Agromercado

Verão:
Mais soja, menos milho

Condição econômica favorável à soja foi o que mais pesou na decisão dos cooperados

 

 

 




Lavouras na região da Coamo já estão implantadas

Ao fechamento desta edição, praticamente toda a safra de verão já estava plantada na área de ação da Coamo. Neste ano, diferente do que aconteceu na safra passada, a área de soja registrou um incremento ao redor de 10 a 15%. Com o milho a situação foi inversa. A área plantada com o cereal caiu entre 20 a 25% na região da Coamo. A condição econômica 
favorável à soja - uma cultura de exportação e grande liquidez, foi o que mais pesou na decisão dos cooperados.

Num levantamento realizado pelo Detec da Coamo, a queda na área do milho foi mais expressiva em algumas regiões. É o caso, por exemplo, das regiões de Campo Mourão, Vale do Ivaí e Centro Oeste. De acordo com os dados apresentados, as áreas de lavouras manuais praticamente se mantiveram. "Assim, podemos dizer que a queda se concentrou basicamente nas áreas mecanizadas", revela o engenheiro agrônomo Antonio Carlos Ostrowski, chefe do Detec da Coamo em Campo Mourão. Nos locais onde a queda foi mais significativa, a redução de área chega a 40%.

A análise prévia do Detec da Coamo também indica que a produtividade média das lavouras deverá ser semelhante a alcançada na safra passada. No caso da soja, ao redor de 3 mil quilos por hectare. E no milho, ao redor de 6.700 quilos por hectare, com a média subindo para 7.200 quilos por hectare, caso sejam consideradas somente as lavouras mecanizadas. "São números excelentes e que reforçam que a estratégia adotada pelos nossos cooperados de continuarem investindo em tecnologia tem dado resultados", considera. Esse, segundo Ostrowski, é o caminho mais curto para a o sucesso da cultura implantada. "Se temos um bom investimento, certamente teremos bons resultados no momento da colheita", completa.

Preço e custo - A redução da área de cultivo do milho se deu, principalmente, segundo o Detec da Coamo, em razão das grandes dificuldades de comercialização do cereal, na safra passada, devido a grande produção. Pela primeira vez o Brasil exportou ao redor de cinco milhões de toneladas, sendo que a cerca de 1,5 milhão foram exportadas pela Coamo. No entanto, o milho teve o preço difícil neste ano. Sem contar o alto custo de produção, em comparação com a soja. 

Uma boa proporção para justificar o cultivo do milho seria uma relação ao redor de dois (o preço de um saco de soja corresponder a dois sacos de milho). Levando em consideração os preços de hoje, a relação estaria ao redor de 2,9, lembrando que já esteve bem acima de três por um. Outro aspecto decisivo para o cooperado foi o custo de produção. Quando o cultivo de um alqueire de soja custa ao redor de R$ 1 mil hoje, o custo do milho varia entre R$ 1,5 a R$ 1,7 mil. "A decisão foi baseada na expectativa de maior retorno econômico", conclui Ostrowski.

 

Análises do Mercado Agrícola


Algodão
Mercado inalterado em relação ao mês anterior, com as cotações do produto no mercado internacional mantendo-se estáveis, o que a princípio mostra e esperamos que não haja registro de novas quedas. Os estoques mundiais ainda são altos e o consumo encontra certa dificuldade em recuperar-se, pelo espaço de mercado tomado principalmente pelas fibras sintéticas. O reflexo do baixo consumo pode ser sentido também aqui no Brasil, pela redução da produção de fios na maioria das indústrias, que por sua vez vem se abastecendo praticamente com produto nacional e deverão continuar firmes no mercado brasileiro para a próxima safra, principalmente pela elevação da cotação da moeda americana. Outro fator positivo são os interesses de importadores na aquisição do produto brasileiro para a próxima safra, o que mostra que apesar do baixo preço até então praticados poderemos ter uma boa liquidez na comercialização da próxima safra paranaense.

Trigo
O mercado interno segue com a comercialização em compasso lento, com as indústrias comprando o estritamente necessário, sem alongar estoques, à espera da entrada da safra Argentina, uma vez que mesmo com a colheita do trigo gaúcho o mercado tem se mantido estável. Já a cotação da safra nova Argentina é uma incógnita, pois dependerá principalmente do volume de trigo que os argentinos consigam exportar para países extra mercosul e caso consigam manter a mesma performance do ano passado não acreditamos em significativas quedas nos preços, muito embora há de se esperar sempre uma pressão de venda por parte dos produtores por ocasião da colheita (dezembro/janeiro). Outro fator que tem preocupado os produtores é a indefinição quanto a cotação da moeda americana, a qual por determinar o custo do produto importado acaba por estabelecer parâmetros para o mercado interno.

Soja
No momento vive exclusivamente do mercado interno, o qual está restrito de ofertas em função do baixo volume restante a ser comercializado para esta safra. Não fosse algumas indústrias estarem necessitando de um pequeno volume para zerar seus compromissos, automaticamente os preços de balcão estariam entre três a quatro reais abaixo dos praticados hoje, pois estariam dependendo do mercado externo.

Milho
Chegamos na segunda quinzena de novembro com os compradores de mercado interno inalterados, ou seja, continuando a não demonstrar interesse em lotes. Com isso, temos que começar a acreditar que os mesmos devam estar abastecidos. No mercado externo, as constantes quedas nas cotações do dólar nos últimos dias não tem deixado o mercado progredir em termos de preços. Com os grandes volumes ainda pendentes a serem comercializados para este período do ano, não podemos esperar muito deste mercado, a não ser que ocorra algum problema climático de agora em diante para que a próxima safra e, com isso, gere necessidade de do comprador se antecipar para as compras, conseqüentemente dando melhor liquidez para os preços.

Café
O ânimo no mercado de café mudou com as recentes altas decorrentes da redução dos estoques americanos. Pelo menos fica a sensação de que o pior já passou. Na verdade, o Brasil foi um agressivo vendedor no período de colheita pressionando as cotações para as mínimas verificadas, aproveitando-se em parte da depreciação do real. Agora é a vez dos Centrais e da Colômbia vender, pois o Brasil só tem 30% da safra para ser vendida e, com o real se valorizando e a dívida sendo renegociada, as vendas estão mais compassadas. Isso pode ajudar na recuperação dos preços, pois enquanto os demais países não forem agressivos na venda, os estoques continuarão a cair.

 

Indicadores Econômicos

VARIAÇÕES Mai/01 Jun/01 Jul/01 Ago/01 Set/01 Out/01 ACUMULADO ACUMULADO
  PERÍODO 12 MESES
IGP/M (% AO MÊS) 0,86% 0,98% 1,48% 1,38% 0,31% 1,18% 6,35% 9,94%
TR (% AO MÊS) 0,18% 0,15% 0,24% 0,34% 0,16% 0,29% 1,38% 2,11%
DÓLAR
COMERCIAL
(% AO MÊS)
8,02% -2,33% 5,48% 4,95% 4,69% 1,34% 23,91% 41,80%
TJLP (% AO MÊS) 9,25% 9,25% 9,50% 9,50% 9,50% 10,00%    
SOJA 12,50% 10,99% 26,94% 10,53% 9,31% 3,05% 97,35% 164,22%
MILHO 0,00% 5,80% 15,07% 8,33% 2,20% 0,00% 34,78% 56,88%
ALGODÃO (TIPO 6) 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 3,57%
TRIGO (PH 78) 3,73% 7,84% 7,84% 0,00% 7,84% 5,23% 36,90% 68,28%
 

Poder de Troca mês a mês

MÁQUINAS/INSUMOS X PRODUTOS UNID. Mai/01 Jun/01 Jul/01 Ago/01 Set/01 Out/01

MÉDIA DO PERÍODO

MÉDIA ULT. 12 MESES

 

TRATOR VALMET 785 - 75 CV 4X4 12 velocidades

SOJA sacas 2.261 2.001 1.694 1.546 1.524 1.495 1.805 1.944
MILHO sacas 5.570 5.410 4.726 4.240 4.283 4.280 4.846 4.790
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 4.687 4.684 4.524 4.524 4.805 4.854 4.645 4.354
TRIGO (PH 78) sacas 2.559 2.416 2.333 2.248 2.478 2.535 2.407 2.540
 

COLHEITADEIRA NEW HOLLAND TC 57 (completa)

SOJA sacas 9.118 8.229 7.215 6.583 6.499 6.353 7.529 8.058
MILHO sacas 22.464 22.254 20.127 18.057 18.261 18.172 20.233 19.909
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 18.902 19.268 19.268 19.268 20.488 20.610 19.439 18.108
TRIGO (PH 78) sacas 10.320 9.937 9.937 9.576 10.566 10.764 10.067 10.541
 

PLANTADEIRA PSE 8 2S (COM CÂMBIO)

SOJA sacas 1.343 1.353 1.186 1.083 1.101 1.070 1.213 1.202
MILHO sacas 3.308 3.659 3.310 2.969 3.095 3.062 3.268 2.989
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 2.783 3.168 3.168 3.168 3.472 3.472 3.152 2.748
TRIGO (PH 78) sacas 1.520 1.634 1.634 1.575 1.791 1.814 1.631 1.584
 

PULVERIZADOR COLUMBIA MAXTER FLOW

SOJA sacas 969 864 758 737 758 737 817 872
MILHO sacas 2.387 2.338 2.114 2.021 2.131 2.108 2.198 2.157
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 2.008 2.024 2.024 2.156 2.391 2.391 2.121 1.971
TRIGO (PH 78) sacas 1.096 1.044 1.044 1.072 1.233 1.249 1.098 1.146
 

CALCÁRIO

SOJA sacas 2 2 1 1 1 1 1 2
MILHO sacas 4 4 4 3 3 3 4 4
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 4 4 4 4 4 4 4 4
TRIGO (PH 78) sacas 2 2 2 2 2 2 2 2
Para cálculo da paridade de produtos X máquinas e insumos foram utilizados os preços praticados no último dia do mês.