Agricultura


Operadores treinados fazem a diferença

Minimizar os custos e aumentar a lucratividade são os objetivos do produtor rural

Lidar com as atividades do campo virou negócio para profissional. A façanha não é muito fácil e requer um certo jogo de cintura. Não basta saber. É preciso aplicar o conhecimento no dia a dia e fazê-lo gerar resultados. Senão, de nada adianta investir em conhecimento.

O sucesso da agricultura depende de uma série de fatores. Cada detalhe deve ser encarado com muita seriedade e as tarefas executadas passo a passo. De acordo com Domingos Carlos Basso, instrutor do Centro de Treinamento Agrícola da Coamo (CTA), o segredo de tudo está na prática do aprendizado. A tendência dos cooperados da Coamo em se aperfeiçoar na regulagem e manutenção do maquinário é encarada como ponto de fundamental importância.

Controlar o número de sementes na linha de plantio, a quantidade exata de adubo que está sendo depositada no solo, a profundidade de plantio, a regulagem do pulverizador e da colheitadeira, já são práticas dominadas pelo cooperado. "Eles não precisam mais que o técnico vá até a propriedade para fazer as regulagens. O que nós temos feito é uma verificação do equipamento durante o trabalho. Isso mostra a capacidade dos cooperados", lembra Basso.

EM FAMÍLIA: A cima, Osmar Vicente confere os bicos do pulverizador; o irmão Sérgio e o cunhado Odair (a baixo) fazem ajustes na plantadeira Os irmãos Vicente são um bom exemplo de aplicação dos conhecimentos na prática. Itamar, Sérgio e Osmar dividem as tarefas da propriedade e cada um se especializou numa área. Osmar, o mais velho, cuida da parte de pulverização. Fez os cursos do CTA e está por dentro de todas as novidades. A primeira empreitada nesta safra é deixar a máquina preparada para as dessecações.

Na hora do plantio entra em ação os conhecimentos de Sérgio, que se dedica às regulagens da plantadeira. A responsabilidade é divida com os cunhados João Neposiano e Odair Ferreira. Antes mesmo da época de semear, eles verificam item por item da máquina e fazem trocas necessárias.

A colheita é outra etapa onde os Vicente se mostram eficientes. Perder o mínimo possível é 

um desafio enfrentado por Itamar, que coordena a regulagem das duas colheitadeiras da família.As máquinas colhem 200 alqueires de soja todo ano e qualquer erro pode causar um prejuízo enorme. "Antigamente era preciso o técnico vir liberar a máquina para a colheita. Hoje nós fazemos todo o trabalho, graças ao incentivo da Coamo em nos repassar o

conhecimento", destaca.

Para o cooperado, não se pode ficar esperando que o técnico venha fazer tudo. "A lavoura não espera. Muitas vezes perder tempo é prejuízo na hora da colheita", explica Itamar. As perdas na colheita da última safra, segundo Itamar, ficou ao redor de 1,4 sacas por alqueire, média de toda área. Mas houve talões que esse número não passou 0,4 sacas, um recorde.

Atenção especial - O cooperado Abbas Ali Ayoub, de Campo Mourão, dedica especial atenção ao maquinário. Com um bom trabalho de manutenção, máquinas com quase 20 anos de uso parecem novas. É o caso de um trator adquirido em 1985. A plantadeira, foi comprada em 1994. Mas no campo, as máquinas mostram que são capazes de desenvolver o trabalho com eficiência.

Ayoub faz, ele mesmo, a manutenção das máquinas. Regula e cultiva os 27 alqueires da propriedade. É comum chegar na propriedade do cooperado, ao final do plantio de cada lavoura, e encontrá-lo lavando, lubrificando, protegendo o equipamento da ferrugem.

Assim também é feito com o pulverizador, a colheitadeira e os demais implementos do sítio. "Tem máquina aqui que a gente usa cinco dias por ano e não tem cabimento deixá-la com resto de semente e adubo de um ano para o outro", conta o cooperado.É com orgulho que ele fala das economias proporcionados pela boa regulagem das máquinas.

É menos semente, defensivos, 

Ayoub: carinho com o maquinário e prazer em executar os serviços da propriedade
tempo e menor desperdício na hora da colheita. Quando está plantando, por exemplo, Ayoub examina a máquina pelo menos três vezes ao dia. "Dá trabalho, mas eu gosto", revela.