detec da Coamo está orientando continuamente os cooperados quanto aos cuidados que devem ser tomados em relação aos pulverizadores para que seja obtida uma eficiente aplicação. É importante que cada cooperado verifique periodicamente as condições dos seus pulverizadores quanto aos problemas comuns de vazamento, mangueiras e filtros danificados, pontas e bicos, manômetros, entre outros”, explica Cesconetto, afirmando que a cada ano vem sendo registrada uma melhoria por parte dos produtores que, mais conscientes estão seguindo as orientações técnicas e contabilizando melhores resultados.

O avanço do plantio de soja e milho também pode ser justificado pela redução de alguns cultivos, como é o caso do algodão (15%), e também levando em contado as áreas de pastagem que estão em processo de reforma pelos produtores rurais.

Insumos e produtividades – Mesmo com o trabalho realizado pela Coamo com o Programa TA, ainda chama a atenção, o fato levantado por alguns pesquisadores, professores e especialistas em TA, sobre os índice de prejuízos nos “Insumos” e nas “Produtividades”. A média de perdas pelas falhas de aplicação dos insumos varia de 10% a 12%, enquanto que nas produtividades por falha no controle de ervas daninhas, pragas e doenças, elas estão na faixa de 10% a 15%. “Cada caso é um caso e diante dos resultados a nossa orientação é para que o cooperado redobre sua atenção para verificar e buscar o uso correto e eficaz dos seus equipamentos e assim, obter melhores produtividades com redução de custos”, considera Cesconetto.

Perdas por alqueire – Conforme o quadro abaixo, se o produtor estiver perdendo 10% nos insumos para as lavouras de soja e trigo e 10% de produtividade, o prejuízo será de R$ 826,56 por alqueire/ano, dos quais R$ 76,56 (Insumos) e R$ 750,00 (produtividades). Havendo este índice de perdas em uma área de 10 alqueires, o prejuízo anual seria de R$ 8.265,60, equivalente a 200 sacas de soja ou ainda a R$ 688,80 por mês. Em uma área de 100 alqueires, o prejuízo anual seria de R$ 165.312,00 e 4.000 sacas de soja. Por mês, o prejuízo seria de R$ 6.888,00. “São números impressionantes que certamente podem provocar uma reflexão e uma mudança de atitudes dos produtores, devido aos valores que podem ser contabilizados em caso de uma correta aplicação de defensivos na atividade agrícola”.

Aprendendo na prática

Ao longo dos seus 38 anos de existência, a Coamo, através da sua assistência técnica, está atenta e vem prestando orientações diretas no campo aos seus cooperados mediantes reuniões, cursos e treinamentos, no sentido de capacitar cooperados, filhos e empregados, visando aprimorar a aprendizagem e a prática correta da tecnologia de aplicação e o incremento de renda na propriedade.

O Centro de Treinamento Agrícola da Coamo (CTA), com o apoio do Serviço de Aprendizagem Rural (Senar) é um dos instrumentos utilizados pela cooperativa para orientar corretamente os usuários de equipamentos quanto ao uso dos pulverizadores e uma eficiente aplicação dos defensivos. Nos últimos 20 anos, o CTA promoveu 451 cursos de regulagem de pulverizador, que reuniram mais de 7,5 mil pessoas em várias regiões da área de ação da cooperativa. “O sucesso das aplicações depende de diversos fatores, como o diagnóstico do alvo, os produtos recomendados, além das condições do ambiente e do manuseio dos equipamentos de pulverização”, considera Domingos Carlos Basso, instrutor de treinamento do CTA da Coamo.

Safra pode ficar comprometida

O cooperado Marcelo Adriani Detofol, que faz a sua movimentação na Coamo de Boa Esperança (Centro-Oeste do Paraná), é um dos muitos cooperados que participaram das inspeções de pulverizadores. Valorizando o trabalho, o produtor considerou a iniciativa decisiva para a mudança de atitudes dos cooperados. “Precisávamos destas informações. Eu, por exemplo, verifiquei que um dos meus pulverizadores apresentava defeitos, com uma mangueira dobrada. A inspeção detectou o problema e me fez ficar mais atento para resolver os problemas dos equipamentos e garantir melhores resultados no trabalho”, garante.

Detofol lembra que antes era mais difícil fazer a aplicação com pulverizador de 600 litros. “Hoje em dia o pulverizador moderno tem capacidade para 3.000 litros e ainda cometemos falhas na aplicação”, comenta o cooperado, explicando, porém, que a tecnologia está mais moderna e o agricultor mais consciente com a preocupação de melhorar seus resultados a cada nova safra. “Existem bicos de grande qualidade tanto para a dessecação quanto para o pós-emergente. Os produtores sabem que se não fizerem a coisa certa no uso, manuseio e na aplicação dos defensivos podem perder bastante. É uma situação bem diferente daquela vivida em anos anteriores quando os produtores chegavam a usar até 3 bicos diferentes numa mesma barra, o que não é recomendável”.

Com uma área de 300 alqueires, o cooperado planta milho e trigo no inverno e na safra de verão semeia soja e milho. Ele sabe bem a importância de se trabalhar com a determinação de buscar a redução de custos e o incremento da produtividade na lavoura. “Na maioria das vezes a gente não faz o cálculo de quanto pode estar perdendo com uma pulverização mal feita, a gente aprende que nem sempre a pressa é o melhor caminho, precisamos aplicar bem e da forma correta os nossos insumos, pois uma aplicação ineficiente pode influenciar o rendimento de uma safra”.

“Bicos evitam perdas”, diz Demarco

Ao lado do irmão Claudiney e do pai Vitor, Eugênio Demarco integra uma família de cooperativistas que fazem muito bem a sua parte na produção de alimentos. Residente em Guarani, distrito de Mamborê (Centro-Oeste do Paraná), eles conhecem bem as condições dos seus pulverizadores e a importância do manuseio correto para o sucesso de cada safra. “Aqui na nossa propriedade de 170 alqueires somos nós que regulamos os pulverizadores e fazemos a manutenção. E isso é muito importante, porque ficamos conhecendo a realidade dos equipamentos e o que temos que melhorar”, afirma Demarco.

Com a orientação da Coamo e a participação no Programa Tecnologia de Aplicação da Coamo (TA) e na inspeção de pulverizadores promovida em Mamborê, a família Demarco aumentou a sua conscientização para evitar problemas comuns quando se trata de pulverização. “Na safra passada constatamos, após a inspeção, que precisávamos trocar os bicos, porque é por eles que passam os insumos que custam muito. Então, demos atenção especial aos bicos – temos três jogos na propriedade, à limpeza dos equipamentos e ao horário de aplicação de insumos, levando em consideração os fatores clima, temperatura e umidade. Desta maneira, percebemos que deixamos de perder e passamos a lucrar, com mais qualidade na aplicação”, assegura o cooperado.

Para o agrônomo Roberto Petry, do Detec da Coamo em Mamborê, os cooperados estão mais interessados e conscientes na questão custo-benefício e desejam reduzir seus custos e aumentar o ganho. “As falhas de aplicação que passam pelos bicos provocam desperdício de insumos que na maioria das vezes são despesas invisíveis e que passam despercebidas. Por isso, o caminho do agricultor passa pela atenção e cuidados com os equipamentos, fazendo as verificações periódicas e observações necessárias para a qualidade 100% na aplicação”, destaca Petry.

Condições ideais para pulverizar

“Se o cooperado tem grande cuidado na hora de escolher os insumos para sua lavoura e usar defensivos com melhor eficiência no mercado ele deveria ter o mesmo cuidado para o uso correto e aplicação na sua pulverização. A consideração é do agrônomo Eugenio Mateus Schleder Pawlina Júnior, do Detec da Coamo em Engenheiro Beltrão (Noroeste do Paraná). Segundo Pawlina, a pulverização eficaz é de suma importância e pode determinar o lucro e o sucesso do produtor na sua safra. “Felizmente, hoje os erros estão minimizados, mas muitos ainda não conseguem dimensionar o quanto está perdendo com a ocorrência de vazamentos, mangueiras retorcidas, filtros danificados, pontas de aplicação inadequadas e até com manômetros”, destaca.

Um dos bons exemplos de aplicação eficiente na região de Engenheiro Beltrão é a do cooperado Carlos Eduardo De Angeli que participou da inspeção de pulverizadores realizada pela Coamo. De Angeli revela que o evento oportunizou a visualização e o aprimoramento das informações dos seus equipamentos. “Verifiquei que os meus resultados foram bons, mas ainda tenho a consciência que preciso melhorar sempre. Precisamos estar atentos as regulagens e a cada tipo de aplicação, sempre tendo o cuidado para que não haja vazamento, que se ocorrer vai resultar em prejuízo no nosso bolso”.

Fatores – Para De Angeli, cooperado há 15 anos, que cultiva 60 alqueires junto com a família, não basta ter um maquinário de última geração se o produtor não fizer uma boa aplicação. Ele tem a noção exata dos fatores que determinam o sucesso da aplicação de defensivos. “Além do maquinário perfeito, é importante observar na prática as condições de umidade, do vento e da temperatura, bem diferente. O segredo é estar bem informado e buscar eficiência no alvo, pois de nada adiante ter uma máquina moderna e ter perdas de insumos e produtividade. É a mesma coisa que comprar uma ferrari e usar como se fosse um fusquinha”, compara.