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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 417 | Agosto de 2012 | Campo Mourão - Paraná

Silvipastoril

Novo ciclo da integração

Tecnologia combina cultivo de floresta e forrageiras e propicia a produção de carne, leite e madeira em uma mesma área

“É na crise que você cria.” Com essa frase o cooperado Valmir Humenhuk, optante do entreposto da Coamo em Faxinal (Centro-Norte do Paraná) define como resolveu explorar o sistema Silvipastoril, uma das mais moderas tecnologias agropecuárias do momento e que começa a ganhar espaço.

Pecuarista por tradição, o produtor lembra que em 2006, quando a pecuária passou por mais uma crise, se viu obrigado a buscar novas opções de renda e de otimização da Fazenda Cachoeira, de 112 alqueires. E a jogada de mestre foi procurar a Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural) onde descobriu a tecnologia, que passou a ser conduzida na propriedade em parceira com a Seab (Secretaria de Agricultura e Abastecimento) e a Embrapa Floresta, com apoio da Coamo, que acompanha o desenvolvimento das atividades como um todo e fornece os insumos para a pecuária e forrageiras.

“Mudar de atividade eu não queria e comecei a notar que podia fazer uma integração porque já tinha um pouco de madeira para o meu uso na propriedade. Foi quando descobri que poderia integrar árvores com o capim e produzir além de bois madeira”, conta o cooperado em clima de comemoração. “Consegui acrescentar a madeira sem deixar minha principal atividade de lado. Depender só de uma atividade não dá mais e com a assistência que recebo, tanto da Emater quanto da Coamo estou conseguindo resultados positivos”, garante.

PASTO O ANO TODO – Despois que crescem, além de fazer sombra e manter a área de pastagem mais úmida e equilibrada as árvores ainda derrubam as folhas sobre a pastagem que alimenta o gado. Isso faz com que o capim se desenvolva melhor porque tira proveito da matéria orgânica das folhas que caem e se decompõem no solo, mantendo o pasto mais vigoroso em qualquer época do ano. “Já tivemos anos de geadas e o capim plantado no sistema não sofreu nada e ainda continuou vegetando enquanto que do capim solteiro não sobrou nada”, lembra Humenhuk.

DE OLHO NO FUTURO - A implantação das árvores na propriedade, que antes era toda destinada a criação de bezerros, foi feita inicialmente em apenas cinco alqueires. Mas, o projeto do cooperado é expandir o sistema para aumentar a receita tanto com o corte da madeira quanto com a produção de bezerros. “Minha intenção é ampliar o negócio até chegar ao ponto de fazer o raleio de torinhas e o corte de toras adultas, que no mercado possui um valor mais alto, além de seguir com a produção dos animais”, diz Valmir, que em 2010 fez o primeiro desbaste da área (manejo recomendado para melhorar o desenvolvimento de árvores e forrageiras) e com a operação obteve o primeiro lucro depois de investir na tecnologia. “Tiramos daqui 700 toneladas de madeira, sendo 500 de lenha e o restante de torinha. Em termos financeiros é um dinheiro que antes não existia e veio agregar. A diferença é que o lucro do gado já faz toda minha manutenção e o dinheiro da madeira fica livre para investimento”, comenta ele, que nos próximos nove anos ainda pode ter um resultado variável de aproximadamente R$ 70 mil em cada um dos cinco alqueires destinados ao sistema, somente com o lucro proporcionado pela madeira, segundo cálculos da Emater.

VITRINE – Apesar do pouco tempo de exploração da atividade a Fazenda Cachoeira se tornou referência e já recebe, inclusive, visitas de outros produtores e até de caravanas de outras regiões do Estado, interessados na tecnologia. “Fizemos aqui uma Unidade Demonstrativa Silvipastoril, que chamamos de UD. Mais de 300 agricultores do Vale do Ivaí e até de outras regiões já passaram por aqui e muitos implantaram áreas maiores que esta depois que conheceram o sistema”, explica o extensionista Lindomar Bérgamo da Silva, da Emater, regional de Ivaiporã (Centro-Norte do Estado).

O técnico ainda esclarece que o sistema desenvolvido na propriedade de Humenhuk é pioneiro no Paraná. “Fizemos aqui o plantio de linhas triplas, duplas e simples de árvores. Com isso conseguimos resultados bem interessantes”, observa Silva. “O que não se deve fazer é tentar implantar o sistema sem orientação técnica. É preciso olhar o mercado, ter uma boa análise do solo, da fertilidade e escolher a variedade adequada para cada região. Por isso sem a informação necessária não pode arriscar”, alerta.

CUSTO BENEFÍCIO – Para o agrônomo Thiago de Oliveira Gaviolli, do Detec da Coamo em Faxinal, a atividade além de agregar maior renda por conta da exploração da madeira, possibilita o aumento da lotação de animais, uma vez que possui enorme capacidade de recuperar as pastagens. “Em regiões acidentadas a tecnologia é uma ótima opção de otimização de áreas que geralmente ficam abandonadas. O custo-benefício é muito grande e compensa todo investimento.”

Entenda a Tecnologia

Os Sistemas Silvipastoris combinam o cultivo de espécies arbóreas comerciais, no caso de Valmir Humenhuk o eucalipto, com forrageiras e a criação de animais em uma mesma área de forma simultânea, com uso racional e sustentável do solo. Uma tecnologia que proporciona incremento de alimentos e energia renovável. Além disso, o consórcio das atividades conjugadas tem a capacidade de recuperar pastagens degradas; infiltrar e reter mais as águas das chuvas no solo; reciclar nutrientes; produzir maior quantidade de forrageira na entressafra; dar mais conforto térmico e bem-estar aos animais, além de seqüestrar carbono e reduzir a emissão de gases de efeito estufa; diversificam a atividade e redução de risco climáticos e de mercado, e melhora a renda do produtor.