Agricultura


Algodão é tradição em São João

 

 

 

 

 

 



Silva: "algodão ajuda a diversificar a propriedade"

Nesta safra a redução no plantio de algodão, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral-PR), pode chegar a 32% dos 70,7 mil hectares plantados na safra anterior. Nos municípios de São João do Ivaí e Lunardeli, o cultivo caiu mais de 50% nesta safra. A falta de incentivo do governo fez com que o cultivo do algodão migrasse para outras regiões. A do cerrado foi uma delas. E lá os produtores estão investindo pesado na produção.

Os paranaenses, produtores tradicionais, reduziram a área, mas não eliminaram a cultura da propriedade. E o caso do cooperado Osmar Inácio da Silva, de Lunardeli. No ano passado, com ajuda da família, ele plantou 20 alqueires de algodão. A lavoura rendeu em média 450 arrobas por alqueires, mas o preço não ajudou.
"A minha intenção era manter a área, porque, em termos de renda, o algodão é a melhor opção. Mas resolvemos plantar só 20% da área do ano passado e diversificar com outras lavouras", justifica.
Uma das alternativas que o cooperado está arriscando é a alfafa. Cultura de ciclo perene pode ser cortada pelo menos cinco vezes no ano. A renda, segundo Silva, varia de acordo com o preço, nas épocas do ano, e a produtividade. "No primeiro corte, em 4 alqueires, consegui 20 toneladas. 

Espero nos próximos cortes atingir 30 toneladas, para compensar o investimento que fiz", revela. De acordo com o engenheiro agrônomo Edison Aparecido Negrão, responsável pelo Detec da Coamo em São João do Ivaí, na região há diversas situações como essa de Silva. "O cooperado está buscando uma renda mensal para complementar orçamento", explica.
Em São João do Ivaí, o cooperado Pedro Machado, em parceria com o filho Carlos Alberto Silva, cultiva algodão desde 1977. Pequeno produtor, ele trabalha em apenas 8,5 alqueires, sendo 3,5 alqueires arrendados, destinado a cotonicultura. O restante é dividido entre milho, arroz, feijão, soja, café e pastagem para o gado leiteiro. Machado observa que a evolução tecnológica o 
Carlos Alberto e Pedro Machado: pai e filho mantém tradição no cultivo de algodão
ajudou a produzir mais. Na safra passada alcançou média de 500 arrobas por alqueire. "Mas, quando somos pequenos não podemos plantar uma só cultura. 
Aprendi com o meu pai e estou passando para o meu filho. Temos que acompanhar a evolução e extrair o máximo da terra", explica.


No sítio da família a informação virou insumo básico. Nesta safra, os Machado já comercializaram, através de contrato, parte do algodão antes mesmo do plantio. "Nós precisamos aprender a lidar com a agricultura como um negócio. Vender a safra antecipada para nós é uma novidade. Inclusive, necessária na nossa atividade", conclui Carlos Alberto.