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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 375 | Agosto de 2008 | Campo Mourão - Paraná

Reuniões de Campo

Informação com tradição

Chova ou faça sol, frio ou calor, encontros têm presença garantida dos cooperados, interessados em “colher” informações com conteúdo

As Reuniões de Campo com a diretoria da Coamo deste segundo semestre aconteceram de 28 de julho a 19 de agosto. Foram promovidos 36 encontros nos principais entrepostos da cooperativa, com o objetivo de integrar os associados e levar informação com conteúdo ao quadro social. A maratona já é tradicional entre os eventos da Coamo. Não importa o clima. Chova ou faça sol, frio ou calor, os encontros são realizados sempre com a presença de muitos cooperados, interessados em “colher” informações na hora certa e com conteúdo.

Há exatos 38 anos os cooperados da Coamo recebem orientações da diretoria nas Reuniões de Campo. Sempre no início e no final de cada safra o diretor-presidente da cooperativa, José Aroldo Gallassini, faz questão de percorrer todas as regiões da área de atuação da Coamo para levar mais conhecimento aos agricultores. Durante o período, cerca de cinco mil quilômetros foram percorridos pela diretoria nos três estados onde a Coamo está presente (Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul). As Reuniões de Campo deste segundo semestre reuniram mais de seis mil cooperados.

Mais soja e milho no próximo verão

Estimativa da Coamo é de que o plantio das duas culturas crescerá na região de atuação da cooperativa, na safra 2008/09

O diretor-presidente da Coamo José Aroldo Gallassini, ao coordenar as Reuniões de Campo deste segundo semestre, revelou que a área de soja e milho crescerá 2,3% na região de atuação da cooperativa, em comparacão com o ano anterior. A soja ganhará 32 mil hectares a mais e o milho terá cinco mil hectares a mais na safra de verão 2008/09. Os dados constam da previsão estimada pelo Detec da Coamo.

O presidente da Coamo explicou que a variação para cima foi motivada, principalmente, por causa do bom momento de preços vivido pelas duas commodities. “Na verdade, consideramos que há uma estabilidade na área de plantio, já que o cooperado está fazendo o que sempre fez, levando em conta os aspectos técnico-agronômico e econômicos para tomar as decisões de investimento no campo”, disse.

O avanço do plantio de soja e milho também pode ser justificado pela redução de alguns cultivos, como é o caso do algodão (15%), e também levando em contado as áreas de pastagem que estão em processo de reforma pelos produtores rurais.

Produtividade – A estimativa de produtividade para a nova safra é de que a soja volte aos níveis normais entre os cooperados. Com um aumento de 2% na área e 2% na produtividade. As médias devem figurar ao redor de 3 mil quilos por hectare. Com o milho a perspectiva não é diferente. O cereal, segundo a estimativa da Coamo, deve repetir a boa safra do ano passado, com uma produtividade média ao redor de 8 mil quilos por hectare.

Boa margem – Além da boa produtividade esperada para a nova safra, o produtor também trabalha com um indicativo de boa rentabilidade, mesmo considerando a elevação dos custos dos insumos, na comparação com o ano anterior. Segundo Gallassini, com boa produção e venda, a soja deixaria uma margem de líquida de 48% para o cooperado. No caso do milho a margem líquida seria de 35%. “Isto significa que os nossos cooperados tiveram grandes vantagens quando efetuaram a compra antecipada dos produtos, sobretudo fertilizantes e defensivos, no Plano Safra da cooperativa”, destacou.

Custo puxado pelos fertilizantes

Em média, adubo para a soja subiu 100% e para o milho 80%, na comparação com os preços praticados na safra anterior

O óleo diesel não é mais o único responsável pelo elevação do custo de produção da safra de verão. Neste ano, o aumento o valor do investimento nas lavouras foi puxado pelo preço dos fertilizantes. Nas Reuniões de Campo deste segundo semestre o presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini, lembrou que na média os fertilizantes para a soja subiram 100% e para o milho 80%. “Os fertilizantes são, de fato, os grandes responsáveis pela elevação do custo de produção. Hoje eles representam 40% no custo total de um alqueire de soja e 41,5% no milho, por exemplo, principalmente em função do aumento do custo do potássio, que faz parte da fórmula da maioria dos adubos”, disse Gallassini, observando que, por outro lado, alguns herbicidas e fungicidas até baixaram

Com relação ao óleo diesel, Gallassini observou que a média de aumento é de 13%, em relação ao preço praticado na safra anterior. O combustível representa 6% do custo por alqueire, para o produtor. “Antes não tínhamos o óleo diesel como um custo considerável. Hoje já não podemos mais pensar assim”, alertou.

Convencional e transgênica – Para o presidente da Coamo, os sojicultores que migraram para o plantio de variedades transgênicas em função do custo de produção ser menor já podem pensar em voltar a cultivar soja convencional. Ele observa que na safra 2005/06 a soja transgênica representava 20% de economia no custo de produção, quando comparada com a convencional. Em 2006/07 esse percentual diminuiu para 13% e ficou em 7% na safra passada. “Hoje essa diferença é de apenas 1,5% e pode ser menor ainda. Os produtores que optaram pelo plantio dessas variedades para baixar seu custo ou até por problemas de ervas resistentes, se preferirem cultivar soja convencional novamente esse é o momento. Até porque temos o prêmio por saca para quem opta por variedades convencionais”.

Retorno de mais de R$ 100 milhões

Volume de dinheiro foi devolvido ao quadro social da Coamo somente no primeiro semestre através dos projetos da cooperativa

De modo geral, segundo o presidente da Coamo, Dr. Aroldo Gallassini, a safra 2007/2008 sofreu perdas entre 10 e 20%, por motivos de seca em algumas regiões. No entanto, os altos preços no mercado compensaram redução no volume de produção. “Com o bom rendimento da colheita, o nosso cooperado conseguiu se capitalizar ou, pelo menos, diminuir as suas dificuldades acumuladas ao longo das últimas safras atingidas por seguidas frustrações”, ressaltou o dirigente da Coamo, durante as Reuniões de Campo deste segundo semestre. Ele lembrou também que neste período os cooperados foram beneficiados com a devolução, por parte da cooperativa, de R$ 100 milhões.

O dinheiro retornou aos associados através da devolução de ICMS; pagamento de sobras; bônus de soja convencional; ajuda de custo de frete; prêmio de atuação do cooperado; prêmio de produção de sementes e restituição de capital por idade, entre outros. “São benefícios que gostamos de mostrar ao cooperado, porque muitos acabam não se dando conta disso. São valores distribuídos apenas nesse primeiro semestre. Estamos sempre ao lado do nosso cooperado, auxiliando-o em todos os momentos”, comenta o presidente da Coamo.

Seguro rural: insumo básico

Há uma boa diferença entre poder contar ou não com o seguro agrícola, sobretudo quando houver frustração da colheita

Para a safra de verão 2008/09 uma das grandes novidades, quando o assunto é o financiamento de custeio, é o maior volume de recursos do governo federal para a subvenção dos prêmios do seguro agrícola. Serão R$ 160 milhões, contra R$ 99 milhões disponibilizados na safra passada. Com este incentivo, o governo federal espera elevar o número de produtores rurais que farão adesão ao seguro agrícola, já que o dinheiro da subvenção é suficiente para cobrir 10% da área agrícola do Brasil.

Para o gerente de Assistência Técnica da Coamo, Nei Leocádio Cesconetto, o seguro rural deixou de ser apenas um item a mais no custo de produção e passou e ser um insumo básico. Durante as Reuniões de Campo deste segundo semestre, Cesconetto exemplificou aos produtores a diferença entre poder contar com o seguro no momento de frustração da colheita. Ele revelou que o investimento no seguro é de R$ 82,36 por alqueire, ou duas sacas de soja por alqueire, variando conforme o município. “Se o produtor levar em contar uma quebra de 50% da sua safra de soja, com estas taxas, por exemplo, ele ainda vai sair no lucro. Se ele fez a opção pelo seguro, o resultado final será de R$ 420,00 por alqueire. Sem o seguro, o prejuízo do agricultor, nesta mesma área, será na ordem de R$ 218,00”, contabilizou.

Um comparativo apresentado por Cesconetto mostrou que as perdas do produtor rural podem ser grandes, dependendo da área cultivada. “Há uma boa diferença entre poder contar ou não com o seguro agrícola, sobretudo quando houver frustração da colheita”, argumentou.

Soja valorizada, em dólar

Previsão de regularidade nos estoques mundiais de grãos é um bom sinal para a manutenção dos preços na próxima safra

A comercialização de produtos agrícolas e o comportamento do mercado são temas que chamam a atenção dos cooperados nas Reuniões de Campo. As informações repassadas pela diretoria auxiliam os cooperados a decidirem melhor sobre qual cultura e a quantidade de área que ela será semeada na propriedade.

Nos encontros deste segundo semestre, o diretor-presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini, disse que o dólar segue sendo o principal vilão da agricultura. Com a moeda americana em baixa, os preços das commodities vivem um momento de apreensão. Gallassini explica que, no caso da soja, os preços se elevaram de junho de 2007 para cá, em razão da valorização em dólar. Ou seja, enquanto o preço médio da saca de soja foi de U$$ 14,69 em julho do ano passado, esse valor saltou para U$$ 30,03, em média, no mesmo período deste ano. “Foi justamente por este motivo que tivemos bons preços na safra deste ano, mesmo com o dólar baixo, ou então teríamos comercializado a produção do último verão com preços bem aquém do esperado”, justifica o presidente da Coamo.

Contudo, Gallassini adianta que de acordo com as previsões, os estoques mundiais devem se manter regulares, o que é um bom sinal para a manutenção dos preços. O estoque final de soja da safra 2008/2009 deve ficar em torno de 49,39 milhões de toneladas, contra 49,2 na safra passada, segundo o USDA – Departamento de Agricultura os Estados Unidos. No mercado interno, os números também devem ser parecidos com a última safra.

O milho, por sua vez, teve uma valorização de 63% no primeiro semestre deste ano, provocado pelo atraso no plantio da safra americana, onde os produtores perderam o período ideal de instalação da cultura em razão das fortes chuvas que alagaram boa parte das regiões produtoras dos EUA. Mas houve melhoras nas condições das lavouras e um declínio na cotação de outras commodities, em especial o petróleo, que motivou a desvalorização do produto nos últimos meses.

Outro produto que continuará sentindo os reflexos do mercado internacional é o trigo. A queda na safra 2007/08 está sendo compensada pela boa perspectiva da safra deste ano. A indústria moageira do Brasil está abastecida e a previsão é que as compras devam ser realizadas em março de 2009. Os preços atuais estão abaixo do mínimo e o governo está sendo acionado para lançar medidas de apoio ao triticultores brasileiros.

FALA COOPERADO:


 

 

 

Jovar Paulino Moreira, de Boa Esperança (Centro-Oeste do Paraná) - “Participo de todas as reuniões com a diretoria aqui na minha região. Todas as informações que recebemos são muito importantes para o nosso trabalho. Hoje, percebi que a boa notícia vem do mercado. Os preços neste ano já foram bons e a expectativa para a próxima safra é a melhor possível. A diretoria está de parabéns pelo empenho neste trabalho de bem informar os cooperados”.