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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 397 | Agosto de 2010 | Campo Mourão - Paraná

Produtividade

Soja: Uma safra que vale por duas

Leandro Ricci, cooperado da Coamo em Mamborê, vence concurso nacional de produtividade, com média de 108,4 sacas por hectare

Com o objetivo de verificar o potencial de produtividade no país, utilizando tecnologia e técnicas diferenciadas em sua condução, o Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb) lançou na safra 2009/10 o 1º Desafio de Produtividade Máxima que recebeu a inscrição de 800 produtores e consultores técnicos através de 66 áreas em 285 municípios de 10 estados brasileiros. O vencedor deste Concurso Nacional é o agricultor Leandro Sartorelli Ricci, cooperado da Coamo que cultiva em Mamborê, no Centro-Oeste do Paraná, junto com seu pai Aldilio Ricci, uma área de cerca de 196 alqueires plantando soja e milho, no verão, e trigo e milho segunda safra no inverno. O desafio também premiou os melhores produtores de soja das regiões centro-oeste, sudeste, sul, norte e nordeste, divididos pelas categorias área irrigada e não irrigada. Os vencedores ganharam uma viagem técnica aos principais centros de tecnologia e produção de soja dos Estados Unidos.

Ricci ganhou o concurso nacional do Cesb produzindo 108,4 sacas de soja por hectare, numa área de 8 hectares de soja transgênica semeada no Sítio Santo Antonio, em Mamborê. O cooperado plantou esta área especialmente para participar do Concurso Nacional não visando lucratividade, mas sim constatar a potencialidade máxima da cultura da soja.

SEGREDO – Não é novidade para a família Ricci conseguir altas produtividades tendo em vista o nível tecnológico adotado nas suas lavouras. Na safra de verão deste ano eles registraram média de 140 Sacas por alqueire em área total de 196 alqueires. Segundo informou o agrônomo Vitor Colman Otano, do Detec da Coamo em Mamborê, para alcançar está máxima produtividade, o produtor escolheu uma parcela da propriedade que tinha solo de alta fertilidade e equilibrado, e utilizou uma adubação de base com 1600 kg de Super Simples e uma cobertura de 600kg de Cloreto de Potássio, o que é o dobro da adubação normal.

Ricci também contou com a adubação residual do trigo para aproveitar a alta disponibilidade de nutrientes com o clima favorável durante todo o ciclo da cultura. “A população foi de 511.000 plantas por hectare que foram distribuídas de forma homôgenea através do plantio cruzado, onde se joga mais plantas, passei a plantadeira duas vezes na área, em direções opostas, e isso fez com que houvesse muito mais pés de soja por hectare”, conta.

O cooperado conta que a iniciativa foi interessante tendo em vista o clima regular com as chuvas que caíram no período – 1.350 milímetros em 115 dias. “Tudo correu muito bem, mas se tivesse sido diferente e as condições climáticas não tivessem sido favoráveis o grande numero de plantas e a competição por água faria com que a produtividade fosse até menor em relação ao plantio com o sistema comum. No final, como o custo de produção é bem maior, já que aumenta em dobro os investimentos com sementes e fertilizantes, tive um lucro igual ao resto da propriedade” explica.

PLANTIO CRUZADO – A novidade deve ser estudada pela pesquisa oficial, que ainda não dispõe de resultados e conclusões para recomendar a prática, tendo em vista a relação lucro e produtividade. E sobre o futuro desta experimentação em sua área, Ricci responde: “no caminho da produtividade talvez teste mais o plantio cruzado, melhorando a distribuição das plantas por hectare, correção do solo, nível de adubação e rotação de cultura”. (Com informações do Cesbe).