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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 397 | Agosto de 2010 | Campo Mourão - Paraná

Cobertura do Solo

Região da Coamo tem 56 mil hectares com ruziziensis

Cultivada em sistema de consórcio com o milho safrinha ou solteira, forrageira cobre parte da área que será ocupada pela soja na área de ação da cooperativa na safra de verão 2010/11

Testada e aprovada no campo a Brachiária ruziziensis vem conquistando espaço entre as opções de cultivo de inverno em regiões onde o clima, na maior parte do ano, é quente e seco, como no Norte do Paraná e Sul do Mato Grosso do Sul. A alternativa, que aumenta o volume de palha sobre o solo, sobretudo em áreas arenosas, já é adotada em 56 mil hectares na região de abrangência da cooperativa, de acordo com um levantamento da Gerência de Assistência Técnica (Getec) da Coamo. Em sistema de consórcio com o milho safrinha ou solteira, a forrageira cobre parte da área que será ocupada pela soja na área de ação da Coamo na safra de verão 2010/11.

Os dados indicam que mais da metade da área de cultivo com a ruziziensis está distribuída entre as regiões atendidas pela cooperativa no Sul do Mato Grosso do Sul. Mas o plantio também avançou significativamente em outras regiões. Engenheiro Beltrão, por exemplo, no Noroeste do Paraná, é responsável pelo cultivo de 1,71 mil hectares da forrageira neste inverno. Ainda no Paraná, destaque também para Juranda, com 1,73 mil, e Campo Mourão, com 3,37 mil hectares cultivados.

VOLUME DE PALHA – “A formação de palhada sempre foi um problema em regiões como no arenito, onde coberturas com aveia e azevém são de pouca adaptação ao clima, além de se decomporem muito rapidamente em função das altas temperaturas”, lembra o agrônomo Marcelo Sumyia, supervisor da Getec da Coamo. O uso da ruziziensis, com bons resultados, está mudando essa realidade. “Os cooperados estão comprovando os efeitos positivos da cobertura, o que contribui para esse avanço no cultivo”, acrescenta Sumyia, informando que o cultivo solteiro da ruziziensis proporciona um volume de palha sobre o solo de até 12 toneladas por hectare, sendo, também, uma opção altamente eficaz para o controle de plantas daninhas como a buva.

CONSÓRCIO COM A SAFRINHA – Intercalada com o milho safrinha, a forrageira também é uma boa opção para dar sustentação ao solo no plantio da soja ou outra cultura que venha a ser implantada na sequência. Mas o cultivo consorciado requer cuidados, para a ruziziensis não oferecer competição por água, luz e nutrientes e reduzir a produtividade do milho. “Existem ferramentas para minimizar esse risco e adotar a tecnologia com efciência. O clima e o tipo do solo serão determinantes para a formulação de um esquema de produção mais adequado, dependendo da região”, alerta o agrônomo Alvimar Castelli, do Departamento Técnico (Detec) da Coamo em Campo Mourão.

EXPERIÊNCIA APROVADA – O cooperado Aldo Hannel, de Campo Mourão (Noroeste do Estado), consorciou a ruzizienses com o milho safrinha em 15 alqueires de sua propriedade. Ele decidiu investir no cultivo intercalado para buscar uma maior quantidade de matéria orgânica do solo. “Foi a minha primeira experiência e posso dizer que valeu a pena. Além da boa produtividade do milho safrinha – a média foi de 238 sacas por alqueire -, a forrageira deixou um excelente volume de palha sobre o solo, que será uma boa base para a soja”.

Alternativa para pastoreio

A Brachiária ruziziensis, a exemplo da aveia – indicada para o cultivo em regiões mais frias, também tem a vantagem de agregar ao sistema a possibilidade da produção de carne através do pastoreio dos animais. “Isso pode acontecer quando a forrageira estiver pronta para o pastejo ou quando a cultura do milho for colhida”, orienta o agrônomo Joaquim Mariano Costa, responsável pela Fazenda Experimental da Coamo. Ele afirma que esta é uma forma de capitalizar mais o produtor, tendo, ainda, uma melhoria nas condições físicas do solo.

A primeira opção é semear a braquiária após a colheita da soja e ter o pasto mais cedo, ou junto com o milho. No segundo caso, o pasto só estará pronto entre 15 ou 20 dias depois da colheita da safrinha. “O ideal, e que nós estamos indicando, é que o produtor opte por alternativas, fazendo parte da área com milho e braquiária consorciados e outra somente com braquiária para ter pastos mais cedo e mais tarde. Quanto mais diversificar, maior a probabilidade de não ter prejuízos”, enfatiza Costa.