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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 386 | Agosto de 2009 | Campo Mourão - Paraná

Conscientização

Fechando o cerco contra a buva

Coamo lança campanha “Semana da Buva” e desencadeia ações simultâneas em todos os entrepostos para o combate da invasora

Se há bem pouco tempo a buva era problema para uma minoria de produtores rurais, hoje ela já causa preocupação em muitas regiões do Paraná e em Mato Grosso do Sul. Conhecida também por “voadeira”, ela ampliou a população resistente ao herbicida glifosato e vem se espalhando rapidamente pelos campos comerciais. A invasora, hoje, seguramente, é um problema de gravidade média em todas as regiões produtivas do Paraná, sendo que até 2007, a erva daninha gerava preocupação apenas no Oeste e parte do Sudoeste paranaense.

Preocupada com o problema, há três anos a Coamo aprofundou o tema e passou a desenvolver, na sua Fazenda Experimental, uma série de experimentos, em parceria com a pesquisa oficial, a fim de encontrar o maior número de alternativas possíveis que possam dar suporte ao combate da planta daninha, que tem alto poder de competitividade com as lavouras. O trabalho foi coordenado pelos pesquisadores Fernando Adegas e Dionízio Gazziero, da Embrapa Soja, de Londrina, no Norte paranaense. E os resultados alcançados foram demonstrados este ano em duas estações no 21º Encontro de Cooperados da Coamo, realizado em fevereiro, para mais de três mil agricultores de toda área de ação da cooperativa. O tema também foi levado, com destaque, nas Reuniões de Campo realizadas neste segundo semestre, onde participaram mais de 10 mil cooperados.

DESCOBERTAS – Os pesquisadores da Embrapa Soja consta-taram que uma planta de buva produz de 100 a 300 mil sementes e, por serem aladas, elas podem “voar” até 65 quilômetros antes de germinarem. Além disso, a buva é uma planta extremamente agressiva. De cada centímetro que ele cresce para fora, outros três se desenvolvem dentro do solo. Uma planta com dez centímetros acima do solo, por exemplo, tem outros 30 de raiz e compete de forma desleal por água, luz e nutrientes com a lavoura. Competição esta, que pode ocasionar até 40% de perda na produtividade, sem contar as perdas com impureza dos grãos.

No experimento conduzido por Adegas e Gazziero, com apoio do Detec da Coamo, foi observado que na área testemunha, sem a presença de buva, a soja teve rendimento médio de 127 sacas por alqueire. E com a presença de três plantas de buva por metro quadrado foi registrada uma perda de 10 sacas por alqueire. Já com seis plantas por metro quadrado a perda praticamente triplicou. E na comparação entre a área com nenhuma planta e a presença de 28 plantas por metro quadrado, a redução de produtividade foi de 60 sacas por alqueire.

Na análise de Costa, em função do grande banco de sementes no solo, este ano o ataque da planta daninha nas áreas comerciais será muito maior. Segundo o agrônomo, é grande a intensidade da planta por metro quadrado. “Estamos nos deparando com a maior infestação vista até hoje, em termos de superfície de área de ocorrência da buva, e especialmente em relação a quantidade, porque o número por metro quadrado da planta daninha é surpreendente. Por conta disso, estamos nos mobilizando para dar suporte ao nosso cooperado”, alerta, lembrando que todos devem encarar a erva daninha como muito perigosa, muito embora existam ações de controle, já comprovadas, bastante eficazes.

 

Semana de combate

O problema chama tanto a atenção que durante uma semana todos os entrepostos da Coamo realizaram, através do Detec, a “Semana de Combate a Buva”, com objetivo de orientar os cooperados para a gravidade do problema. Além do “corpo a corpo” dos agrônomos com os produtores, a cooperativa também mostrou a realidade da expansão da buva em campanhas de programas de rádio e jornal, e cartazes explicativos entre outras ações.

AÇÕES DE CONTROLE – A dessecação da área após a colheita da safrinha e do trigo é a primeira medida a ser adotada. Além de que, são várias as alternativas de produtos e operacionalidade de aplicações indicadas pela assistência técnica, dependendo da realidade de cada um. “O que o produtor não pode é perder a época ideal de entrar aplicando, que de acordo com a pesquisa, deve ser quando a planta tiver o porte de no máximo de 15 a 30 centímetros. Rotacionar a área com trigo e aveia no inverno também é uma ótima opção para impedir o surgimento da erva daninha, além do constante monitoramento da lavoura”, orienta o agrônomo Luis César Voytena, do Detec da Coamo em Campo Mourão.

GRADEAÇÃO? NEM PENSAR – Entre os técnicos, a atitude de gradear a área na intenção de segurar o crescimento da erva se resume em uma única palavra: desespero. Além de não resolver, essa ação piora ainda mais a situação, uma vez que o banco de sementes presente no solo acaba sendo revolvido, o que acelera ainda mais a disseminação da erva, além de acabar com o sistema de plantio direito, que na maioria absoluta dos casos demorou décadas para ser construído.

SAIBA MAIS – No Brasil existem hoje apenas duas espécies de buva, enquanto na Argentina são 25 espécies da planta e cerca de 100 nos Estados Unidos. A invasora é capaz de se adaptar ao clima em todas as épocas do ano e por ter um sistema radicular agressivo resiste muito bem as condições de seca e estiagem. Enquanto na safra 2005/2006 a buva estava presente em cerca de 93,4 mil alqueires de área, hoje segundo a pesquisa, ela se espalhou por aproximadamente 400 mil alqueires de terras.