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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 417 | Agosto de 2012 | Campo Mourão - Paraná

Plantio Direto

Ferramenta para agricultura sustentável

Um dos assuntos apresentados no 9º Encontro de Plantio Direto, em Ivaiporã, foi relacionado as plantas daninhas de difíceis controles

Já consolidado na área de ação da Coamo, o sistema de plantio direto foi tema de encontro em Ivaiporã (Centro-Norte paranaense). O engenheiro agrônomo, pesquisador e professor, Donizeti Aparecido Fornarolli, foi um dos palestrantes da nona edição do evento. Ele conta que não consegue imaginar a agricultura sem a prática de plantio direto. “É a grande ferramenta para a agricultura sustentável”, frisa. De acordo com ele, o Brasil conta com mais de 30 milhões de hectares cultivados no sistema. “Somos um orgulho para o mundo. Visitantes de vários países vem ao Brasil ver o que nossos agricultores, técnicos e pesquisadores estão desenvolvendo.”

PLANTAS DANINHAS – Um dos assuntos apresentados pelo professor no encontro foi relacionado as plantas daninhas de difíceis controles, com foco para a buva e o capim amargoso. “As plantas daninhas competirão com a lavoura e é por isso que o agricultor precisa ficar atento.” A orientação é para que se faça um levantamento das plantas existe nas áreas de cultivo, classifique-as e busque orientações da assistência técnica para estabelecer ações de manejo.

A maior preocupação é devido o alto poder de disseminação das plantas daninhas, pois um pé de buva chega a produzir até 200 mil sementes e uma flor do capim amargoso conta com mais de mil sementes. “Não é porque tem apenas um pé de buva aqui e outra moitinha de capim amargoso ali que o agricultor não tem que se preocupar. O monitoramento tem que ser constante porque ao contrário o investimento feito em novas tecnologias pode se perder para as plantas daninhas”, ressalta Fornarolli e acrescenta que a buva pode diminuir em até 20% a produtividade da soja.

O encontro teve ainda palestra sobre “O Novo Código Florestal”, com Djalma Lúcio de Oliveira, e sobre o “Mofo Branco”, apresentado pelo Departamento Técnico da Coamo em Ivaiporã.

Por um meio rural produtivo

Adepto ao plantio direto desde 1994, o cooperado Reginaldo Kczam, de Ivaiporã, destaca os benefícios que o sistema proporciona para a cadeia produtiva. De acordo com ele, a produtividade de soja, por exemplo, saltou de 110 a 120 sacas para 160 a 170. Além de melhorar as produtividades, o sistema ajudou a resolver problemas sérios como a erosão. Atualmente, 100% da área cultivada por ele é com plantio direto. “O plantio direto faz parte do sistema produtivo. Não só ele, mas a rotação de culturas, dentre outras técnica, também. A palhada ajuda a evitar perdas de nutrientes, não degrada o solo e evita que a terra seja levada pela chuva até os mananciais.”

O cooperado cultiva 180 alqueires, sendo soja, milho e feijão no verão e trigo, aveia e azevém no inverno. Kczam também trabalha com a integração lavoura-pecuária. “Há 15 anos trabalho nesse sistema. Aquela preocupação de que o boi compacta a terra e que tem de descompactar para plantar soja não é verdade. Venho utilizando esse sistema e a produtividade aumentando, ou pelo menos se mantendo, sem que eu precise mexer com a terra.”

O engenheiro agrônomo do Departamento Técnico da Coamo em Ivaiporã, Marcio José Messias da Silva, lembra que desde a década de 70, quando o sistema foi implantado no Paraná e no Brasil, os produtores vem aproveitando os benefícios proporcionados por ele. “As produtividades só aumentaram de lá para cá. Não podemos esquecer também de outras tecnologias que, aliado ao plantio direto, tem beneficiado o sistema produtivo. Novas variedades, rotação de culturas, tecnologias nos tratos culturais também contribuíram para o aumento na produção”, diz.