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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 375 | Agosto de 2008 | Campo Mourão - Paraná

Safra de Inverno

Safrinha produtiva, apesar do clima

Geada de junho comprometeu parte da produtividade neste inverno, mas cooperados comemoram bons resultados no campo

A segunda safra de milho superou de vez a primeira (verão) na área de ação da Coamo. Neste ano, a safrinha tem praticamente o dobro do milho plantado no último no verão. Com a safrinha, os cooperados cultivaram neste ano um total de 421,3 mil hectares, uma variação de 10,4% para cima, na comparação com o ano passado. No verão 2007/08, os associados da Coamo plantaram 250,8 mil hectares de milho.

Nas regiões onde o cultivo da safrinha é favorável, os cooperados optam pela alternativa por causa do bom rendimento do cereal em relação ao custo. “Normalmente, os produtores não investiam muito na safrinha. Mas esta realidade está mudando. Eles estão enxergando que o milho responde bem, também no inverno. Quando o ano vai bem, eles ganham dinheiro, sobretudo os que seguem as indicações do zoneamento agrícola e as orientações técnicas”, enfatiza Antonio Carlos Ostrowski, supervisor de Assistência Técnica da Coamo.

Quem investiu bem e colheu os resultados foi o cooperado Osvaldo Nunes Vieira, de Juranda, no Centro-Oeste paranaense. Para ele, a safrinha é a principal opção comercial de inverno. “Planto todos os anos e sempre colho bem”, revela Vieira. O capricho com a cultura é um dos segredos do cooperado. Ele também não abre mão dos investimentos na tecnologia, visando sempre os resultados positivos. “A minha estratégia está no planejamento. Procuro olhar a propriedade como um todo. Quando planto a soja já penso na safrinha de milho. Assim fica mais fácil acertar”, destaca o produtor.

Zoneamento – Os talhões mais altos da propriedade de Vieira são reservados para o cultivo da safrinha. Nestas áreas ele planta a soja precoce no verão, visando a semeadura da safrinha até, no máximo, o dia 15 de fevereiro. “Ficar atento ao zoneamento é o primeiro passo para acertar na planta”, garante o cooperado, que fechou a colheita da safrinha com uma produtividade média de 250 sacas por alqueire. Em alguns talhões, com os primeiros híbridos que chegaram ao ponto de colheita, a média chegou a 300 sacas por alqueire.

“Trabalhar da maneira certa garante mais dinheiro no bolso do produtor”, afirma o agrônomo Pedro Dias da Silva Júnior, do Detec da Coamo em Juranda. Ele diz que o produtor tem que se preparar para os anos bons, que é quando ele vai garantir um bom resultado com a sua atividade. “O segredo é evitar riscos de prejuízos quando o ano não correr tão bem”, assegura Dias Júnior.

Investimento “pé no chão”

O cooperado Kleber Formagio, de Boa Esperança, também no Centro-Oeste do Paraná, é outro que não abre mão do planejamento quando o assunto é plantio do milho safrinha. Ele confessa ser um “milhocultor” de carteirinha. “Gosto muito da cultura e invisto para produzir, mas sempre mantendo os pés no chão”, revela. A estratégia de Formagio para o cultivo da safrinha está ligada diretamente ao período de zoneamento de plantio. “É fundamental utilizar todas as informações necessárias para obter sucesso com a safrinha, além dos investimentos tecnológicos e o apoio da cooperativa”, destaca o produtor.

O milho cultivado por Formagio no verão entra no esquema de rotação de culturas. No inverno, o cereal é a principal alternativa econômica. Neste ano, o milho safrinha ocupou todos os 70 alqueires da propriedade. “É sempre boa opção”, garante o cooperado. “A nossa região favorece o plantio, então temos que tirar o máximo proveito dos fatores que podemos controlar, como o uso da tecnologia e a decisão sobre a hora de plantar”, completa, revelando que a colheita deste ano foi fechada com uma produtividade média de 250 sacas por alqueire.

Acima da média – Os números alcançados pelo cooperado nesta safra estão acima da produtividade média esperada para a região de Boa Esperança. O agrônomo Alfeu Luiz Fachin, responsável pelo Detec da Coamo no município, informa que a colheita da safrinha na região já está praticamente no final. “Apesar da frustração com a geada, em algumas áreas, na média geral a safra será boa, ficando entre 140 a 145 sacas por alqueire”, contabiliza. Ele explica que a decisão de cultivar a safrinha com consciência é fundamental para a construção dos resultados positivos. “Em anos bons o produtor terá sucesso. E em anos mais difíceis, os resultados ainda ficarão, certamente, na média”, garante o técnico.

Os campos dourados de Ivaiporã

Clima favorável e alta tecnologia garantem a Ivaiporã destaque no cultivo e produção do cereal na área de atuação da Coamo


Nos campos de Ivaiporã (Centro do Paraná), o trigo tem lugar de destaque neste inverno. Cultura importante para a economia local, o cereal sempre foi o preferido dos agricultores da região quando o assunto é o plantio comercial na época mais seca do ano. Nas propriedades dos cooperados da Coamo no município, 25 mil hectares foram semeados com o trigo nesta safra. Um incremento de 25%, em comparação com a área cultivada na safra passada. Outro avanço está sendo esperado na produtividade. As médias colhidas na região devem crescer entre 15% e 20%, segundo estimativa do Detec da Coamo em Ivaiporã.

O cooperado José Carlos Petrassi, do sítio Dois Irmãos, localizado na região do Jardim da Curva, é um dos produtores tradicionais no cultivo do trigo em Ivaiporã. Ele revela que o cereal sempre fez parte do projeto de plantio de inverno na propriedade da sua família, que está a 40 anos na região. “O trigo é uma alternativa rentável quando o produtor acredita e investe. E no nosso caso mais ainda, uma vez que a região ajuda no desenvolvimento da lavoura”, comemora.

Estratégia de sustentabilidade – A exemplo dos anos anteriores, nesta safra o trigo ocupou 60% da área cultivável da propriedade de Petrassi. O cereal está plantado nos talhões que receberão a soja na safra de verão. A estratégia é adotada pelo cooperado de olho na rotação de culturas. “O trigo e a soja são excelentes opções para a construção de resultados sustentáveis com a atividade agrícola. Aqui na nossa região, este casamento é perfeito”, afirma o agrônomo João Francisco Pazda Júnior, encarregado do Detec da Coamo em Ivaiporã. Ele explica que outra vantagem do cultivo rotacionado entre o trigo e a soja é a reciclagem de nutrientes, que acontece por causa do sistema radicular das duas plantas. “O trigo, por ser uma gramínea, busca nutrientes no solo que a soja não consegue alcançar, por ser uma leguminosa. E vice-versa. Assim, ambos aproveitam da ‘rotação de raízes’. Sem contar que o trigo deixa boa parte da adubação no solo, racionalizando o investimento para o produtor no verão”, destaca.

Opção econômica – A expectativa do cooperado José Carlos Petrassi é de que o trigo tenha um rendimento maior nesta safra. Dependendo do andamento do clima, fator que pode comprometer a colheita do cereal, o produtor deve fechar a colheita com uma produtividade média superior a 120 sacas por alqueire. “O trigo, no meu caso, é uma excelente opção econômica. Por isso, não penso para investir. E trabalhando desta forma, não tem como errar. Em anos bons o rendimento é garantido e em anos difíceis ainda conservamos as médias, sem perder dinheiro”, afirma.

Mais trigo neste inverno


 

Informações da gerência Técnica da Coamo dão conta de que na área de ação da cooperativa o plantio de trigo cresceu 16,7% em relação ao cultivado no ano anterior (de 239,9 mil hectares para 274,1 mil hectares). A produção também deve crescer (24,4%) em relação à safra passada. Com isso, a produtividade média da cultura deve saltar 6,6% na comparação com o ano anterior.

Isoladamente, a região de Ivaiporã é a que mais plantou trigo neste inverno na área de atuação da cooperativa (25 mil hectares). A unidade da Coamo no município tem previsão de receber, nesta safra, cerca de 16% da produção de trigo colhida pelos associados.