Especial

A força dos ventos

Em Palmas, projeto inédito explora geração de energia elétrica através do potencial eólico da região


A palavra eólica está relacionada com a Grécia antiga. Ela provém de uma região conhecida como Eólia. Na própria mitologia grega, Éolo era o deus dos ventos. Seguramente, a região deveria possuir um alto grau de correntes aéreas, o que a caracterizou como uma área de ventos abundantes.

Sem dúvida, os idealizadores do projeto eólico-elétrico de Palmas, no sul do Paraná, levaram em consideração os fatos históricos quando decidiram investir na instalação de uma usina movida pelos ventos no município. A região do Horizonte, composta basicamente por campos de pastagens nativas, serviu de referência para o projeto. Algumas áreas estão localizadas numa altitude de aproximadamente 1.300 metros acima do nível do mar.

O empreendimento foi realizado a partir de uma parceria entre a Copel - Companhia Paranaense de Energia, e a Wobben Windpower Indústria e Comércio Ltda., subsidiária da Enercon, líder do mercado na Alemanha. A usina está localizada no quilômetro 26 da rodovia PR 280. O projeto de geração de energia elétrica alternativa, através dos ventos, é inédito no Paraná. Ele foi concebido a partir de um outro projeto, o Ventar, que avaliou 25 diferentes regiões do Estado. O levantamento resultou num mapa, no qual podem ser identificadas as áreas mais promissoras ao aproveitamento da energia eólica, como aconteceu com Palmas.

A usina eólica de Palmas se transformou numa atração turística para a região. Mas, na verdade, ela é bastante eficiente. A potencia total é de 2,5 mega watts, para um número de cinco turbinas instaladas. Cada torre possui uma altura de 44 metros, com um rotor de 40 metros de diâmetro. A geração anual está estimada em 6.500 MWh (cerca de 2/3 do consumo residencial em Palmas).

 

Indústrias:
Biomassa gera 40% do consumo da Coamo

A transformação de resíduos florestais em energia elétrica é a estratégia da Coamo para enfrentar uma possível situação de falta ou racionamento - o que ainda não chega a ser um problema para o Paraná. A cooperativa utiliza a queima da biomassa para suprir parte do consumo do complexo industrial, localizado em Campo Mourão, região centro-oeste do Estado. Lenha picada, cascas de algodão e de arroz são os resíduos utilizados na co-geração de energia elétrica, que supre 40% da necessidade do parque industrial.

Implantada há 16 anos, a estrutura de co-geração da Coamo é composta por uma caldeira de média pressão, responsável pela queima dos resíduos e 
produção de vapor, que em seguida virá a se transformar em energia elétrica, através da conversão feita por turbos alterternadores. "O custo da produção alternativa equivale à metade do preço praticado pela concessionária", explica o superintendente Industrial da Coamo, Germano José Frenzel Ottmann. Segundo ele, o restante da energia elétrica necessária para funcionamento do complexo industrial, a Coamo compra da Copel.

O sistema gera um total de 4,4 MW por mês de energia elétrica. Essa produção poderia garantir o abastecimento de mais de 12 mil casas durante o mês, com o consumo médio de 200 KW. Um projeto para modernização do sistema está em andamento. A cooperativa pretende, com os investimentos, melhorar os instrumentos e automatizar ainda mais o processo, buscando um maior rendimento de conversão.

 

 

 

 

 





Cavalo de lenha é um dos resíduos utilizados na co-geração alternativa de energia



Formados primeiros especialistas em fertilidade de solos


Os formandos e os organizadores do curso
Numa iniciativa da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Campo Mourão (AEACM) e Unespar/Fecilcam, foi realizada no dia 26 de outubro, a solenidade de formatura do curso de pós-graduação em Fertitilidade de Solos e Nutrição de Plantas. O curso teve duração de 18 meses e reuniu 39 alunos de vários municípios da região polarizada por Campo Mourão, com presença
de dezenas de agrônomos e cooperados da Coamo.

Segundo Aquiles de Oliveira Dias, presidente AEACM, que congrega os engenheiros agrônomos na região de Campo Mourão, a idéia do curso de pós-graduação foi lançada em 1997 pelo presidente da Coamo, engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, durante as comemorações dos 50 anos da Federação das Associações dos Engenheiros Agrônomos do Paraná, em Curitiba. Na ocasião, Gallassini recebeu o título de "Mérito Agronômico" e discursou em nome dos homenageados, afirmando que os profissionais de agronomia deveriam buscar sempre o aperfeiçoamento e na oportunidade, sugeriu que a fertilidade de solos seria um tema interessante e desafiante dentro da realidade da agricultura brasileira.

O curso de pós-graduação em Fertilidade de Solos e Nutrição de Plantas foi inédito para aos profissionais de agronomia e considerado de altíssimo nível, através de repasse de importantes conhecimentos por renomados especialistas de várias regiões do País, que colaboraram decisivamente para a elevação do nível do curso, satisfação dos participantes e alcance das expectativas dos organizadores.

A fertilidade de solos é um tema que requer um conhecimento mais profundo e dinâmico, com atualização constante, e está sendo observado como grande desafio tanto para os produtores como para os profissionais de agronomia. "É uma técnica que vem despertando interesse e sendo incorporada ao dia-a-dia da nossa agricultura para equacionar os problemas de conservação de solos e obter melhorias das produtividades das nossas culturas", explica Dias.

Todo o conteúdo programático do curso de pós-graduação foi idealizado pelo engenheiro agrônomo Joaquim Mariano Costa, responsável pela Fazenda Experimental da Coamo, e recebeu muitos elogios pela qualidade do trabalho. "Os formandos são profissionais diferenciados nesta área, angariaram novos conhecimentos e a certeza dos desafios que esta área proporcionará num curto período à pesquisa brasileira", afirma Dias. Depois do sucesso e da conclusão da primeira turma, a Associação dos Engenheiros Agrônomos de Campo Mourão anuncia para o primeiro semestre de 2002 o início da segunda turma.