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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 386 | Agosto de 2009 | Campo Mourão - Paraná

Reconhecimento Nacional

Programa Coamo “Na Ponta do Lápis”: o melhor do Brasil em Gestão Profissional

Cooperativa recebe troféu do Prêmio OCB/Sescoop/Revista Globo Rural, conquistado pelo trabalho de gestão que garante eficiência dos seus associados

XNa agricultura e na pecuária nem sempre as safras são iguais, com altas produtividades e preços estáveis. Os homens e mulheres do campo sabem bem disso e estão fazendo a sua parte adotando estratégias para o gerenciamento das suas propriedades para garantir produtividade e alcançar lucratividade em suas propriedades. Os resultados conquistados a cada safra variam de produtor para produtor e de “caso a caso”, devendo ser levado em consideração o uso das tecnologias, do planejamento das suas lavouras e também a forma como é feito o gerenciamento das suas atividades, principalmente, em anos de boas produções.

Perto de completar 39 anos de existência, a Coamo tem atuação direta voltada para as necessidades e o sucesso dos seus co-operados. E na área de gestão rural, a cooperativa tem desenvolvido importantes ações ao longo dos anos para dar suporte que possibilite a sustentabilidade dos produtores associados, mediante controle e administração dos custos de produção, investimentos e despesas do sítio.

E esse trabalho acaba de ser reconhecido nacionalmente pela OCB, Sescoop e revista Globo Rural, com o prêmio OCB 2009. O Programa Coamo de Aperfeiçoa-mento em Gerenciamento Rural, o “Na Ponta do Lápis”, foi eleito o melhor projeto do país em Gestão Profissional.

O programa “Na Ponta do Lápis” foi idealizado e implantado em 2006 após a agricultura brasileira ter acumulado várias safras com problemas de clima, câmbio e comercialização. “Com a queda de rentabilidade, entendemos que era o momento de auxiliar os nossos cooperados, através de uma estratégia, para que pudessem conhecer, acompanhar e avaliar seus custos e despesas, para melhorar administrar seus negócios. E assim, foi criado o “Na Ponta do Lápis”, para aprimoramento de gestão, seja dos custos dos insumos e operações, como também das despesas familiar e da propriedade, consideradas invisíveis, e que nem sempre são contabilizadas pelos produtores”, explica Gallassini.

Objetivos do programa

Entre as metas propostas na filosofia do programa, destaque para as seguintes:

DESPERTAR para o espírito de mudança e a forma com que o cooperado observa a sua realidade no meio ambiente produtivo rural, objetivando a mudança na forma de verificar, avaliar e decidir suas atitudes e ações com relação aos custos da produção e das despesas da produção, propriedade e família.

DEMONSTRAR aos cooperados a necessidade de conhecer quais são as suas despesas “visíveis” e “invisíveis” no âmbito da propriedade rural (lavoura e família) visando o equilíbrio e o sucesso da família na atividade rural.

MELHORAR o gerenciamento rural dos cooperados por meio de mudança de atitudes e utilização de procedimentos administrativos com ferramentas simples e práticas (cartilha e planilhas) visando o exercício do controle de despesas e receitas da propriedade rural, de forma gradual e contínua, que permitam o exercício da administração rural.

REDUZIR os custos e as despesas visíveis e invisíveis da propriedade rural, propiciando o equilíbrio econômico, financeiro e social, visando o bem-estar e qualidade dos cooperados e familiares no meio ambiente produtivo rural, com o uso de uma eficaz gestão financeira e tecnológica, essenciais para o sucesso na administração e gerenciamento rural da propriedade.

Personificação da marca

 

 

 

 

 

 

 

Para representar o programa “Na Ponta do Lápis” foi criado um personagem para representar gestão das despesas e receitas do sítio. A figura do lápis foi a escolhida para estilizar o programa. Na concepção da marca, o lápis é apresentado na forma de um simpático boneco. Ao mesmo tempo que faz cálculos, ele transfere os resultados do controle para a planilha, cuja capa apresenta a identificação do programa e expõe o contorno de um cifrão como símbolo da lucratividade como objetivo principal da atividade agrícola ou pecuária.

Da cartilha à planilha eletrônica: contas ao alcance das mãos

Centenas de cooperados receberam treinamentos e orientações, com a distribuição inicial de cartilha, de fácil manuseio, para anotações dos seus custos de produção e despesas, contendo kit, formado por pasta para arquivo de documentos (notas fiscais), além de cadernetinha, caneta, lápis e calculadora, para realização das suas operações. Numa segunda etapa, foi disponibilizada a versão informatizada do programa composta por planilhas eletrônicas que estão sendo preenchidas por um bom número de produtores na prática deste importante programa de gerenciamento rural.

CUSTO VARIÁVEL – Para o gerente de Assistência Técnica da Coamo, Nei Leocádio Cesconetto, o programa “Na Ponta do Lápis” é um bom instrumento para auxiliar no planejamento e na administração das atividades e da propriedade como um todo. “Na parte da lavoura, por exemplo, os cooperados registram o custo variável total, reunindo o custo de produção, que são investimentos para obter produtividades, com insumos (sementes, fertilizantes, herbicidas, entre outros), e as operações referente ao preparo de solo (dessecação, plantio e pulverização). Assim, em cada atividade o cooperado tem uma noção exata de quanto custa para produzir uma saca de soja, por exemplo”.

DESPESAS INVISÍVEIS – As despesas extra-atividade são denominadas de “invisíveis” e se relacionam com aquelas praticadas nos âmbitos familiar e da empresa/propriedade, ou seja, estão fora dos investimentos utilizados para os fatores de produção. Assim, são aquelas oriundas de vários grupos com moradia, alimentação, higiene, limpeza, transporte, saúde e extra-escola. As que envolvem a empresa/propriedade são aquelas relacionadas com mão-de-obra fixa e temporária, manutenção das estradas, reformas, construção e manutenção de benfeitorias, além da conservação e correção do solo, e parcelas de investimentos, aquisições de máquinas e equipamentos.

Cooperados comemoram sucesso no campo

O cooperado Sidney Aparecido Silva, cultiva 110 alqueires em Janiópolis (Centro Oeste do Paraná) e conta com o apoio da esposa, Eliane, para anotar e levar todas as atividades do sítio e as despesas da família sob controle. “Antes eu não tinha o conhecimento real das despesas. Sequer fazia ideia. Mas, agora, tudo está diferente”, revela o cooperado. Ele diz que chegou a conclusão que a família precisa estar unida, quando o assunto é melhorar a rentabilidade da propriedade. Não há outro caminho. Aqui em casa, a minha esposa anota as despesas da casa e eu os custos da lavoura. Depois, fazemos um balanço de tudo. Assim, ficamos por dentro dos nossos custos e lucros” afirma Silva.

Para Elaine , a divisão de tarefas foi importante para o envolvimento da família e o planejamento da propriedade. “Juntos, ficamos sabendo onde podemos aplicar o nosso dinheiro. Mas, tem que ter muita disciplina, porque é uma mudança de hábito”, revela.

Em Peabiru, também no Centro-Oeste paranaense, o cooperado Aristides Fernandes é outro exemplo do sucesso do gerenciamento rural. Ele já tinha noções de gestão e planejamento. Aprendeu quando ainda fazia parte do Projeto Colono, da Coamo. “O controle e acompanhamento das despesas são essenciais e podem fazem diferença”, assegura o produtor, que cultiva uma área de 19 alqueires. Com o apoio da esposa, Teresa, o cooperado leva as contas do sítio e da casa sempre na ponta do lápis. E ensina: “controlar as despesas invisíveis são essenciais. Antes do programa, a gente não sabia quanto era o valor gasto por semana, por mês. Agora, tudo mudou. E para melhor, pois os custos com a lavoura é fácil saber, mas as despesas da casa, do mercado, do combustível, se não anotar, não dá para saber”, considera Fernandes.

O cooperado Daniel Weber, de Boa Ventura de São Roque (Centro do Paraná), diz que o programa está funcionando bem e é fácil de utilizar. “Sabemos o dia-a-dia da nossa propriedade. É uma ideia simples, mas exige disciplina e que seja feito todo dia, pois se não anotarmos podemos nos perder nas contas. Então, temos que ter muita determinação e anotar tudo, inclusive as despesas invisíveis que são pagas com o lucro da nossa lavoura”, informa, destacando a participação da esposa Valdirene no apoio as anotações. Segundo Weber, o programa veio ao encontro das suas necessidades. “Com ele, identifico e controlo os meus custos e posso prever o meu lucro”, destaca.

O cooperado Tercilio Pereira, do distrito de Piquirivaí, em Campo Mourão, no Centro-Oeste paranaense, foi um dos primeiros a utilizar o “Na Ponta do Lápis”. Inicialmente, Tercilio começou anotando tudo na cartilha e depois na planilha eletrônica. “Com este programa eu tenho noção de onde vai o meu dinheiro, e no caso das despesas invisíveis se deixar de anotar a gente não fica sabendo. No início eu assustei com as minhas despesas, mas foi só começar para mudar algumas coisas e melhorar a situação”, disse.

Outra vantagem apontada por Pereira é saber qual é, realmente, o custo de produção da sua lavoura. “Depois de pegar o jeito não tem mais erro. É possível prever o resultado. A minha rentabilidade, por exemplo aumentou, porque hoje eu sei quanto custa para produzir uma saca de soja. Então, vou saber se o preço de venda está bom ou não e qual será a minha margem. Por isso, o programa auxilia e muito na tomada de decisão e ajuda até a projetar o futuro”, considera.

INSTRUMENTO – Para o presidente da Coamo, Dr. Aroldo Gallassini, “o sucesso da atividade agropecuária não consiste apenas em obter altas produtividades, mas em planejar e gerenciar com eficiência”. A lucratividade, na opinião de Gallassini, está aliada à satisfação pessoal do empreendedor rural. “De nada adianta produzir bem se o agricultor não souber gerir o seu negócio. Este reconhecimento da OCB, Sescoop e revista Globo Rural é bem recebido pela Família Coamo e mostra que as nossas ações estão no caminho certo”, comemora.